Política

Constituição é obrigatória para todos

Cúpula militar de extrema direita é um grave problema brasileiro

22/02/2021 12:14

Casa da Morte (Reprodução/bit.ly/3qKMQIj)

Créditos da foto: Casa da Morte (Reprodução/bit.ly/3qKMQIj)

 
O general Rocha Paiva é um dos prefaciadores do livro atribuído ao coronel Brilhante Ustra, livro em que se diz que não houve torturas durante a ditadura militar: uma compilação de relatórios dos órgãos de polícia política, os principais dos quais eram órgãos diretamente militares.

O tio do general Sérgio Etchegoyen, general Ciro Etchegoyen, foi o responsável pela Casa da Morte (foto), em Petrópolis: centro nazista de torturas e crimes contra a Humanidade, ainda mais clandestino que os próprios porões "oficiais" do DOI-Codi, que eram repartições militares oficiais.

O general Ciro Etchegoyen chegou a dizer que o único erro cometido em Petrópolis foi deixarem Inês Etienne Romeu (que fora prisioneira desse centro de horrores) ter saído de lá com vida.

Inês foi a única sobrevivente da Casa da Morte, e a denunciou corajosamente. Do contrário até hoje o país desconheceria a existência deste antro nazista.

A Casa da Morte, chamada de "o Codão" pelos terroristas militares por ela responsáveis, também tem o DNA do Exército: foi instalada e dirigida pelo Centro de Informações do Exército.

E estes assassinos eram pagos com o dinheiro do povo brasileiro, o nosso dinheiro público.

Rapapés aviltantes da Globo

Os generais Rocha Paiva e Sérgio Etchegoyen foram entrevistados em seguidas ocasiões pela Globo (rede aberta), Programa do Bial, e a GloboNews, já depois do golpe de Estado de 2016, e sempre tratados a rapapés, num espetáculo aviltante, como figuras a quem os jornalistas, os civis, todo o país, devem manter-se em estrita subordinação e admiração.

O general Sérgio Etchegoyen insurgiu-se contra a Comissão Nacional da Verdade, afetando indignação com a ligação constatada de parente seu às torturas e crimes contra a Humanidade.

Chegou a dizer numa entrevista, já depois do golpe, na Globo, que "as Forças Armadas sempre defenderam a democracia no Brasil", vergonhosamente sem ser contraditado.

Os generais Villas-Boas, Mourão, e Heleno são igualmente o que se sabe por seus contínuos e gorilescos atos e declarações.

É necessário que o país discuta a situação real dessa cúpula militar, desde há muito hegemonizada pela ideologia de extrema-direita, abertamente antidemocrática, inconstitucional, e com inequívoca (des)orientação fascista.

Não por acaso esses generais dão total respaldo ao governo extremista de direita de Bolsonaro. É preciso considerar esta realidade, um dos muito graves problemas brasileiros. O contrário do que em grande medida ocorre no meio político, civil, ou de estudos universitários, de se ter uma imagem completamente ilusória de tal cúpula militar: que estaria possivelmente aberta a uma pretensa constitucionalidade, e ilusões do gênero.

Não, esses generais assumem aberrantemente, sem, claro, nenhum mandato para isso, nem competência em qualquer sentido da palavra competência, a função de tutores do país, contra a democracia e o povo, na inqualificável pretensão de reduzir todos os outros brasileiros à minoridade cívica.

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