Política

Dilma deve formar dois núcleos de coordenação de governo

Nesta semana, Dilma já deve fazer reuniões com os partidos para discutir a coalizão que lhe dará sustentação no Congresso e formará sua equipe de ministros

03/11/2014 00:00

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Agenda política nacional de 3 a 8 de novembro de 2014


De retorno a Brasília, a presidenta Dilma Rousseff deve dar início à montagem de seu novo governo.

Sua primeira tarefa será a estruturação de seu núcleo de coordenação política, que deve ser composto pelos ministros da Casa Civil,de Relações Institucionais, da Secretaria-Geral e, possivelmente, do vice-presidente, Michel Temer, considerado peça-chave na interlocução com o PMDB.

Fazenda e Planejamento devem compor um segundo núcleo, junto com a Casa Civil, para a coordenação de governo.

O primeiro é o núcleo da governabilidade - feito para garantir que o novo governo tenha poder para estabelecer a agenda prioritária do País. O segundo é o núcleo da governança, responsável por "tocar a máquina" do governo.


Quem dá as cartas?

Nesta semana, Dilma já deve fazer reuniões com os partidos para discutir a coalizão que lhe dará sustentação no Congresso e formará sua equipe de ministros.

A tarefa imediata é conter a rebelião do PMDB e "discutir a relação" com o partido no âmbito do processo de definição de sua coalizão. Ao longo da semana, o vice-presidente deve reunir-se com as bancadas da Câmara e do Senado para acertar os ponteiros, principalmente com a banda mais arredia do partido.

A relação entre o PMDB e o governo sofreu abalos, logo na primeira semana, pela defecção precoce comandada pelo líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha - que, em Brasília, já tornou-se simbolicamente associado ao personagem Frank Underwood, o político capaz de qualquer coisa, da série "House of Cards".

Frank, ou melhor, Cunha preferiu colocar o carro na frente dos bois e já abrir, no dia seguinte ao segundo turno, a temporada de caça aos votos em favor de sua própria candidatura à presidência da Câmara com o mote de que a prioridade é derrotar o PT.

O PT terá a maior bancada na Câmara na legislatura de 2015-2018. A tradição é que o partido com a maior bancada preside a Casa. Mas quem disse que na "House of Cards" alguém liga para tradições?

O PT, por sua vez, reúne sua Executiva Nacional em Brasília. Na pauta, análise de conjuntura e perspectivas para o segundo mandato de Dilma, balanço da situação do partido nos estados e relação com os demais partidos da coalizão de governo.

O partido de Lula e Dilma quer definir seus nomes e sua linha de atuação no governo Dilma, acertar o tom de sua disputa com a oposição - inclusive em relação às vertentes mais reacionárias - e estabelecer suas principais iniciativas para a atual conjuntura.

PSDB, PSOL, PROS, PPS e outros devem, cada qual, também realizar reuniões de seus diretórios ou executivas entre esta e a próxima semana para fazer o balanço das eleições e definir sua postura no Congresso. Partidos como o PSB devem reunir suas bancadas parlamentares com o mesmo propósito.


TSE e o choro dos descontentes

Na terça, quando o Tribunal Superior Eleitoral se reunir, deverá ser dada resposta ao pedido do PSDB de auditoria das votações de  2° turno e das urnas eletrônicas.

O pedido já chegou desmoralizado ao Tribunal- entre membros do próprio TSE, em parte da imprensa, nas redes sociais (invocadas como "a fonte" de boatos que "justificou" o pedido tucano) e até mesmo entre alguns quadros do próprio PSDB, que consideram o pedido um mico desnecessário e um desgastes a mais para os derrotados.



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