Política

As duas guerras modernas do Brasil

 

28/03/2021 12:20

Rio, 13/3/2016: Claudio Pracownik, sua mulher, os filhos e a babá Maria Angélica Lima (Reprodução/Facebook)

Créditos da foto: Rio, 13/3/2016: Claudio Pracownik, sua mulher, os filhos e a babá Maria Angélica Lima (Reprodução/Facebook)

 
O Brasil se encontra em duas Guerras. Como aqueles que estudaram as guerras sabem que guerras paralelas exigem estratégias interativas e acordos secretos (ver Sun Tzu e Clausewitz). Vamos visualizar a dupla guerra brasileira e após a análise tiremos conclusões necessárias.

Primeira Guerra: A eliminação da Nação Brasileira

A primeira Guerra se iniciou em 2014, a ideia das elites (classes dominantes) brasileiras vassalas da elite imperialista estadunidense (Trumps, Obamas, Clintons, Bidens) era tornar as relações econômicas e sociais do Brasil mera condição de exploração de recursos naturais. O limite para garantia disso era romper com duas articulações presentes nos governos petistas: o acordo Brasil, Rússia, China (BRIC’s); a possível expansão da estrutura industrial de um DI (Departamento I) autônomo no Brasil centrado nos insumos de consumo produtivo mundial, algo que dinamizaria inclusive a indústria de construção pesada brasileira deveria ser eliminada.

A subserviência ao imperialismo foi tão avassalador que a burguesia brasileira entregou até filhos diletos, algo que o Império deveria festejar! Essa guerra civil foi ganha até aqui pelos interesses da burguesia entreguista.

A solução de entregar toda a capacidade econômica brasileira está registrada em dois documentos e políticas: a “Ponte para o Futuro” do Sr. Temer e a Emenda Constitucional 95/16, também desse traidor nacional de uma estirpe a ser aniquilada em outro momento histórico.

Essa guerra de entrega nacional teve momentos que já descrevemos em outro momento (https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Retrospecto-de-8-atos-de-destruicao-nacional/4/50214), o centro da lógica a ser reforçada é a ruptura com o sentido de nação e a completa subordinação aos interesses do Império.

Vejam isso não implicava em primeiro momento riscos de morticínio em larga escala, inclusive de filhos diletos, mesmo que idosos, da própria classe dominante. Seria uma guerra de mortos de somente um lado, o lado perdedor de sempre, algo que esses senhores da "Farias Lima" consideram meras condições do momento, nada a temer ou Temer.

Para fazer essa guerra elegeram seus gênios: fascistas, escroques, canalhas de toda ordem. Impuseram seus interesses e ganhos. Suas mãos inflaram e o alterego fascista da burguesia se impôs num amplo consenso, o que gerou o senhor Bolsonaro e seus militares de apoio.

A Segunda Guerra: a Batalha perdida contra o Vírus

A guerra seguinte moderna brasileira se inicia em março de 2020. Essa guerra parecia em outras condições algo fácil de se vencer. O Brasil ainda tinha uma arma poderosa chamada SUS (Sistema Único de Saúde), porém a decisão dos vitoriosos da primeira Guerra foi destruir a arma, junto com a outra arma fantástica que disponham: as universidades públicas federais, centros de produção de ciência que nenhum outro país em combate contra o Covid dispunha.

As elites brasileiras tomaram a decisão mais ácida: para solidificar sua vitória na primeira Guerra resolveram nesta segunda tomar a decisão de que essas instituições deveriam ser destruídas e, além, assumiram que o discurso do seu "Bonaparte" de plantão, mesmo que estúpido e fascista, seria o seu próprio discurso. Assim entraram no labirinto do Caos a classe dominante e seus errantes líderes.

Duas Guerras simultâneas são difíceis de serem combatidas, vale aqui lembrar duas derrotas clássicas e suas consequências: a Rússia em 1905 combate Japão e enfrenta a disputa interna pela manutenção ou não do Império, a derrota teve consequências seculares, a Revolução de 1917 tem seu berço ali naquele duplo conflito. Era 1942 e a Alemanha nazista enfrenta dois frontes de combate (a URSS e a Inglaterra, apoiada pelo novo império ianque). A disputa que leva a morte de sessenta milhões de vidas dura alguns anos, mas encerra a sina nazista.

Julgo que a classe dominante brasileira e os trabalhadores brasileiros terão nos próximos anos uma disputa com consequências históricas.

Estamos (a Burguesia brasileira e nós defensores e membros do Trabalho no Brasil) enfrentando duas Guerras, agora nossas armas devem se impor ao limite.

A burguesia brasileira chegou ao seu limite, quer morar em Miami e acha que todo negro(a) deve ser eliminado, porém quase noventa por cento da população brasileira é negra ou mestiça. A classe dominante brasileira está num impasse e nós temos que derrotá-la.

Chega de complacência! Trabalhadores do Brasil Univos!

José Raimundo Trindade é Professor e pesquisador UFPA/PPGE 

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