Política

A resistência no TUCA e a marcha do golpe nesta 5ª feira

Se o golpe avança, a resistência não pode hesitar. E não hesitar implica em primeiro lugar em ter clareza do que está em jogo nas próximas horas.

17/03/2016 00:00

Mídia Ninja

Créditos da foto: Mídia Ninja

A avenida Paulista amanheceu bloqueada nesta 5ª feira pela PM do governador Geraldo Alckmin. Soldados em número superior ao de meia centena de gatos pingados que impediam o trânsito fecharam as duas pistas em três quarteirões da principal via da cidade.

O nome disso é golpe.

 
O significado é claro: a direita paulista lidera a marcha da sedição contra o governo democrático da Presidenta Dilma.


Tevês e jornais insuflam na mesma direção nesta 5ª feira decisiva.
 

A edição vergonhosa da Folha de SP, por exemplo, veio encimada pela tarja que a polícia de Alckmin tenta materializar na rua: 'Governo sitiado'.
 

Esse não é o fato; é o vaticínio  salivado pelo diário que na ditadura franqueava viaturas à OBAN para a polícia política de Fleury colher suas vítimas e desovar seus corpos.
 

Se o golpe avança, a resistência não pode hesitar. E não hesitar implica em primeiro lugar em ter clareza do que está em jogo nas próximas horas.

Foi isso o que moveu centenas de intelectuais e juristas que afluíram ao TUCA, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) na noite desta 4ª feira para uma reunião de planejamento da luta que agora urge.


Com o auditório lotado, uma multidão tomou o lado de fora da Universidade para acompanhar o ato por um telão.


Num clima de tensão e engajamento ecumênico,  personalidades e intelectuais de diferentes correntes progressistas , desde a filósofa Marilena Chauí ao economista e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Luis Carlos Bresser Pereira , alertaram para a iminência de uma ruptura de ciclo histórico.

 

É isso que está em jogo e, portanto, a resistência não pode ser acanhada nas ruas e nos objetivos.

 

O ato transcorreu em ambiente de elevado nervosismo com as notícias da tentativa do juiz Moro de impedir a posse de Lula no ministério, ao divulgar grampo ilegal de diálogo entre Dilma e o ex-presidente, transcorrido depois de já confirmada a sua nomeação ao cargo de Chefe da Casa Ciivil.  

 

A divulgação das gravações foi a senha da sedição golpista e a evidência de que o movimento golpista penetrou as entranhas do judiciário em clara ameaça às instituições.

 

O juiz-conspirador que se despiu de qualquer verniz de legalidade nas últimas horas age claramente determinado a convulsionar o ambiente político.

 

A sorte de Moro conflita com o destino da democracia no país.  

 

Se a Suprema corte e o CNJ, aos quais ele está subordinado, sancionarem seus atos, a nação terá sido rebaixada à condição de um regime de beleguins e ele será coroado seu imperador.

 

Na corte dos beleguins, a diretoria da Fiesp comandada por uma sombria figura que há muito não exerce qualquer atividade produtiva,  empalmará o comando da economia para implantar as reformas anti-trabalhistas e anti-sociais que reivindica em defesa do capitalismo selvagem.

 

Foi com essa sofreguidão que a Fiesp, de Paulo Skaf, ex-tudo, agiu em sugestiva sintonia com Moro na noite faiscando a convocação de protestos  na avenida pela derrubada do regime, em frente a sua sede tumba, previamente equipada com um palanque desde as primeiras horas da tarde de ontem...

 

Foi essa percepção de um cerco arquitetado que marcou as intervenções dos oradores no ato pela democracia no teatro da PUC na mesma hora.

 

Ao  exortar à resistência cívica contra o golpe em marcha,  intelectuais e juristas alertaram: o que está em jogo não é só defesa da legalidade representada pelo mandato  concedido por 54,5 milhões de votos à presidenta Dilma, mas sim --explicitou Chauí em sua intervenção no TUCA- impedir que se esmague o espaço público e os direitos sociais duramente abrigados na Constituição de 1988 --agora acossados  pelo 'alargamento da lógica privada, com a qual o neoliberalismo fere de morte a democracia', desnudou a filósofa.

 

A resistência convocada pelas personalidades que afluíram ao TUCA terá um ponto alto nesta sexta-feira, dia 18.

 

Atos de uma frente ampla de forças democráticas, nacionalistas e progressistas vão ocorrer em todo o Brasil contra a ofensiva golpista que pretende sitiar não apenas o governo --como atiça vergonhosamente a Folha de São Paulo --  mas as garantias de participação popular na democracia e nos frutos do desenvolvimento, apenas esboçadas, mas já intoleradas, nos governos do ciclo que começou em 2003.

 

Esse processo desembocou na atual transição  em que a decisão sobre o passo seguinte da história brasileira expõe o conflito entre duas concepções de sociedade e de democracia.

 

De um lado, uma plutocracia que  reserva a nação e as riquezas do crescimento a 30% de privilegiados.

 

Na outra ponta, a opção desassombrada pela construção de uma democracia social  na  nação que se tornou uma das principais referências da luta pelo desenvolvimento no mundo. E que por isso está sendo acossada por interesses gigantescos.

 

A encruzilhada brasileira é uma questão de poder : foi isso o que disse a palavra engajada dos intelectuais na PUC.

 

O poder nesse momento será decidida nas ruas, onde a sociedade definirá seu caminho caminhando.

 

É essa caminhada  que decidirá a permanência de Dilma e o espaço de ação de Lula em Brasília.

 

Em São Paulo, a manifestação da sexta-feira começa às 16 horas no vão livre do MASP, na venida Paulista.

 

Não há tempo para hesitar: essa é a hora em que a democracia se impõe ou os tiranetes assumem o comando.

 

Dia 18, 16 horas, MASP/av. Paulista.

 

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