Política

Lula na ONU: “Humanidade está perdendo a luta pela paz”

21/09/2004 00:00

Radiobrás

Créditos da foto: Radiobrás

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o mundo possui condições científicas e produtivas para superar os desafios econômicos. Segundo o presidente, os líderes mundiais precisam ser mais ousados. “O que mais se necessita hoje é de audácia na experimentação. O que mais se deve temer é o próprio medo. Não se trata da audácia do instinto, mas da coragem política sem voluntarismo irresponsável, mas com ousadia e capacidade de reformar”. Lula participou da abertura da 59ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na sede da organização, em Nova York, nos Estados Unidos. Como acontece desde 1946, o presidente brasileiro foi o primeiro a discursar na reunião.

Em seu discurso, o presidente afirmou que “a humanidade está perdendo a luta pela paz”. O presidente também defendeu mudanças nas formas de crescimento global e a criação de organismos internacionais democráticos, que atendam as necessidades e desejos de todos. “O caminho da paz duradoura passa, necessariamente, por uma nova ordem internacional que garanta oportunidades reais de progresso econômico e social para todos os países”, ressaltou Lula. Em declarações feitas na segunda (20), Lula já havia defendido a taxação das transações financeiras internacionais e o comércio de armas pesadas, como forma de combater a fome e a miséria no mundo. Disse ainda que a pobreza "é a mais destrutiva das armas de destruição em massa".

As propostas do governo brasileiro, apoiadas pelos líderes francês, Jacques Chirac, espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, chileno, Ricardo Lagos, e do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foram criticadas pela ministra da Agricultura dos Estados Unidos, Ann Veneman, criticou a proposta brasileira de combate à fome sugerida pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Ann Veneman qualificou as medidas propostas como "irrealistas e antidemocráticas", e ressaltou que a implementação de impostos globais "é impossível".

De acordo com a ministra norte-americana, o relatório que o Brasil, Chile, França e Espanha apresentaram dá "ênfase demasiada" nessas taxas. Após as críticas de Veneman, em entrevistas concedidas, Lula afirmou que a iniciativa, já assinada por 110 países, ainda está aberta a sugestões. O governante brasileiro insistiu que a fome deve ser tratada como um problema político, e as soluções devem ser encontradas entre todos os países.

Por sua parte, o presidente francês respondeu às críticas da ministra norte-americana dizendo que os Estados Unidos, por mais forte que sejam, não têm como fazer uma resistência durável aos 110 países que apóiam o empreendimento. Chirac também pediu ao G-8 (grupo das sete nações mais ricas e a Rússia) para que as propostas de combate à fome presentes no relatório sejam assumidas por seus governos. O premier espanhol se dispôs a aumentar a Assistência Oficial de Desenvolvimento (AOD) até 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta estabelecida pela ONU, de 0,7% do PIB, seria alcançada caso "o povo espanhol me confera um segundo mandato", prometeu Zapatero.


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