Política

Conmebol confirma Copa América no Brasil, país com pior cenário da pandemia, buscando melhorar popularidade de Bolsonaro

Estatísticas mostram que o Brasil se aproxima de meio milhão de mortes por covid, mas receberá esta nova edição do torneio continental. Brasília utilizou um ministro militar na negociação, com o objetivo de transformar o evento em um trunfo para recuperar o prestigio do mandatário de ultradireita

31/05/2021 16:31

(Juan Mabromata/AFP)

Créditos da foto: (Juan Mabromata/AFP)

 
A Conmebol anunciou nesta segunda-feira (31/05) uma grande surpresa, que abalou o mundo do futebol e também a política sul-americana: a edição deste ano da Copa América finalmente será disputada no Brasil.

Embora a troca de anfitriões neste torneio fosse esperada, o fato de o Brasil ter sido o país escolhido gerou uma surpresa gigantesca, não só porque o país não era especulado como possível novo destino, mas principalmente pelo absurdo.

Inicialmente, a Copa América 2021 deveria ter acontecido na Argentina e na Colômbia. O país cafeeiro foi retirado da organização devido à revolta social que encurralou o governo de Iván Duque. Porém, no caso argentino, o problema se deve ao aumento do número de infecções e mortes pela segunda onda da pandemia de covid-19.

Por isso, não parece muito compreensível que a alternativa escolhida pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) seja o Brasil, o país da região com o pior cenário de pandemia, e o segundo pior do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos).

Afinal, isso significa que a Copa América acontecerá em um país que está perto de chegar a meio milhão de mortes por covid, além de registrar quase 2 mil novas vítimas diárias, e onde a vacinação tem sido mais lenta, devido a uma política sanitária negacionista por parte do governo Jair Bolsonaro, que questiona a eficácia das vacinas e que tem optado pela chamada “imunidade de rebanho”.

Para entender o porquê dessa decisão, é preciso dizer que, nos últimos dias, Brasília colocou as negociações para trazer o evento ao país como prioridade em sua agenda, por considerar que utilizá-lo politicamente seria uma boa estratégia para reconquistar o prestígio do presidente, cuja popularidade está em um de seus piores momentos.

O presidente brasileiro encarregou ao general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Casa Civil, a negociação com a Conmebol, que finalmente decidiu transferir o torneio para solo verde-amarelo.

Pesquisas recentes indicam que a popularidade de Bolsonaro caiu 6 pontos nas últimas semanas, chegando a 24% segundo pesquisa DataFolha publicada neste mês de maio, enquanto sua rejeição continua aumentando, situação que se tornou visível neste último final de semana, quando várias cidades brasileiras viveram grandes manifestações pedindo o seu impeachment, devido à sua responsabilidade pela má gestão econômica e sanitária do país nos últimos meses.

*Publicado originalmente em 'La Voz de los que sobran' | Tradução de Victor Farinelli



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