Política

O Brasil de Bolsonaro é o Brasil das cinzas e da vergonha

 

29/09/2020 19:27

(Alan Santos/PR)

Créditos da foto: (Alan Santos/PR)

 

Nesta semana o Brasil ficou horrorizado pelo discurso que o Presidente Bolsonaro fez na Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU). Entre ataques, mentiras e os absurdos, Bolsonaro, mais uma vez, mostrou o seu descompromisso em governar a nação e se colocou em um palanque eleitoral para falar exclusivamente para os que defendem a intransigência e negação da realidade.

Bolsonaro mentiu na ONU que desde o começo da pandemia alertava ao país “que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade. ”

Como se sabe, Bolsonaro não se responsabilizou em salvar vidas ou garantir empregos, o Presidente propagava que a covid-19 era uma simples “gripezinha” e que não era “coveiro” para se preocupar com as mortes que aconteceram no Brasil.

Além disso, o governo propôs um auxílio emergencial de apenas R$ 200 e que se não fosse as proposições da oposição no Congresso, este valor não custearia nem uma cesta básica para a maioria das famílias que necessitaram deste direito.

Os duzentos reais propostos por Bolsonaro e os seiscentos reais aprovados pelo Congresso, estão muito distantes dos mil dólares (cerca de R$ 5.570) anunciados por Bolsonaro na Assembleia das Nações Unidas.

Bolsonaro mente nas Nações Unidas, mente para o mundo, mente para ficar bem com o Presidente Trump e os extremistas americanos e para envergonhar o nosso povo. Mas, a mentira de Bolsonaro mata e destrói. O Brasil passa pela maior crise da sua história com cerca de 140 mil mortos pela covid-19, 13 milhões de desempregados e no maior ataque ambiental da nossa história.

Enquanto Bolsonaro discursava e mentia, o Pantanal pegava fogo. Desde 1° de setembro até o dia 23 do mesmo mês, o Pantanal alcançou a triste marca do maior número mensal de focos de incêndio da sua história, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Segundo informações da Polícia Federal, os incêndios iniciaram em grandes fazendas, com o objetivo de transformar a vegetação em pastagem, diferente do afirmado por Bolsonaro que culpabiliza indígenas e quilombolas.

O Pantanal vive uma crise sem precedentes e é destruído diariamente com o aval e o estímulo do Presidente da República, que não realizou visita as zonas destruídas, não ofertou ajuda estruturada e coordenada para o enfrentamento das queimadas.

Nos últimos dias, a Câmara dos Deputados instituiu uma Comissão Externa que vai acompanhar as iniciativas do enfrentamento das queimadas no Brasil, coordenada pela Deputada Professora Rosa Neide (PT/MT) e da qual farei parte.

Nesta Comissão, buscaremos enfrentar a negligência e a destruição provocadas pelo Governo Federal e fiscalizaremos todas as iniciativas que o Governo tem tomado ou não no enfrentamento desta catástrofe provocada pela aliança Salles & Bolsonaro.

Assim como na Comissão Externa de Combate ao Coronavírus, a oposição poderá mais uma vez no parlamento ser protagonista de medidas importantes para a proteção ambiental do país e na garantia dos direitos de nosso povo, que diariamente são atacados por este desgoverno.

A fumaça do Pantanal toma conta do Brasil e leva com ela o projeto destruidor de Bolsonaro, que quer transformar o Brasil no país das cinzas, sejam dos corpos mortos pela pandemia descontrolada incentivada pelo Governo, sejam elas do fogo que queima nosso meio ambiente.

Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP


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