Política

Em Paris, um calendário de debates e até show pela liberdade de Lula

O comitê parisiense de solidariedade a Lula, além de ser extremamente ativo logrou juntar forças políticas francesas, associativas e também latino-americanas

10/07/2018 09:47

 
É com imensa satisfação que li no Diário do Centro do Mundo a carta que o Sr. Celso Amorim escreveu ao ex-presidente Lula, tornando público o quanto foi  produtiva a recente  viagem pela França.

Incontestável o valor de ter encontrado personalidades como os ex-chanceleres Dominique de Villepin e Hubert Védrine, para não citar mais  que dois; além de contatos com partidos amigos do PT, com os quais temos relações formais.

Lamento somente o fato que o Comitê  parisiense de Solidariedade a Lula e à Democracia brasileira não foi citado no rol dos encontros, tendo em vista que seria importante destacar o papel da militância organizada, e que neste caso é encabeçada pela militância petista.

O comitê foi impulsionado pelo núcleo do PT, no dia 6 de abril de 2018 com a presença do companheiro Luiz Dulci, e desde então temos programado um evento  atrás do outro.

O comitê parisiense de solidariedade a Lula, além de ser extremamente ativo logrou juntar forças políticas francesas, associativas e também latino-americanas.

Na origem temos o núcleo do PT, seguida da adesão do PCF, da França Insubmissa, do Partido Operário Independente, da Fundação Jean Jaurès, do Coletivo Alerta França Brasil, do Comitê Internacional pela Anulação do Impeachment, da Associação França-Cuba, da Associação France América Latina, da Associação ACAF ( Assembleia dos Cidadãos Argentinos residentes na França), do Coletivo de Equatorianos Revolucionários (próximos de Rafael Correa, de quem estamos organizando a vinda a Paris, no mês de agosto, para conferência).

Desde a fundação do comitê parisiense, no dia 6 de abril, com sala cheia, temos seguido uma  agenda intensa e  com publico cativo. Dia 8 de abril organizamos uma manifestação na praça da República com mais de 200 pessoas ( com o Atlântico a separar a França do Brasil, esta quantidade de participantes é mais do que louvável); dia 16 um debate com a presença do Embaixador da Venezuela na França, para tratar da questão geopolítica do golpe brasileiro e a relação que existe com este pais;  dia 23 uma manifestação nas imediações da Embaixada brasileira, com a intervenção dos Responsáveis de Relações Internacionais dos partidos franceses que integram o comitê; Dia 1 de maio desfilamos no tradicional cortejo do dia do trabalho, junto com latino-americanos, dia 2 de maio houve um encontro com um ex-ministro próximo de François Hollande e atualmente deputado, Sthephane Le Foll, (que desde então vem intervindo junto ao PSF e  partidos socialistas europeus); dia 3 de maio debate com Markus Sokol; dia 12 de maio debate com  Fréderic Boccara, do grupo de Economistes Atterrés e Jean Jacques Kourliandsky da fundação Jean Jaurès, sobre os limites que existem entre o neoliberalismo e a democracia;  dia 1 de junho um debate com Rui Costa Pimenta; dia 13 de junho debate com Eric Fassin e Roxane Otro Correo  para tratar da questão de gênero  sob um Estado de exceção com o avanço neoliberal. 

Além desses eventos e encontros, foram dadas entrevistas, para a imprensa escrita e radiofônica , além de ter sido   criado um site https://liberezlula.org

Convém destacar que desde o dia 24 de junho obtivemos a adesão de Jean Ziegler, vice-presidente do Conselho Consultivo de Direitos Humanos da ONU, que não somente integra o comitê, mas de passagem por Paris para o lançamento de um filme autobiográfico, por duas oportunidades deu espaço à militância para apresentar o Comitê parisiense, para em seguida enfatizar junto ao público presente a importância de tal iniciativa, incitando a todos a participar.

O encadeamento de ações é incessante, temos na pauta uma manifestação no próximo dia 9 de julho par questionar o judiciário brasileiro e incitar o judiciário francês a se unir a nossa causa, e no dia 11 de julho um concerto “Lula Libre” na prestigiosa sala de espetáculos, de 460 lugares, o Cabaret Sauvage.

Sem querer ser exaustiva, acho importante enumerar estas ações e  atividades, tendo em vista que a militância não dispõe de nenhum recurso financeiro. 

Um simples cartaz, faixa, bandeirola, broches, espaço para eventos ( em Paris, em geral nenhum espaço, mesmo quando pago, se consegue sem muita antecedência), confecção de um logotipo ou site,  material a ser distribuído, nfletos, contamos somente com a força de convicção e a abnegação dos militantes para que tudo se torne realidade.

Então, por tudo isto me permito  destacar o papel da militância organizada, tanto quanto o de personalidades e dos encontros com partidos, pois ao meu entender a médio e longo prazo será visível que constituímos a espinha dorsal da mobilização.  

E se não formos reconhecidos corre-se o risco do abandono da luta.

A gravidade da situação brasileira  demonstra o quanto é imperiosa a ação  dos movimentos organizados, tendo em vista que já entendemos que a resposta não virá do judiciário ou do parlamento que estão comprometidos com o golpe desde 2016.

Saúdo a disponibilidade do Embaixador Amorim , que no  último dia 15 de junho, nos jardins do Museu Rodin,  encontrou representantes das forças do Comitê parisiense . Encontro bucólico e produtivo que veio legitimar através das trocas e fotos, pela  força do simbolismo  de sua presença por  ser o presidente de Honra dos Comitês Internacionais, que a nossa caminhada avança no bom sentido. 

E  termino reinterando o nosso total compromisso e mobilização para que seja audível na França que Lula além de ser inocente, deve ser libertado e ser nosso candidato à presidência  da República.

Carla Orlandina Sanfelici, membro do
Comitê de Solidariedade a Lula e à Democracia Brasileira, filiada e militante do PT




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