Política

Haiti, Venezuela, segurança e energia: temas de Powell no país

06/10/2004 00:00

Brasília e São Paulo - O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, finalizou nesta quarta-feira (6) sua visita ao Brasil. A passagem de Powell foi marcada pelo encontro de 1h20 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguida por uma reunião com o chanceler Celso Amorim. Os dois deram uma coletiva de imprensa logo após o encontro e responderam às perguntas dos jornalistas.

A questão mais abordada pelos jornalistas referiu-se ao programa nuclear brasileiro e o debate sobre inspeções entre o país e a Agência Internacional de Energia Atômica. Para Powell, os EUA não vêem com preocupação o desenvolvimento da tecnologia brasileira de enriquecimento de urânio e não há porque comparar o país à Coréia do Norte e ao Irã. Surpreso com a quantidade de perguntas sobre essa pauta, Powell afirmou aos jornalistas que esse foi um dos temas secundários de seu encontro com Amorim. 

Conforme o relato de Powell, a situação no Haiti teve bastante destaque na conversa entre ele e Amorim. A posição brasileira defende que o apoio norte-americano deve ocorrer não somente no âmbito financeiro e militar, mas principalmente em "desburocratizar o processo para que as ajudas ao povo haitiano cheguem rapidamente" ao país. O governo brasileiro aguarda US$ 1 bilhão a serem destinados aos haitianos por diversos países. Powell se prontificou a acelerar o cronograma de envio de tropas e elogiou a postura brasileira e as medidas tomadas pelo país na liderança dos 2,7 mil soldados de diversas nações que servem no Haiti. 

Em relação à reforma da ONU, Powell repetiu que o Brasil é um forte candidato a um assento permanente no Conselho de Segurança. Contudo, o chanceler Amorim ressaltou que ainda não foi feito nenhum apoio formal. Na terça (5), Powell já havia dito que os EUA "não pensam" em apoiar nomes antes dos resultados do painel formado pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para discutir as reformas na organização, entre eles a eventual ampliação dos assentos permanentes do Conselho.

Alguns analistas políticos afirmam que os Estados Unidos possuem interesse em compartilhar responsabilidades políticas com o Brasil no âmbito da segurança internacional. A visita de Powell deve resultar na criação de uma agenda comum visando a cooperação bilateral nesse campo. 

O representante norte-americano também discutiu com Amorim a conjuntura política na Venezuela, depois do referendo que manteve Hugo Chávez na Presidência. Nesse tema, o Brasil pode ter um papel importante de reaproximar as diplomacias dos EUA e da Venezuela, estremecidas desde o frustrado golpe de Estado de abril de 2002.


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