Política

O novo velho continente e suas contradições: A onda de crimes na Europa

Outros crimes, além do terrorismo, atraem também a atenção da polícia. O tráfico e exploração sexual de crianças, passando pela corrupção e violência nos esportes, tráfico de drogas, cibercrimes, crimes financeiros, tráfico de pessoas, sem esquecer os clássicos crimes de homicídio, assaltos e roubos a formar o elenco da criminalidade na Europa. E também os crimes menores e recorrentes como furto de carteira, carro e golpes em turistas

17/11/2020 11:27

(S. Babbar/DPA)

Créditos da foto: (S. Babbar/DPA)

 
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Os autores de formação marxista são unânimes em afirmar que há uma relação inversamente proporcional entre Estado Social e Estado Penal. Onde for menor o desenvolvimento social, maior a ocorrência de crimes. Se a criminalidade está associada à exclusão, apresentando os maiores índices onde é maior a pobreza e a miséria, a rica Europa desmentiria essa afirmação. A miséria não é definitivamente a marca desse continente que tem enriquecido ao longo da história, muitas vezes à custa da pobreza dos outros, a exemplo dos casos da África e parte do Oriente e da Ásia, onde se encontram as regiões mais pobres do planeta. É possível afirmar, no entanto que a riqueza sempre foi canalizada para as mãos de poucos. Esta é também uma afirmação que é quase um truísmo de tão verdadeira.

O terrorismo é o que mais preocupa os países da Europa, mas a cada dois minutos um tipo diferente de crime é denunciado. Os recentes atentados terroristas na França e na Áustria e os que já ocorreram na Espanha, Itália, Inglaterra e diversos outros alvos do terror mobilizam os governos e as polícias de todos os países. E dá trabalho, em consequência, à Europol, a polícia oficial da União Europeia sustentada pelos 27 países membros. Outros crimes, além do terrorismo, atraem também a atenção da polícia. O tráfico e exploração sexual de crianças, passando pela corrupção e violência nos esportes, tráfico de drogas, cibercrimes, crimes financeiros, tráfico de pessoas, sem esquecer os clássicos crimes de homicídio, assaltos e roubos a formar o elenco da criminalidade na Europa. E também os crimes menores e recorrentes como furto de carteira, carro e golpes em turistas.



Segundo o site Numbeo (https://www.numbeo.com/), as dez cidades da Europa mais inseguras, onde a criminalidade se apresenta com maior violência são Birmingham, no Reino Unido; Bradford, Reino Unido; Manchester, Reino Unido; Marseille, França; Catania, Itália; Nápoles, Itália; Drogheda, Irlanda; Londres, Reino Unido; Malmo, Suécia e Bilbao, Espanha.

O cibercrime, as quadrilhas

Os crimes com maior crescimento são os cometidos pela internet ou, segundo a polícia, através da darknet, que é hoje uma porta de entrada para o obscuro mundo da criminalidade. Os avanços tecnológicos à disposição dos criminosos não se resumem à Internet. As quadrilhas têm acesso a outros tipos da moderna tecnologia, como drones e os avanços da logística automatizada.

Um relatório da Europol informa que os grupos de crime organizado em atuação já são mais de cinco mil, a maior parte dedicada ao tráfico de drogas, que aparece sempre ligado ao tráfico de pessoas. Diz o relatório policial que é “uma das atividades mais generalizadas e rentáveis para a criminalidade organizada dentro da União Europeia”.

A Europol, junto com as polícias de Portugal, Espanha e Reino Unido, em ação coordenada no último mês de outubro, fez 388 prisões e identificou 249 vítimas em potencial. Crianças e adolescentes são traficados para exploração sexual e de trabalho. São também utilizados na prática de crimes como roubo e contrabando e usados como falsos parentes de pessoas em migrações clandestinas. O Parlamento Europeu criou uma comissão para se dedicar a combater o tráfico de drogas, o tráfico de seres humanos, a ajuda à imigração clandestina, o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro.

Os crimes cibernéticos mais comuns e que se alastram são o hackeamento de computadores, ataques a redes, distribuição de vírus, cavalos de troia e phishing para capturar informações bancárias. O Parlamento calcula em 1,1% do PIB de toda a União Europeia o custo dos crimes financeiros, que engloba a fraude e evasão fiscal, a corrupção e o branqueamento de capitais. Uma comissão especial propôs medidas contra o crime organizado, entre elas o confisco de bens de organizações criminosas e sua reutilização com finalidade social, bem como a abolição do sigilo bancário e o fim dos paraísos fiscais dentro da União Europeia.



A máfia

Embora seja um fenômeno italiano, assim como são as milícias no Rio de Janeiro, os grupos mafiosos atuam em todo o continente europeu, principalmente os mais conhecidos 'Ndrangheta, Camorra e Cosa Nostra. Existem outras organizações menores e mais recentes na Itália como a Stidda (Sicília central), a Sacra Corona Unita(região da Puglia), o Bando della Magliana (Roma) e, a mais recentede todas, adenominada “Máfia Capital”.

Trata-se de um tipo de organização criminosa que tem sua origem anterior à unificação do território italiano, na segunda metade do século XIX. De origem rural e estruturada com base nas relações familiares, cresceu onde não existia ou era escassa a presença do Estado. Ganhou fama internacional nos anos 1950, quando implantou uma lucrativa indústria de sequestros.

A força da ‘Ndrangheta, a principal entre as organizações existentes, tem origem na violência da sua atuação e nos lucros do tráfico internacional de drogas, além da reciclagem de atividades econômicas. Controla setores importantes da economia, comércio e agricultura. Conta com a cumplicidade e apoio da administração pública.

O volume de negócios anuais da ‘Ndranghetaé calculado em 60 bilhões de euros formados pelo tráfico de drogas (€ 24,2 Bilhões), tráfico ilegal de lixo tóxico e radiativo (€ 19,6 Bilhões), extorsão e usura (€ 2,9 Bilhões), peculato (€ 2,4 mil milhões), apostas ilegais (€1,3 mil milhões), tráfico de armas, prostituição, mercadorias falsificadas e tráfico de seres humanos (€ 10 Bilhões).



Essa movimentação financeira faz da ‘Ndrangheta uma potência econômica que supera outras máfias italianas como a Cosa Nostra, Camorra, Sacra Corona Unida e Stidda.

A partir dos anos 1990 o dinheiro da Máfia passou a ser lavado na compra de imóveis e no comércio da Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Áustria e Suiça além do Leste europeu: Rússia, Hungria, Polônia e Romênia. Uma parte do lucro nessa região é reinvestido no tráfico de armas.

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