Política

Disputa voto a voto para definir o segundo turno no PT

22/09/2005 00:00

O processo de apuração de votos do Processo de Eleições Diretas (PED) do PT está se transformando em um verdadeiro teste para cardíacos. A disputa pelo segundo lugar entre os candidatos Valter Pomar, da Articulação de Esquerda (AE), e Raul Pont, da Democracia Socialista (DS), deve ser definida somente nas urnas finais e a diferença entre eles deve ser muito pequena. A Comissão Eleitoral do PT divulgou, no início da noite de quinta (22), o quinto boletim com os resultados parciais das eleições internas para presidente e chapas nacionais. A diferença entre Pomar e Pont agora é de 877 votos a favor do primeiro, faltando ainda cerca de 5 mil votos a apurar.

 

Até às 18 horas de quinta-feira, foram totalizados 304.914 votos, provenientes de 3.381 municípios, em 27 estados brasileiros. O candidato do Campo Majoritário, Ricardo Berzoini, mantém a liderança com 120.287 votos (42,3%). Pomar permanece em segundo, com 42.196 votos (14,8%), seguido por Raul Pont, com 41.319 (14,5%). Em quarto, aparece Plínio de Arruda Sampaio, com 37.731 (13,3%). Depois, seguem-se: Maria do Rosário, com 37.216 (13.1%); Markus Sokol, com 3.869 (1,4%); e Gegê, com 1.905 (0,7%). Com base nestes números, a Comissão Eleitoral prevê que cerca de 310 mil petistas tenham comparecido às urnas no dia 18 de setembro.

 

Já para as chapas que disputam o Diretório Nacional do partido, foram apurados 303.203 votos. A chapa do Campo Majoritário, “Construindo o Novo Brasil”, segue na frente com 113.434 votos (42,2%). Em seguida, praticamente empatadas, aparecem “A Esperança é Vermelha”, da Articulação de Esquerda, com 32.089 votos; e “Coragem de Mudar”, da Democracia Socialista, com 32.074. Percentualmente, não há diferença entre elas: 11,9% cada. Depois, seguem as chapas “Movimento”, do Movimento PT, com 30.606 votos (11,4%); “Esperança Militante”, da Ação Popular Socialista, com 24.642 (9,2%); “Socialismo e Democracia”, do PT de Lula e de Massas, com 15.898 (5,9%); “O Partido que Muda o Brasil”, com 7.916 (2,9%); “Terra, Trabalho e Soberania”, da tendência O Trabalho, com 5.247 (2%); “Movimento Popular”, com 4.770 (1,8%); e “O Brasil Agarra Você”, com 2.165 (0.8%).

 

Os petistas deverão ter que esperar até segunda-feira para saber o resultado final. Segundo informações da Comissão Eleitoral Nacional, nesta sexta deve ser divulgado um novo boletim parcial. Na reta final da apuração, diz a Comissão, há uma maior lentidão no envio dos dados por parte dos estados de Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Tocantins. Minas e Bahia, pelo tamanho de seus colégios eleitorais, devem definir o resultado final da disputa entre Pont e Pomar. É nestes dois estados que a coordenação da campanha de Pont espera chegar ao segundo lugar. O site da candidatura do deputado gaúcho informava quinta à noite que os votos dos petistas baianos e mineiros devem definir um resultado favorável a ele. Já o site de Pomar, até o fechamento desta matéria, não apresentava nenhuma projeção sobre o resultado final.

 

O futuro do Campo Majoritário

Apesar de ter perdido espaço na composição do Diretório Nacional, o Campo Majoritário poderá manter o controle do partido, dependendo de alianças com setores moderados petistas. Esse quadro motivou, nesta quinta, uma crítica do empresário Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e ex-assessor do presidente Lula. Grajew, que apoiou Plínio de Arruda Sampaio na eleição interna, disse, em Buenos Aires, que o PT vai pagar caro por manter o Campo Majoritário no comando do partido. Segundo ele, “as pessoas vão sentir que a direção foi tão bem, que merece ser reeleita e que o PT premiou a direção com um novo mandato”, apesar de todas as denúncias que atingiram alguns de seus mais importantes dirigentes. O empresário sugeriu ao presidente Lula tirar as lições devidas dessa crise e usar o resto do mandato para fazer uma grande reforma política no país.


O futuro do Campo Majoritário e a definição do tamanho do seu poder dentro do partido dependerá, em parte, das possíveis alianças com setores moderados e também do desenrolar do segundo turno da disputa interna. Seja como for, o grupo sofreu algumas derrotas importantes. No Mato Grosso, por exemplo, após 23 anos no poder, foi derrotado na eleição para o Diretório Estadual. A senadora Serys Slhessarenko, do Movimento PT, obteve 53,1% dos votos, derrotando o candidato do Campo Majoritário, Ságuas Moraes. O mesmo ocorreu na eleição para o Diretório Municipal de Cuaibá. No Rio Grande do Sul, a esquerda partidária se unificou em torno do nome de Olívio Dutra, que acabou sendo eleito presidente estadual do partido com mais de 83% dos votos. No Rio de Janeiro, outro importante colégio eleitoral, a direção estadual do partido será definida em um segundo turno entre candidatos do Campo Majoritário e do Movimento PT.


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