Política

Com decisão adiada, PT e PSDB disputam dianteira do 1º turno

01/10/2004 00:00

São Paulo– Como não há quem acredite que a decisão final sobre as eleições de São Paulo será decidida já no primeiro turno, tucanos e petistas querem pelo menos chegar na frente neste próximo domingo (3). “Nem que seja por 0,001%”, brincou um dos assessores da prefeita e candidata à reeleição, Marta Suplicy (PT-SP), em um dos intervalos do debate realizado na noite desta quinta-feira (30). “O que vale é a pesquisa da urna. E eu aguardo com ansiedade a pesquisa da urna”, declarou o candidato José Serra (PSDB), depois do encerramento do encontro entre candidatos promovido (e transmitido ao vivo) pela TV Globo.

 

Durante todo o debate, as atenções estiveram voltadas ao confronto entre Marta e Serra. Na condição de candidato oposicionista, o tucano assumiu uma postura mais ofensiva e executou ataques mais frontais à administração da atual prefeita

 

Serra criticou corte anunciado pela Prefeitura de mais R$ 700 milhões no Orçamento anunciado no mesmo dia do debate, resvalou nas dificuldades para a criação de novos empregos - “que provocou a fuga de 2,5 mil empresas nos últimos quatro anos - por causa da alta tributação e a burocracia dos órgãos municipais e questionou o montante de R$ 176 milhões gastos com contratação de consultores da iniciativa privada - alguns deles, o Instituto Florestan Fernandes, entidade ligada ao PT.  Atingida por esta última acusação do tucano, Marta protagonizou o seu melhor momento durante todo o “morno” debate.

 

“Contratei tudo que pudesse me ajudar”, disse Marta. Ela lembrou que técnicos do Instituto Florestan Fernandes já prestaram serviços de consultoria até para outras prefeituras do PSDB. A cidade, segundo ela, está totalmente diferente de quando ela assumiu, há três anos e meio. Serra acusara-a de não ter planejamento como prefeita. “Você [Serra] não tem propostas, a não ser continuar as minhas. Se não tivesse planejamento [na minha gestão], não teria o Bilhete Único, que agora você quer pegar carona nele”, rebateu. Ela ainda emendou dizendo que as propostas do tucano são “coladas e ampliadas” nos projetos implementados por ela. “É fácil falar, difícil foi fazer”. “Só fazer o que a Prefeitura [de São Paulo] não fez ou fez de errado, já preencheria um plano de governo para a próxima prefeitura”, retrucou Serra.

 

Além dessa passsagem, poucos foram os momentos em que houve, de fato, um debate sobre idéias e propostas para São Paulo. Marta não adotou uma postura ofensiva e procurou “federalizar” as discussões (leia também: ). Com isso, os candidatos “secundários” Paulo Maluf (PP) e Luiza Erundina (PSB) ganharam mais espaço. De longe o mais calejado dos concorrentes, Maluf desferiu “pontadas‘ em José Serra e distribuiu frases de efeito ao longo das mais de duas horas em que se desenrolou o debate.

 

Com termos como “juros pornográficos” e “histeria fiscal”, Maluf soltou o verbo para desancar a política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), “iniciada erm 1995, quando José Serra era o ministro do Planejamento”. Já Erundina estendeu a responsabilidade pelos problemas econômicos ao governo Lula. São Paulo, de acordo com ela,  precisa Influir nas decisões políticas. Na opinião da ex-prefeita de São Paulo, FHC, por oito anos, e Lula, nos dois primeiros anos de governo, são avalistas dessa política fiscal restritiva.

 

Pose de vítima

“Sofremos 2.028 comerciais de ataque à nossa candidatura. Cerca de três quartos, cerca de 1,5 mil, vindos da candidata Marta Suplicy, do PT”, disse Serra na coletiva de imprensa realizada na sala anexa ao estúdio onde se realizou o debate. “Foi um ataque massivo como provavelmente nunca houve em uma eleição aqui em São Paulo”.

 

Para ele, a Justiça repudiou esses ataques ao dar direito de resposta. “Não houve um direito de resposta em relação ao nosso programa. Mantivemos o nível”.

 

Partido de chegada

Para os petistas, as pesquisas divulgadas até agora mostram o fluxo das pessoas na cidade. “Existe uma população mais no fundo da Zona Leste no fundo da Zona Sul que é Marta. Quanto mais pobre, mais Marta. É lá que a Prefeitura foi decisiva. Os CEUs, a estrutura de transporte e o Renda Mínima. E essa população está subestimada pelos institutos de pesquisa pela dinâmica de fluxo. É uma população que se movimenta pouco na cidade e não aparece nos pontos de fluxo”, sustentou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), outro político que esteve presente no debate.

 

O parlamentar fez questão de ressaltar que “o PT é um partido de chegada”. “Nós estamos crescendo em quase todas as cidades e em quase todas as pesquisas no país todo. E no dia da eleição, nós temos muita força pela chegada da militância”.

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