Política

Condenado pelo mensalão, Pedro Henry já trabalha fora do presídio

O ex-deputado do PP conseguiu na tarde de quarta (8) autorização para trabalhar como coordenador administrativo do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá.

09/01/2014 00:00

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Créditos da foto: Arquivo


Brasília - Dos condenados pela ação penal 470, o ex-deputado Pedro Henry (PP-MT) foi o primeiro a conseguir autorização judicial para trabalhar fora do presídio. A decisão foi assinada na tarde de quarta (8) pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, Geraldo Fidélis, e na manhã desta quinta (9) ele já se apresentou para o trabalho como coordenador administrativo do Hospital Santa Rosa, um dos maiores da rede privada de Mato Grosso. Seu salário mensal será de R$ 7,5 mil.

Embora seja médico, Henry ficará responsável por trabalhos administrativos, como elaborar a escala da instituição. Ele não atenderá pacientes. Trabalhará de segunda a sexta, das 7h às 17h, e no sábado, de 7h às 14h. A autorização judicial, entretanto, libera o ex-deputado das 6h às 19h, o que o permitirá tomar banho e fazer refeições em casa. O restante do período terá que passar na prisão. Pela decisão, ele será monitorado por tornozeleira eletrônica e não poderá frequentar prostíbulos e casas de jogos, além de estar proibido de ingerir bebidas alcóolicas.

Henry cumpre pena de sete anos e quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Presidente do PP à época do escândalo do mensalão, foi condenado por receber R$ 3 milhões das agências de publicidade de Marcos Valério. Renunciou ao seu quinto mandato como deputado e se entregou à Polícia Federal de Brasília (DF) no dia 13 de dezembro, quase um mês após a prisão dos réus petistas, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado e ex-presidente do partido, José Genoíno. Suspeita-se que na ânsia de prender os réus mais “midiatizados” do processo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, quase se esqueceu de encaminhar a dele.

No dia 27/12, Henry foi transferido, conforme autorização de Barbosa, para a Penitenciária Central do Estado, a Polinter, em Cuiabá, capital de Mato Grosso, estado de sua residência. Ex-secretário de Saúde no atual mandato do governador Sinval Barbosa (PMDB), foi presidente da Companhia de Água e Esgoto na gestão do governador tucano Dante de Oliveira e também atuou na equipe do primeiro ano de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tem amigos influentes em todos os lados, inclusive no Judiciário: foi o único dos réus do “mensalão” absolvido pelo ministro mato-grossense Gilmar Mendes, o que mais pesou a mão na condenação dos demais, especialmente os petistas.

Agora, volta a mostrar sua força no setor: em pouco tempo conseguiu uma boa colocação no mercado e, o mais difícil, viabilizá-la judicialmente. Embora a medida seja legal e prevista em lei, outros condenados pela mesma ação não tiveram a mesma sorte: por pressão da mídia e do próprio judiciário, Dirceu acabou desistindo da vaga de gerente de hotel em Brasília, na qual receberia salário mensal de R$ 20 mil. Com o trabalho, Henry poderá reduzir sua pena em um terço e, se tudo correr bem, já estará livre da prisão no ano que vem.



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