Política

Em Porto Alegre, Congresso apresentou políticas que salvam vidas

21/09/2012 00:00

Marco Aurélio Weissheimer

Porto Alegre - O setor público no Brasil costuma ser alvo de recorrentes denúncias e críticas por parte dos chamados formadores de opinião nos meios de comunicação. Os estereótipos são bem conhecidos: o Estado é perdulário, gasta mal e não sabe gerir, os funcionários públicos são lentos e preguiçosos, e por aí vai. A modernidade residiria no mercado e na iniciativa privada. Embora algumas dessas críticas possam ter maior ou menor fundamento, dependendo do caso, essas afirmações não vêm acompanhadas de provas e, muitas vezes, contrariam as evidências. Além dessas críticas mescladas com fortes preconceitos e carga ideológica, o setor público também sofre com a invisibilidade midiática. Diariamente, políticas públicas estão sendo implementadas nas mais diferentes áreas contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e, muitas vezes, salvando vidas.

Um exemplo disso ocorre no trânsito. O Congresso Internacional de Trânsito, promovido pelo Departamento de Trânsito do Estado do Rio Grande do Sul (Detran-RS), de 17 a 19 de julho deste ano, trouxe a Porto Alegre várias experiências de políticas públicas que vêm sendo implementadas no Brasil e em outros países. Políticas que vem salvando vidas da verdadeira carnificina que assola as estradas e as ruas de nossas cidades. Há grandes méritos nesta iniciativa do Detran gaúcho que, até bem pouco tempo, frequentou as páginas policiais do noticiário. Passada a tormenta, o novo Detran mostra que fazer política pública de qualidade é algo que melhora a vida das pessoas. Como disse o governador Tarso Genro, ao saudar os participantes do Congresso, os governos precisam saber fundir o dia-a-dia das pessoas com a história, precisam aprender que de nada adianta implementar grandes projetos estratégicos se não cuidarmos do cotidiano das pessoas.

E o trânsito é uma das coisas que mais diz respeito ao cotidiano da população em nossas cidades. O setor privado e o mercado se encarregam de produzir e vender automóveis. Cabe ao setor público encontrar alternativas urbanísticas para evitar que as cidades se tornem intransitáveis, o que já acontece em muitos casos. Cabe ao setor público também desenvolver alternativas de transporte público de qualidade. Tudo isso requer tempo, inteligência acumulada e recursos para investir.

Infelizmente, as ações governamentais nesta direção, como é o caso do Congresso Internacional de Trânsito, não tem a visibilidade midiática necessária para que a população tenha acesso a esses debates e às experiências bem sucedidas que já são realidades em várias partes do mundo.

Experiências como a da Transport Accident Comission (TAC), órgão governamental de prevenção de acidentes e educação no trânsito do estado de Vitória, na Austrália. A TAC tornou-se mundialmente conhecida por seus anúncios publicitários hiper-realistas destinados à prevenção de acidentes. A diretora executiva da TAC, Janet Dore, veio a Porto Alegre fazer uma conferência cujo tema é: "Conte a verdade, mostre a realidade" 20 anos de campanhas públicas de segurança?. As campanhas publicitárias nuas e cruas da agência contribuíram para reduzir pela metade os acidentes de trânsito no Estado de Vitória, o segundo mais populoso da Austrália, nos últimos 12 anos. Quem vê os comerciais logo entende o porquê dessa expressiva queda. Um exemplo clássico de política pública que salva vidas.

Outros exemplos, locais, são os programas Balada Segura e Viagem Segura. O diretor-presidente do Detran gaúcho, Alessandro Barcellos, apresentou com justificado orgulho os primeiros resultados dessas operações que já reduziram o índice de vítimas fatais no Estado. Somente no último feriadode Páscoa, que costuma deixar muitas famílias enlutadas, a redução foi de 46% em relação ao ano anterior. E são programas relativamente baratos, considerando o seu retorno em vidas salvas e recursos economizados. É possível e necessário fazer política pública de qualidade. A prova disso está aí, para quem quiser ver.


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