Política

O novo velho continente e suas contradições: Como a esquerda se organiza para resistir

O Partido da Esquerda Europeia (em inglês: Party of the European Left (PEL), ou European Left ) formou-se com base na herança dos antigos partidos comunistas. Outros movimentos anticapitalistas, entre eles alguns socialistas democráticos, também se juntaram ao PEL desde 2004, quando foi fundado o partido. Seu último congresso foi realizado em Málaga, com o tema ''Reset Europe. Go left.''

25/08/2020 11:47

 

 
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Diante da ofensiva da direita e da extrema-direita na Europa, as forças de esquerda também se organizam com vistas às disputas eleitorais que prometem ser cada vez mais intensas com tendência a radicalizarem-se. No Parlamento Europeu, os ecossocialistas do Norte da Europa agruparam-se na Esquerda Nórdica Verde e também no Partido da Esquerda Europeia, que reúne partidos comunistas europeus e seus sucessores, junto com outros grupos de esquerda atuantes nos diversos países.

A Esquerda Nórdica Verde fortaleceu-se ao unir-se com o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia dando origem ao Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde. Possui 39 deputados entre os 705 que compõem o Parlamento Europeu.

O Partido da Esquerda Europeia (em inglês: Party of the European Left (PEL), ou European Left ) formou-se com base na herança dos antigos partidos comunistas. Outros movimentos anticapitalistas, entre eles alguns socialistas democráticos, também se juntaram ao PEL desde 2004, quando foi fundado o partido. Seu último congresso foi realizado em Málaga, com o tema “Reset Europe. Go left.” Conta hoje com 26 diferentes partidos membros e oito partidos observadores. Já a Esquerda Anticapitalista Europeia é um grupo informal constituído por partidos radicais que se reúnem regularmente desde 2000.

Os verdes da França

Na França, com a surpreendente vitória do Europa Ecologia-Partido Verde (EELV) ganha corpo a discussão se a ecologia é ou não o futuro da esquerda. Os ecologistas representam hoje a terceira força política do país, considerado o resultado das últimas eleições, quando obtiveram 13,4% dos votos, depois do Reunião Nacional, de Marine Le Pen, com 23,3% e o A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, com 22,4%. Os verdes ultrapassaram todas as outras força de esquerda. Seu líder Yannick Jadot comemorou a onda verde que atingiu toda a Europa nessas últimas eleições e a forte participação dos jovens.



O "Big Bang continua", disse o jornal Aujourd'hui en France: “o naufrágio do partido conservador Os Republicanos, o avanço dos ecologistas e o duelo Macron x Le Pen confirmam a explosão do cenário político francês”. Como os outros jornais, Aujourd'hui en France opina que apesar de ter ficado em segundo lugar, o resultado não é uma derrota para o partido do presidente Emmanuel Macron, que conseguiu resistir e evitar um desastre maior.

Jean Luc Mélenchon, que vinha conseguindo destacar-se na oposição de esquerda, obteve apenas 6,3% dos votos para seu partido A França Insubmissa, empatado com o Partido Socialista.

Os ecologistas já anunciaram seu projeto de assumir a liderança das esquerdas na França.

Na Alemanha, eles chegaram a 22 por cento dos votos, o que representou o dobro da votação que tiveram em 2014.

Mesmo num país de tradição fortemente conservadora, os partidos de esquerda estão ativos e movimentam o ambiente politico na Grã Bretanha, dominado pelos conservadores e trabalhistas Além do Sin Féin, de grande atividade na Irlanda, existem organizações e partidos políticos de esquerda com certa representatividade na Escócia, Ulster, Gales e, em todos eles, os Verdes.

Fundado em 1905, o Sin Féin apresentava-se como o braço político do Exército Republicano Irlandês – IRA – mas separaram-se por divergências quanto aos métodos do IRA.

Crise inglesa

Os mais recentes governos de direita, notadamente o de Margareth Thatcher, afetaram negativamente o estado de bem estar social que era uma marca do sistema político da Grã Bretanha. Os cortes profundos na segurança social têm provocado uma crise social que se agrava, a ponto de o site Netmums ter revelado que uma em cada cinco mães britânicas não dispõe de recursos para alimentar seus filhos. Milhares de pessoas dependem de ajuda de bancos de alimentos de emergência para alimentarem a si mesmas e suas famílias. Nos últimos 12 meses, o The Trussell Trust, maior operador de bancos de alimentos na Grã-Bretanha, declarou ter fornecido comida para 350 mil pessoas, o que representa cem mil a mais do que o previsto e um aumento de 170% em relação ao ano anterior.

Em Portugal

O Partido Comunista Português, marxista leninista, fundado em 1921,é um dos mais antigos da Europa. Saiu fortalecido depois da derrocada do salazarismo e possui hoje expressiva representação na Assembleia da República e no Parlamento Europeu. Junto com o Bloco de Esquerda, lidera o movimento de esquerda em Portugal. Este último representa a terceira força política no país. Foi criado em 1999 por um acordo entre a União Democrática Popular (marxista), o Partido Socialista Revolucionário (trotskista mandelista) e a Política XXI, composta por ex-militantes do Partido Comunista Português.

Na Alemanha

Na Alemanha, A Esquerda (Die Link) foi constituído em 2007 pela fusão do Partido do Socialismo Democrático, sucessor do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED)e o Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG). O SED governou a antiga República Democrática Alemã -a Alemanha Oriental- e o WASG foi constituído na Alemanha Ocidental. Die Link é membro do Partido da Esquerda Europeia e abriga em sua sigla várias correntes ideológicas. As mais expressivas são a Esquerda Anticapitalista (Antikapitalistische Linke), a Plataforma Comunista (Kommunistische Plattform, KPF), e o Fórum do Socialismo Democrático (Forum Demokratischer Sozialismus) Tem 69 deputados no Parlamento alemão.

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