Política

Delírios em tempos de cólera fascista

A empreitada golpista entrou na fase do tudo ou nada, promovendo uma fissura na sociedade e instilando ódio e intolerância entre os brasileiros.

21/03/2016 00:00

André Tambucci/ Fotos Públicas

Créditos da foto: André Tambucci/ Fotos Públicas

Os tempos que correm são de violência desferida contra a democracia, a ordem jurídica e o Estado Democrático de Direito. A ameaça de ruptura institucional através do golpe é tão assustadora quanto a narrativa que o banaliza e que naturaliza valores totalitários.
 
 
Nestes tempos coléricos, de grande exacerbação ideológica, o fanatismo, o ódio e a irracionalidade são propagados com perturbadora naturalidade. A razão é substituída pelo delírio, pela dislexia, por uma visão delirante e deturpada, em que crenças são forjadas para justificar o extermínio do outro – no caso, o extermínio do PT, do Lula, da Dilma.  
 
O processo de cassação de Eduardo Cunha se ampara em provas contundentes, porém está estacionado na Câmara dos Deputados. Quando anda, é em passos de tartaruga, para em seguida ser travado novamente com manobras regimentais apoiadas pelo PSDB, DEM, PPS, PTB, PMDB. Já o processo de impeachment da Presidente Dilma, instalado apesar da absoluta inexistência de fato determinado, tem um rito acelerado por este mesmo psicopata corrupto que preside a Câmara dos Deputados.  
 
A interceptação criminosa de conversas telefônicas da Presidente da República não foi condenada pelas altas autoridades do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário. Deveria ser tratada como caso de polícia, porém este crime de interceptação foi validado como peça do jogo político pelos chefes das instituições que deveriam velar a Constituição e as Leis.  
 
O conteúdo das gravações ilegais da Presidente da República, que jamais poderia ter sido divulgado, é, contudo, usado por alguns juízes da Suprema Corte – cuja coragem seletiva inexiste para condenar funcionários públicos que partidarizam o aparelho de Estado na cruzada contra inimigos ideológicos – para atacar o ex-Presidente Lula.  
 
A emissora oficial do golpe transmite ao vivo a movimentação golpista como se o país estivesse inteiro unido no golpe, mas invisibiliza a resistência democrática. Esta emissora se vitimiza quando a imensa maioria do povo, que não se reconhece nesta narrativa golpista, diz que não é bobo e pede “abaixo a Rede Globo”.  
 
O Ministro da Justiça defende a atuação da Polícia Federal como polícia Judiciária, de Estado, e é cinicamente atacado por aqueles mesmos que a partidarizam e que a convertem em uma Polícia Política, fascista, que atua para caçar e destruir inimigos ideológicos.
 
Quando se trata do PT, do Lula e da Dilma, os fatos não são o que são; porque os fatos são o que os justiceiros do condomínio juridico-midiatico-policial querem que eles sejam. Quando, entretanto, se trata do PSDB, do Aécio, FHC, Alckmin, Serra, o Brasil é transportado para uma realidade virtual de santidades puras, honestas, decentes ...
 
O condomínio jurídico-midiático-policial instrumentaliza a Operação Lava Jato e a investigação da corrupção – que deve ser feita com total radicalidade e identificando todos os corruptos, independentemente de filiação partidária – para desestabilizar o país, inviabilizar o governo e derrubar a Presidente Dilma.
 
A empreitada golpista entrou na fase do tudo ou nada, e seus sócios praticam o jogo do vale-tudo, distorcendo e mistificando a realidade e a verdade. Estão promovendo uma fissura na sociedade e instilando ódio e intolerância entre os brasileiros.
 
Disso não poderá resultar coisa boa. Os golpistas sabem que estão conduzindo o país para o caos; para um inferno de dimensões imponderáveis, porque o povo não aceitará nem um minuto de vigência de qualquer solução que não esteja prevista na Constituição Brasileira.



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