Política

Governo vence oposição: Aldo é o novo presidente da Câmara

28/09/2005 00:00

Brasília - O governo Lula tem novamente o controle sobre o andamento das coisas na Câmara dos Deputados. O ex-ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi eleito na noite desta quarta-feira (28) presidente da Câmara após uma acirrada disputa com o candidato apoiado por PFL e PSDB, José Thomaz Nonô (PFL-AL), que atualmente ocupa a vice-presidência. Em segundo turno de votação, Aldo obteve 258 votos contra 243 votos de Nonô. Ao todo, votaram 509 deputados, incluindo os seis votos em branco e os dois votos nulos. “A disputa eleitoral, democrática como foi, mostrou que essa casa é livre. Devemos agora receber o desafio de restaurar a confiança do povo brasileiro nesta instituição”, disse Aldo em seu discurso de posse.

A vitória de Aldo Rebelo começou a se desenhar logo após a conclusão do primeiro turno, quando governo e oposição partiram em busca da conquista dos apoios dos deputados que votaram em Ciro Nogueira (PP-PI), Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) e Alceu Collares (PDT-RS). O ânimo do governo foi crescendo, e o da oposição diminuindo, na medida em que a maioria dos deputados de PP e PTB anunciava apoio a Aldo.

Após reunião de sua bancada, o PP foi o primeiro a comunicar oficialmente o apoio ao candidato governista. “Acredito que a maioria dos deputados que votaram em mim votarão no Aldo. Existem divergências, mas elas são menores”, disse Nogueira. Minutos depois, foi a vez de o PTB reunir sua bancada e definir apoio a Aldo. Dos 35 deputados petebistas presentes à reunião da bancada, 28 optaram pelo apoio ao candidato governista e sete preferiram votar em José Thomaz Nonô. Entre os deputados do PTB que optaram por Nonô estaria o próprio Fleury, mas este não confirmou sua opção. “O voto é secreto”, despistou.

Foi com a probabilidade da vitória de Aldo que os dois adversários partiram para o derradeiro duelo ao microfone. Nonô incitou os deputados a não acatarem os acordos feitos pelos líderes dos partidos com o governo e repetiu quatro vezes que “o voto é secreto”. “Meus colegas, agora é chegada a hora de dar o troco. Dêem a resposta a quem tanto lhes maltratou nesses dois anos e meio de governo”, disse. Nonô fez apelos de voto ao PTB, ao PP e até mesmo ao PSOL e afirmou que a Câmara seria mais independente com ele do que com Aldo. “Eu não tenho chefes para prestar contas. Meus chefes são os 512 deputados”, disse.

Aldo, por sua vez, procurou rechaçar as insinuações de que o governo estaria comprando deputados com a liberação de verbas para emendas parlamentares em troca do apoio ao seu nome. “Aqui nesta casa passei 14 anos como deputado da oposição e agora estou há dois anos e meio como deputado do governo. Os que aqui estão sabem que, em todo esse tempo, sempre respeitei todos os deputados, pois sempre soube que, acima do governo e da oposição, está o país, está o povo”, disse. Já falando como virtual presidente da Câmara, Aldo prometeu que vai tratar a todos os partidos com isonomia, como fez “mesmo quando estava no Executivo”. Ele também pregou o entendimento. “Quero promover o diálogo e a pacificação dos espíritos”, disse.

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