Política

Comitê da Câmara dos EUA se opõe a acordo comercial com o Brasil

 

04/06/2020 13:38

Presidente do Comitê de Modos e Meios da Câmara dos EUA, Richard Neal (Yuri Gripas/Reuters)

Créditos da foto: Presidente do Comitê de Modos e Meios da Câmara dos EUA, Richard Neal (Yuri Gripas/Reuters)

 
WASHINGTON - O Comitê de Modos e Meios da Câmara dos EUA (Ways and Means Committee) disse, na quarta-feira (3/6), que se opõe ao plano do governo Trump de expandir os laços econômicos com o Brasil, dado seu histórico de direitos humanos e meio ambiente, sob o presidente Jair Bolsonaro.

O presidente do comitê, Richard Neal, e seus colegas democratas no painel disseram, em uma carta, ao representante comercial dos EUA Robert Lighthizer, que o governo de Bolsonaro havia demonstrado "um total desrespeito aos direitos humanos básicos".

“Nós nos opomos fortemente a perseguir qualquer tipo de acordo comercial com o governo Bolsonaro no Brasil. O aprimoramento do relacionamento econômico entre EUA e Brasil neste momento prejudicaria os esforços dos defensores brasileiros de direitos humanos, trabalhistas e ambientais para promover o estado de direito e proteger e preservar comunidades marginalizadas”, escreveram eles.

Autoridades comerciais dos EUA e do Brasil concordaram, no mês passado, em acelerar as negociações, com o objetivo de concluir, este ano, um acordo sobre regras comerciais e transparência, incluindo facilitação do comércio e "boas práticas regulatórias".

Mas os democratas no comitê disseram que o governo de Bolsonaro não pode estar credivelmente preparado para assumir novos padrões de direitos dos trabalhadores e proteções ambientais estabelecidos no acordo comercial EUA-México-Canadá, dado seu sofrível histórico em relação aos direitos humanos e outras questões importantes.

O representante Kevin Brady, o republicano no comitê, disse a repórteres que desconhecia a carta.

Em vez de buscar um acordo comercial com o Brasil, os legisladores democratas disseram que Lighthizer deveria intensificar a aplicação das leis dos EUA e levantar, com o governo brasileiro, as preocupações sobre as práticas comerciais desleais do Brasil.

O presidente dos EUA, Donald Trump, desenvolveu um relacionamento próximo a Bolsonaro, um direitista ex-capitão do exército. A Casa Branca disse na semana passada que os Estados Unidos forneceram ao Brasil 2 milhões de doses de hidroxicloroquina para uso contra o coronavírus, apesar das advertências médicas sobre os riscos associados a esse medicamento antimalária.

*Publicado originalmente em 'The New York Times' | Tradução de César Locatelli

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