Política

Boulos pelo debate conjunto de posições comuns

Guilherme Boulos dividiu sua exposição em quatro temas principais: o foco em 2021, o cuidado com o clima de já ganhou, o estado do país pós-Bolsonaro e o desafio da unidade do campo progressista

25/04/2021 13:14

por Leandro Vaz

Créditos da foto: por Leandro Vaz

 

Guilherme Boulos, falando ao Fórum 21, neste sábado (24), dividiu sua exposição em quatro temas principais: o foco em 2021 e não em 2022, o cuidado para se evitar o clima de já ganhou, o estado do país pós-Bolsonaro e o desafio da unidade do campo progressista.

O foco em 2021

Bolsonaro adotou, explicitamente, uma estratégia de imunidade de rebanho para enfrentar a pandemia, defende Boulos. Quando mais gente se contagiasse mais rapidamente, melhor. O resultado que agora observamos é um número altíssimo de mortos, além da volta da fome: são 19 milhões de brasileiros com fome, acrescenta.

O foco precisa estar em se encontrar soluções para esse quadro trágico. Não é hora de dar prioridade à discussão da eleição de 2022. Quem tem fome não quer saber de eleição, complementa ele. Nesse sentido a luta política, parlamentar é essencial, mas não substitui o trabalho de base e a solidariedade.

A ideia de “sangrar” a figura política de Bolsonaro aos poucos, com olhos na eleição, não é uma estratégia adequada na sua visão. Ele vê uma possibilidade de membros do Centrão pularem do barco: dada a deterioração política do presidente e todos no Centrão com foco na eleição, cresce a chance de distanciamento desses parlamentares com o presidente, aumentando assim a possibilidade de um processo de impeachment.

Ele avalia que um trabalho de base de extrema importância é aliviar a fome. As cozinhas solidárias que está ajudando a montar pelo Brasil não resolverão o problema, reconhece ele, mas servirão de exemplo, um gesto, bem como uma pressão política por soluções mais abrangentes.

O clima de já ganhou

“Tem gente querendo montar o ministério para 2023. Calma!” Adverte Boulos para a luta que está em franco desenvolvimento: “o bolsonarismo tem uma base cativa entre 12% e 15% e não vai se dissolver na nuvem”.

Seu alerta tem o sentido de mostrar que certos setores de apoio a Bolsonaro não o abandonarão. Ele lembra o respaldo político dado a Bolsonaro pelas polícias militares e a crescente politização da milícias, que têm agregado objetivos políticos ao econômicos de tempos anteriores. Ele acrescenta que os recursos da oligarquia serão direcionados contra avanços progressistas.

Seria uma enorme erro estratégico dar a eleição do ano que vem como resolvida, complementa ele, reforçando que, neste momento, a luta do campo progressista tem que ser centrada no que nos acomete agora em 2021.

A destruição do país e a degradação das instituições

“Se ganharmos, pegaremos um país destruído.” Boulos acredita que o modelo de governabilidade que se seguiu à constituinte entrou em colapso, que vamos ter de enfrentar o conflito distributivo, que o modelo de desenvolvimento está falido. O Brasil está em processo acelerado de reprimarização, enquanto a discussão do campo progressista pelo mundo se dá em torno de um green new deal.

Como exemplos da destruição do país e da degradação da instituições, Boulos cita o corte de 98% no orçamento, para 2021, no programa de construção de moradias voltada a famílias de baixa renda. O valor proposto pelo Congresso foi de 1,54 bilhão de reais e o corte de Bolsonaro foi de 1,513 bilhão, segundo o UOL. Ou seja, sobraram 27 milhões para a chamada Casa Verde Amarela. Para exemplificar a degradação das instituições ele conta que foi intimado, com base na Lei de Segurança Nacional, por conta de um tuíte, crítico a Bolsonaro, que publicou há um ano.

“Não basta ganhar a eleição”, assevera.

O desafio da unidade do campo progressista

Boulos diferencia uma frente ampla de uma frente eleitoral. Para se conquistar apoio à democracia e à interrupção do descalabro no combate à pandemia, todo apoio é bem-vindo. Na frente eleitoral o quadro é totalmente diverso: “não dá para conciliar frente eleitoral com os neoliberais”, conclui.

O presidente tem uma “ordem unida” que é seguida por todos os componentes do seu campo. Nesse sentido, Boulos acredita, Bolsonaro ganhou a narrativa. Do lado progressista, cada um fala uma coisa. Essa a razão principal de sua proposta pela criação de uma mesa de salvação nacional. Ao promover o debate conjunto por posições comuns, contribuiria para um amadurecimento das relações entre os atores e “sem hegemonismos”, complementa.

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