Política

Não às mentiras e mistificações da direita

A moral, como a liberdade e a democracia, são valores da esquerda

13/04/2021 17:14

(Reprodução/bit.ly/3a8uURT)

Créditos da foto: (Reprodução/bit.ly/3a8uURT)

 
Neste domingo, 11 de abril ocorreu o 2º turno da eleição equatoriana, vencida pelo candidato neoliberal, o banqueiro Guillermo Lasso. O candidato das forças democráticas e populares, Andrés Arauz, apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, foi derrotado por diferença de cerca de 400 mil votos.

Fundamental para sua derrota a campanha de um dos candidatos, Yaku Pérez. Ele contrapõe suposto identitarismo indígena à luta popular, e priorizou "a derrota do correísmo". Ou seja, na prática uniu-se à direita, responsável por tantos massacres contra indígenas, não só no Equador, mas no conjunto da América Latina. Os votos nulos atingiram 1 milhão e 600 mil votos (parcela significativa resultado da campanha de Yaku Pérez), roubaram a vitória a Arauz, e se mostraram decisivos à eleição do candidato neoliberal e antipopular.

Bastante importante a eleição equatoriana, mas não é o objetivo principal deste artigo.

O central é tratar de certos equívocos recorrentes na política de esquerda, como a subestimação da questão da moral na luta política.

O companheiro Daniel Valença, professor universitário, e vice-presidente do PT-RN, fez boa análise da eleição no Equador. Num dos trechos do seu texto, disse o seguinte:

"Quando se faz luta política sem enfrentar as contradições inerentes à luta política, pairando-se moralmente acima dos conflitos, das contradições, a consequência para a luta da classe trabalhadora é desastrosa".

A passagem citada me dá ensejo a discussão oportuna.

É preciso deixar de ser contra a moral, o que se vê com certa frequência em textos de esquerda.

Aqui na citação temos mais um exemplo disso. O equívoco acontece não, evidentemente, pela crítica correta a "não se enfrentar as contradições inerentes à luta política".

Não se deve confundir ''moralismo'' com moral

Não se pode confundir moral com "moralismo" no sentido udenista do termo.

O "moralismo" de direita (e de extrema-direita) é falso, hipócrita e reacionário, demonstrado no Brasil mais uma vez pelo golpismo da Lava-Jato e sua escancaradamente seletiva, pseudo-"luta contra a corrupção".

Verificou-se também nesta eleição equatoriana, na contribuição dada à vitória do neoliberalismo por Yakú Pérez, e pelo cavalo-de-Troia pseudo-identitário. Tanto aqui como lá houve disfarçada porém ampla intervenção do imperialismo americano, com recursos financeiros, pressão da mídia, intervenção diplomática, e outros meios

A um candidato como Yaku Pérez, e a sua corrente política, faltaram inclusive moral. Isso também contribuiu, não principalmente (o principal é a defesa de interesses de classe antipopulares), mas também contribuiu para a concretização da política antipopular. A própria falta de uma política ética é integrante dos compromissos de classe antidemocráticos, antipopulares, e antinacionais.

A moral é indispensável à atividade política. Como dizia Gramsci, a política para os comunistas é a mais ética das atividades humanas.

E não só Gramsci dizia, se guiava por tais valores, e os praticava; trata-se de apanágio do marxismo (a prática leninista em destaque); da tradição iluminista; e de toda a tradição racionalista e progressista do pensamento humano.

Valores da esquerda, da democracia e do socialismo

É preciso valorizar os valores que nos norteiam, chamar as coisas pelos seus devidos nomes. Uma estupidez, por exemplo, é a esquerda ser contra a meritocracia. Nenhum sistema social é mais a favor da meritocracia do que o socialismo. A verdadeira meritocracia, baseada no mérito real, que supõe a igualdade de oportunidades sociais.

O que a direita chama de "meritocracia" não tem nada de meritocrático, não se baseia em méritos, mas na completa discriminação social.

Mas não é por isso que vamos dar de mão beijada a defesa do mérito para a direita, nem a moral, a liberdade, ou a democracia.

Porque a direita, como representante do pensamento burguês, da política burguesa, é inimiga de todos os valores humanos; defendidos pela esquerda; e, dentro da esquerda, da maneira mais consequente pelos marxistas, e sua face política, a atuação dos comunistas.

Esta discussão ganha ainda mais sentido diante do obscurantismo neo-stalinista, em que os graves crimes do stalinismo são apresentados de maneira negacionista pelo revisionismo histórico, numa ação grosseira e a mais falsa, como "firmeza revolucionária".

Nada mais distante da verdade, e igualmente maléfico à reconstrução da luta revolucionária e socialista, do que tal concepção passadista e imoral.

Não se pode igualar comunismo a stalinismo: stalinismo, que além de um sistema de barbarismo político, o era também pela sua imoralidade - ambos, barbarismo político e imoralidade, remanescências e revivescências da sociedade de classes e burguesa.



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