Política

Mujica, Cristina e Correa assinam manifesto de apoio a Lula

O manifesto assinado pelos ex-presidentes e por mais de 160 mil pessoas pede a "realização de eleições livres e democráticas no Brasil, colocando um fim à perseguição política" contra o maior líder da esquerda brasileira

14/01/2018 15:50

 


Neste fim de semana, quatro importantes líderes políticos da América do Sul expressaram seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva através da assinatura do manifesto “Eleição sem Lula é fraude”.

São eles o ex-presidente e atual senador uruguaio José “Pepe” Mujica, a também ex-presidenta e também atual senadora argentina Cristina Fernández de Kirchner, o ex-mandatário equatoriano Rafael Correa e o colombiano Ernesto Samper, que além de ex-presidente do seu país também foi secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) entre 2014 e 2017.

O manifesto ao qual os líderes sul-americanos aderiram é uma manifestação de apoio ao ex-presidente brasileiro Lula da Silva, que será julgado no dia 24 de janeiro e poderia ter ratificada a condenação a 9 anos e meio de prisão imposta em julho passado, em primeira instância.

Esta possível ratificação da decisão em segunda instância poderia ter também o efeito de impedir a candidatura de Lula às eleições presidenciais brasileiras, programadas para o próximo mês de outubro, razão pela qual o manifesto assinado pelos ex-presidentes e por mais de 160 mil pessoas também pede a “realização de eleições livres e democráticas no Brasil, colocando um fim à perseguição política” contra o maior líder da esquerda brasileira, segundo informam os organizadores da iniciativa.

O texto do manifesto aponta que Lula é vítima de uma perseguição que afeta não só o Partido dos Trabalhadores (PT) e a esquerda como a todos os cidadãos brasileiros: “Como nunca antes em nossa geração de lutadores, o que está em jogo é o futuro da democracia”, diz um fragmento do documento.

Entre as 160 mil pessoas que já assinaram estão grandes artistas brasileiros e estrangeiros, como os compositores Chico Buarque e Mano Brown, os cineastas Oliver Stone e Constantin Costa-Gavras, além de importantes personalidades brasileiras de todos os setores (deputados, sindicalistas, ativistas, intelectuais, etc), incluindo até figuras historicamente contrárias ao PT – como o professor de filosofia da Unicamp, Roberto Romano.

O julgamento de Lula em segunda instância acontecerá no próximo 24 de janeiro, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, que deverá confirmar ou modificar a sentença de imposta em julho passado pelo juiz Sérgio Moro, do Tribunal Federal de Curitiba, um dos responsáveis pela Operação Lava-Jato.

Além da impossibilidade de participar das próximas eleições presidenciais, a confirmação da sentença poderia também fazer com que o líder histórico do PT seja levado à prisão, embora os seus assessores confiem em que um resultado negativo ainda possa ser revertido em instâncias superiores – como o STF, cujos prazos são mais prolongados.

Segundo a sentença de Moro, o ex-mandatário brasileiro cometeu um delito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ao aceitar da construtora OAS um apartamento de luxo, que segundo o juiz, seria uma espécie de suborno para que a empreiteira fosse favorecida em licitações da Petrobras.

Na defesa de sua inocência, a equipe jurídica de Lula alega que não há provas sequer de que houve um crime ao qual se pode apontar ao ex-presidente, e afirmam que há uma perseguição jurídica e midiática contra ele, ainda mais com o fato de que as pesquisas mais recentes o colocam como grande favorito para as eleições de outubro, podendo até mesmo ganhar no primeiro turno.



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