Política

Lula vai aos sem-terra para reafirmar compromisso

Lula vai aos sem-terra para reafirmar compromisso

21/11/2003 00:00

Brasília - Com um discurso emocionado, no qual reafirmou o
compromisso com a reforma agrária, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
selou a sua visita ao acampamento do Fórum Nacional pela Reforma Agrária.
"Só sou presidente da República por quatro anos, mas quero morrer defendendo
a reforma agrária neste país, sendo ou não governo", disse. O encontro
ocorreu na manhã desta sexta-feira (21), no pavilhão de convenções do Parque
da Cidade, e foi marcado por cenas de tietagem explícita - o presidente
distribuiu beijos em crianças, autógrafos, apertos de mão e abraços.

Lula foi recebido pelos cerca de 2.500 trabalhadores sem-terra que
marcharam de Goiânia a Brasília para reivindicar a aprovação do Plano
Nacional de Reforma Agrária, com o grito de guerra que o acompanha desde a
eleição de 1989: "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula". "Eu não poderia, no
primeiro ano que sou presidente, deixar de participar de um encontro como
esse, já que participei de quase todos os outros", explicou, logo depois de
ser chamado a falar pelo coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra, João Paulo Rodrigues.

Até ontem à noite, porém, não havia confirmação de que os manifestantes se
encontrariam com o presidente. Ao sair de uma reunião com os ministros
Luiz Dulci (Secretaria Geral) - que durante toda a semana coordenou as
negociações com os movimentos em nome do núcleo do governo -, José Dirceu
(Casa Civil) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), finalizada por
volta das 23 horas de quinta, as lideranças do Fórum - entre elas João Pedro
Stédile, do MST, e Manoel José dos Santos, da Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Agricultura (Contag) - informavam que apenas uma comitiva
seria recebida por Lula. Segundo um assessor da Secretaria Geral, foi o
próprio presidente quem decidiu ir ao acampamento.

"Nós iremos fazer a reforma agrária. Podem ter certeza disso. Ela vai ser
feita, com a objetividade necessária, dentro das nossas possibilidades,
dando prioridade àqueles que estão mais necessitados", reafirmou. Em seu
discurso, o presidente pediu paciência, reiteradas vezes. "Eu quero pedir
àqueles que têm mais pressa, que são mais nervosos, que se um dia tiverem
que me julgar pela nossa relação de amizade, eu peço a vocês: deixem para me
julgar no final do meu governo. Não julguem precipitadamente porque a gente
pode cometer erros ou precipitação". Também aproveitou a ocasião para
explicar às lideranças dos movimentos sociais que a política econômica
ortodoxa praticada neste primeiro ano foi decidida pelo corpo do governo. "O
Palocci não tem culpa", defendeu, respondendo uma estocada de João Pedro
Stédile, coordenador do MST.

Coube a Rossetto anunciar as linhas gerais e as metas do novo PNRA. Lula
preferiu enfatizar durante a sua fala as realizações da política externa,
que, segundo ele, em 11 meses conseguiu reordenar o papel do Brasil no
mundo. Abordou a recuperação do Mercosul, a criação do grupo de amigos da
Venezuela, a construção do G-3 (com Índia e África do Sul) e do G20plus
(para atuar na Organização Mundial do Comércio).


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