Política

Mídia amplia crítica à Prefeitura e atinge Marta ‘por tabela‘

22/09/2004 00:00

São Paulo Só um concorrente às eleições municipais de São Paulo recebe mais ataques, em termos de porcentagem de textos jornalísticos com conotação negativa publicadas com tanto maior destaque, que a candidata à reeleição Marta Suplicy (PT): a sombra dela mesma - a prefeita Marta Suplicy.

 

A constatação é da pesquisa realizada pelo Observatório Brasileiro da Mídia (leia matéria "Observatório Brasileiro fará monitoramento da mídia") sobre as coberturas que os cinco principais diários paulistas - Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo, Agora, Jornal da Tarde - dedicaram durante uma semana inteira há menos de 15 dias do primeiro turno.

 

A novidade do levantamento é a adoção de mais um critério para a aferição qualitativa das matérias que circularam sobre as eleições. Além da tradicional classificação entre as categorias positiva, neutra e negativa, o trabalho traz uma escala de morfômetro. O recurso permite que seja atribuída uma nota de 2 a 10 a cada matéria, de acordo com sua localização na página e com os elementos gráficos (como foto e outros recursos gráficos, como trechos em destaque).

 

Assim como nas pesquisas que vem sendo realizadas pelo Laboratório de Pesquisas em Comunicação Política e Opinião Pública (Doxa) do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), além dos candidatos propriamente ditos, a análise do Observatório Brasileiro de Mídia incluiu uma categoria especial para as matérias que fazem referência – direta ou indiretamente – apenas à administração de Marta em São Paulo. De acordo com exemplo do jornalista Carlos Manoel Carolino, que coordenou a pesquisa, o critério utilizado foi o seguinte: a partir de uma reportagem sobre a dificuldade na reparação de buracos no asfalto do município, foi gerado automaticamente um registro para a Marta “prefeita”; como a matéria tende a retirar votos, mesmo que não houvesse citação, ela acabava sendo somada ao grupo dos textos negativos.

 

Na comparação da orientação do morfômetro com os registros por candidato (ou seja, na relação entre a porcentagem de matérias com determinadas características com o destaque dado pelos jornais), a “prefeita Marta” obteve 80% de referências negativas. Em segundo lugar, aparece a “candidata Marta” com 76% de matérias desfavoráveis. Na seqüência, vem Paulo Maluf (PP), com 57,5%, Luiza Erundina (PSB), com 22%, e José Serra, com apenas 15,6% de matérias depreciativas.

 

Nosso objetivo com a pesquisa não foi apontar qual jornal prejudica determinado candidato. Nós simplesmente colocamos ‘os pratos na mesa‘. A interpretação dos dados fica por conta do analista que quiser ‘se servir‘ deles, explicou Carolino.

 

Em números absolutos de matérias negativas, a “candidata Marta” é campeã. Foram 181 textos com essa conotação. Para se ter uma idéia, o segundo colocado neste quesito – Paulo Maluf – foi “lembrado” apenas 68 vezes pelos jornais. Depois, vieram a “prefeita Marta” (64 citações), Serra (46) e Erundina (23).

 

Picos por cada jornal

Quem alcançou o maior índice de “rejeição” por parte de uma única publicação foi a “Marta candidata”, no Jornal da Tarde (JT). Simplesmente 68% das matérias sobre a aspirante à reeleição foram negativas. A “Marta Prefeita” foi alvo de ataques em 65,2% dos textos publicados na Folha e no Agora, os dois matitutinos da família Frias, e em 64,4% do que circulou no Estadão.

 

Em termos de bom cartaz, no entanto, nenhum candidato chega próximo de Serra para o Estadão. De todas as matérias que foram publicadas sobre o ex-ministro tucano nas páginas da tradicional publicação paulista, 64% foram positivas. Serra só mereceu 20% de referências neutras e somente 16% de citações negativas no jornal dos Mesquita.

Veja mais detalhes sobre a pesquisa - inclusive os gráficos - na página do Media Watch Global.


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