Política

Curso debate colapso da democracia e dá ferramentas para apontar perspectivas

 

18/08/2021 15:33

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Começa nesta quarta-feira (18) o curso “O colapso da democracia no Brasil: 5 anos após o golpe”. Transmitido de forma gratuita pela internet, a iniciativa da Editora Expressão Popular e da Fundação Rosa Luxemburgo busca dar ferramentas para análise de conjuntura e prospecção política em meio ao cenário conturbado que o Brasil foi lançado após o golpe de Estado de 2016.

O curso - dividido em três aulas, nos dias 18, 24 e 31 de agosto - será ministrado pelo cientista político Luís Felipe Miguel, autor do livro base do curso, e da cientista social e professora da UFABC Maria Caramez Carlotto.

Desde o golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, o Brasil não viveu mais um só dia de estabilidade política. Na sequência do impeachment, aconteceram as eleições de 2018 já em um cenário bastante conturbado, uma vez que o candidato que liderava as pesquisas, o ex-presidente Lula, foi impedido de concorrer ao pleito. E com Bolsonaro no poder, vemos o Brasil ser fatiado, devastado e vendido a preço de banana diariamente.

Segundo a professora Maria Carlotto, o desafio desta atividade é mostrar que a “academia tem se colocado como uma produtora de conhecimento e ao mesmo tempo um agente que atua na realidade disputando interpretações e narrativas”. Desta forma, o curso vai, não só ajudar os alunos a compreenderem o cenário político, mas também, dar ferramentas para que tenham condições de analisar e projetar o futuro, a partir da crise institucional em que vivemos.

"A nossa perspectiva é que o curso ajude não só os alunos a analisarem a crise democrática de uma perspectiva institucional, que é importante, mas entender o conflito entre as instituições, o que isso significa do ponto de vista jurídico-político. E também analisar de um ponto de vista sócio-político. Ou seja, como as forças sociais estão se organizando, o que está por trás, quem são os vencedores e os derrotados dos diferentes movimentos políticos, o que isso significa dentro de uma agenda de direitos do cotidiano das pessoas, do nível de desigualdade do país, dos modelos de desenvolvimento, dos interesses que mobilizam essas forças políticas que estão representadas de maneira desigual nessas instituições”, explica a professora, em entrevista à Carta Maior.

O curso integra a Série Emergências, um projeto que começou em 2019 e tem o objetivo de discutir a encruzilhada política do Brasil a partir de um ponto de vista sócio-político contra-hegemônico. De acordo com Maria Carlotto, a análise do professor Luís Felipe “desce um degrau e chega no conflito entre as forças sociais - isso para não falar no próprio conflito de classes, que afinal é disso que se trata”. A cátedra discorre sobre como a crise institucional vivenciada hoje vêm de longe: “mostra que desde o ensaio democrático entre 1945 e 1964 já havia uma intolerância muito grande a qualquer política que diminuísse os níveis abissais de desigualdade no Brasil. E é esse conflito entre a redução de desigualdades - que é um pressuposto da democracia porque é um governo de maioria - e uma resistência de setores sociais que concentram renda, que no fundo explicam, da perspectiva dele, e da minha também, a instabilidade que estamos vivendo. Então, no fundo, a instabilidade dessa perspectiva que a gente vai adotar no golpe, ela reflete a instabilidade institucional não uma disfunção das instituições, mas uma intensificação do conflito social que tem raízes históricas, e que se intensifica a partir da crise econômica de 2008”.

Diante das ameaças cada vez mais graves do presidente Bolsonaro contra os demais poderes - STF e Congresso -, o professor Luís Felipe explica que "a ameaça de fechamento autoritário é real e grave, o que dá força ao canto de sereia dos que querem afastar Bolsonaro, mas manter Guedes, por assim dizer: restaurar uma democracia liberal que, no entanto, seja impotente para resistir aos avanços do ultraliberalismo que retira direitos da classe trabalhadora, empobrece o povo e vende o país. É urgente o desafio de pensar a conjuntura na perspectiva do campo popular, tendo como horizonte a construção de um país menos injusto e menos violento”.

Os debates serão transmitidos de forma gratuita, a partir das 19h30, pelas redes sociais da editora Expressão Popular e da Fundação Rosa Luxemburgo. Também pela página no Facebook de Carta Maior e do MST.

Na esteira de atividades sobre os 5 anos do golpe contra Dilma, Carta Maior apresentará, em breve, um caderno especial sobre o tema, com a participação de especialistas, intelectuais, autoridades e professores. Entre eles, Carol Proner, Roberto Requião, José Dirceu, Flávio Tavares e Luiz Gonzaga Belluzzo.

Serviço

Curso: O colapso da democracia no Brasil: 5 anos após o golpe
Datas: 18, 24 e 31 de agosto
Horário: 19h30
Quanto: Gratuito
Onde: Transmissão pelas redes sociais da Expressão Popular e da Fundação Rosa Luxemburgo e pelo Facebook de Carta Maior e do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST)



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