Política

CDES inspirou políticas contra crise, diz Moreira Franco

02/12/2011 00:00

Cláudio Fachel/ Palácio Piratini

Créditos da foto: Cláudio Fachel/ Palácio Piratini
O ministro dos Assuntos Estratégicos, Wellington Moreira Franco, atribuiu ontem (1/11) ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Social (CNDES) parte da responsabilidade pelas medidas tomadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2008, que evitaram a contaminação da economia brasileira pela crise mundial. Segundo o ministro, embora o CDES não tenha poder deliberativo, foi por meio dele que o governo se manteve informado "sobre o que acontecia na ponta".

"Não foi a burocracia, ou a academia, que definiram as políticas de governo contra a crise, mas a realidade. Foram os representantes do CDES que disseram ao governo como os juros chegavam ao consumidor, quais as dificuldades que a população tinha com os juros, os problemas de acesso ao crédito." A visão do que ocorria na sociedade, segundo o ministro, permitiu ao governo chegar a soluções eficazes.

Moreira Franco, cuja pasta abriga o CDES, disse que o Conselho, um "instrumento operacional do Poder Executivo", permite ao governo "um fluxo de informações extremamente ágil" . "O CDES traz para o governo o que a sociedade quer naquele momento", disse. Segundo ele, o crédito consignado, por exemplo, ao qual se atribui parte da responsabilidade pelo crescimento econômico conseguido no governo Lula, foi uma ideia que emergiu das reuniões e necessidades colocadas pelos integrantes do Conselho. Da mesma forma, o ex-presidente foi inspirado pelo governo a estimular os brasileiros ao consumo, nesse período.

O CDES mantém hoje o mesmo papel que desempenhou em 2008 e 2009, os primeiros anos da crise que se prolonga até hoje. Hoje, segundo Moreira Franco, o Conselho tem desempenhado o papel de mudar o foco da discussão sobre reforma tributária -- que, acredita ele, mesmo assim terá grandes dificuldades de ser aprovada, porque "o Congresso não tem tradição de reformas".

A questão tributária, que sempre foi tratada pelos políticos como uma disputa de recursos entre União, Estados e municípios, é debatida, dentro do Conselho, como uma questão relacionada ao sistema fiscal. "Todo mundo paga imposto no Brasil, mas os pobres pagam 45% de seus ganhos em impostos; os mais ricos, quase nada". Essa mudança de rumo do debate tirou a questão tributária da órbita da divisão federativa de recursos, para ser uma discussão sobre equidade fiscal, concluiu o ministro.


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