Política

Foro de São Paulo: unidade do campo popular para organizar a luta

Enquanto houver injustiças, haverá revoluções

18/07/2018 16:38

 

 
 
Por Elmer Pineda dos Santos
 
A Declaração Final do 24º Encontro do Foro de São Paulo estabelece como objetivo primordial a defesa da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o rechaço ao papel intervencionista da Organização dos Estados Americanos (OEA) – além da “inaceitável submissão” da secretaria geral deste organismo aos interesses da Casa Branca.

Os mais de 400 delegados de partidos e movimentos políticos de esquerda e populares de toda América Latina que assistiram a esta nova edição do encontro do Foro de São Paulo, que se desenvolveu durante três dias em Havana, capital de Cuba, debateram temas relacionados à ofensiva da direita regional nos últimos tempos e as estratégias e articulações que a esquerda deve construir, em áreas tão diversas como a comunicação, a formação política e as próprias políticas para enfrentar a hegemonia estadunidense no continente.

O ex-presidente cubano Raúl Castro Ruz, esteve presente na última jornada do encontro, nesta terça-feira (17/7), junto com o atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, da Bolívia, Evo Morales, e de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén; além de muitos ex-primeiros-ministros, e ex-presidentes e ex-chanceleres da região.

A Declaração Final traça um panorama da situação regional desde 2015 – incluindo o golpe parlamentar e judicial contra Dilma Rousseff no Brasil, a derrota eleitoral de Cristina Fernández de Kirchner na Argentina, a perseguição político-judiciária que sofrem as duas ex-presidentas, e sobretudo os ex-presidentes Rafael Correa, do Equador, e Lula da Silva –, destacando que “a história mostra que quando há direção política decidida e capaz, objetivos claros de luta e moral de combate, e também o apoio das massas,  se multiplicam as possibilidades de conter qualquer ofensiva contrarrevolucionária e neoliberal”.

Enquanto houver injustiças, haverá revoluções.

DECLARAÇÃO

– A América Latina vive uma contraofensiva reacionária da direita e das classes dominantes da nossa região.

– Esta contraofensiva já conseguiu impor retrocessos às forças progressistas.

– Existe uma estratégia de fomento à judicialização da política, e a desqualificação dos principais líderes da esquerda.

– A atuação da direita tem relação direta com a natureza expansionista do capitalismo.

– Entre o último encontro, ocorrido em 2017, em Manágua, os efeitos negativos da concentração da propriedade se aprofundaram a nível global.

– Estas realidades se agravam, devido à tendência agressiva da administração de Donald Trump nos Estados Unidos, que atenta contra a declaração da América Latina e do Caribe como zona de paz.

– Os Estados Unidos e seus aliados necessitam consolidar a visão de que a região entrou numa etapa de retrocessos a favor do capitalismo.

– Rechaçamos a ideia do “fim do ciclo progressista na América Latina” com a mesma firmeza com a que, em seu momento, o fizemos com a declaração do “fim da História”.

– Fazemos um chamado a favor da unidade da esquerda e do campo popular em todo o continente, para organizar a luta.

– Devemos preservar as experiências dos governos populares e anti-imperialistas

– Estimular os esforços emancipadores e anticapitalista dos movimentos sociais.

– Realizar esforços para a integração soberana da Nossa América, para que este princípio, e mesmo esses esforços, sejam um imperativo para a esquerda.

– Os partidos políticos membros chegam ao encontro com uma bagagem política superior, que se vê multiplicada pela ação articuladora do Foro e a plena consciência da impossibilidade do capitalismo de oferecer alternativas à humanidade.

– Existem suficientes exemplos na história da América Latina e do Caribe que demonstram que quando há unidade e apoio das classes populares se multiplicam as possibilidades para conter qualquer ofensiva contrarrevolucionária, e vencê-la.

– Rechaçamos as políticas anti-imigração, em especial as que se aplicam nos Estados Unidos, por parte da administração de Trump.

– Apoiamos as exigências dos pequenos estados insulares do Caribe para serem compensados pelos danos causados pela escravidão.

– Apoiamos o levantamento incondicional do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba e a indenização ao povo cubano pelos danos e prejuízos causados por mais de meio século de agressões de todo tipo.

– Exigimos a devolução ao povo de Cuba do território ocupado ilegalmente em Guantánamo, pela Base Naval dos Estados Unidos.

– Exigimos a eliminação das bases militares dos Estados Unidos na região (77 em total).

– Exigimos a liberdade imediata do ex-presidente brasileiro Lula da Silva, e defendemos a consigna: “Lula livre, Lula inocente, Lula presidente”.

Plano de ação do Foro de São Paulo

Até o 25º Encontro do Foro de São Paulo, a edição de Havana propõe, entre outras ações:

– Exigir a liberdade imediata de Lula da Silva e dar início a uma campanha internacional com este fim.

– Iniciar, no mês de setembro, uma campanha contra a perseguição política dos líderes populares da América Latina e do Caribe.

– Defender a América Latina e o Caribe como zona de paz. Participar como observador do processo de paz na Colômbia.

– Fundar uma rede de escolas de formação política.

– Reforçar a política comunicacional dos partidos membros.
 
Elmer Pineda dos Santos é jornalista cubano associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)
www.estrategia.la



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