Política

Internet consegue mobilizar pelo 'não' mas tem de ajudar a construir

25/01/2012 00:00

Porto Alegre – A internet tem capacidade de mobilização política do cidadão comum, como se viu em manifestações no ano passado, como a Primavera Árabe, o Ocuppy Wall Street e o Ocuppy London. Mas ainda serve mais para unir as pessoas em torno de movimentos de resistência, do que para juntá-las em favor de propostas que influenciem decisões de espaços institucionais tradicionais. Superar isso é um grande desafio aos internautas ativistas.

A avaliação foi compartilhada por alguns participantes de debate sobre internet e direitos humanos realizado nesta quarta-feira (25) pela Associação Software Livre, durante o Fórum Social Temático.

Para o cientista político Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “há uma cumplicidade mercado-Estado” em muitos países que a internet ajuda a quebrar.

Por meio da rede, é possível às pessoas apresentarem visão diferente sobre fatos que são retratados de outra forma pelo atores institucionais convencionais, como governo e imprensa. Ou para chamar a atenção para fatos que não são abordados pela mídia tradicional, como o lançamento do livro-denúncia A Privataria Tucana.

Mas, segundo o professor, esse furo de bloqueio ainda é uma ação em construção. "Essa é uma nova esfera [pública] que precisamos inventar”, disse.

Para Antonio Martins, que se define como “pós-jornalista”, uma explicação para a dificuldade de a internet ser mais construtiva é que seria mais fácil aglutinar em torno de um “não”, porque o inimigo comum estaria claramente definido. “Como diz o Caetano Veloso, às vezes é preciso ter coragem para dizer 'sim'”, afirmou.

Um dos ativistas políticos mais atuantes e populares da internet, Marcelo Branco, que participou de parte da campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff, acha que o poder mobilizador do “não” ficou evidente na Primavera Árabe. Pessoas foram derrubadas, mas no geral as instituições continuaram as mesmas. “[A internet] É um instrumento de revolta, não de governança”, disse.

Na opinião de Antonio Martins, um caminho possível para usar a favor do “sim” o poder mobilizador da internet seria lançar movimentos de defesa de propostas específicas. Por exemplo: o financiamento público de campanhas, em substituição às doações privadas para candidatos, situação que costuma pavimentar a corrupção.

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