Política

O novo velho continente e suas contradições: O terror que não terá fim

Depois do dramático ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001, a Europa passou a ser o alvo principal do movimento jihadista. O atentado de Nova Iorque, pelas suas dimensões e suas consequências, veio demonstrar que as ações terroristas se tornavam, em nível mundial, um dos principais problemas políticos e de segurança pública deste século

28/04/2020 11:44

 

 
:: Leia mais: Especial 'O novo velho continente e suas contradições'

Não é só a pandemia do novo coronavírus um dos grandes males do mundo a trazer a ameaça de doença e morte. Outras misérias pairam também de forma sombria, além do coronavírus, que em algum momento será vencido e dominado. Mas este não é o caso de outras pandemias que poderão atacar. E também da exploração dos povos e nações que conduz suas populações ao desespero. A face mais visível desses trágicos eventos são as migrações forçadas, com seus milhares de refugiados, e a violenta militância política expressa pelo terrorismo.

Nos últimos dias, o Estado Islâmico, que passou a liderar a Jihad depois da desarticulação da Al-Quaeda, emitiu comunicado em que aconselha seus militantes a não se dirigirem à Europa, por causa da infecção. Mas orientou os que se encontram no Continente a aproveitarem as oportunidades e continuarem os ataques. Não definiu quais países serão prioritariamente atacados mas a história recente aponta como potenciais alvos a França, Espanha, Inglaterra, Alemanha e os países nórdicos. Creio que a ausência de aglomerações nestes tempos de quarentena tem desestimulado por enquanto novos atentados.



Nas mesmas diretrizes, no entanto, o ISIS diz que se inspira na lei islâmica (sharia) e afirma que a propagação do novo coronavírus não ocorre por si mesma mas sim por ordem de Deus. Como fazem os pastores das igrejas neopentecostais do Brasil, asseguram que a fé e as orações são o refúgio seguro contra as doenças. A newsletter semanal Al Naba, órgão oficial do Estado Islâmico, afirma que as ações não estão limitadas pela pandemia e devem ser estimuladas.

Ataques na Europa

Depois do dramático ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001, a Europa passou a ser o alvo principal do movimento jihadista. O atentado de Nova Iorque, pelas suas dimensões e suas consequências, veio demonstrar que as ações terroristas se tornavam, em nível mundial, um dos principais problemas políticos e de segurança pública deste século.

Desde 2015, contando a partir do atentado ao jornal Charlie Hebdo, em 7 de janeiro daquele ano, em Paris, mais de vinte ataques mortais foram desfechados no território europeu, todos reivindicados por militantes do ISIS ou a eles atribuídos. Os principais foram em Paris, Copenhague, Bruxelas, Nice, Berlim, Londres, Estocolmo, Londres, Manchester, Madrid, Barcelona, Turku na Finlândia, Carcassone, Liège, Utrecht, Marselha, Würsburg e Estrasburgo. Foram mais de oitocentos mortos. E a Jihad do Daesh, nome pelo qual é também conhecido o ISIS, promete que não vai parar por aí.



A União Europeia possui um organismo dirigido pelo belga Gilles de Kerchove que tem como objetivo a luta antiterrorista, com a primeira preocupação de evitar o recrutamento de jovens europeus pela Jihad. No seu plano de trabalho, destacam-se o controle das armas de fogo e da propaganda que visa a radicalização de futuros combatentes. O plano destaca também o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento das ações promovidas pelo Daesh.

Uma história de sangue

O terrorismo tem sido uma arma política de resistência pelo uso, como diz a própria palavra, do terror para a tentativa de desestabilização das estruturas de poder vigente. Os primeiros atentados terroristas que a história registra deram-se no território onde hoje se localiza Israel, por volta dos séculos I e II antes de Cristo. Até hoje é um palco dessas ações. A própria constituição do Estado de Israel registra vários episódios do gênero numa estratégia de ocupação do território.

Durante a presença romana do território judaico os ataques e atentados foram executados pelos que se opunham ao governo invasor e também contra a elite local que apoiava a invasão.

Séculos depois foi também um recurso usado no território da Síria. O líder das ações hoje definidas como terroristas foi Hassan ibn Sabbah, mais conhecido como o 'Velho da Montanha'. O terrorismo foi utilizado pelos seus seguidores como principal arma na luta contra cristãos e sunitas. Pela forma cruel das suas ações, o grupo ficou conhecido pela denominação que deu origem ao termo 'assassino'. Seus membros eram conhecidos como 'hashashin' ("consumidor de haxixe", em árabe). Consta que a ferocidade deles era alimentada pelo consumo de haxixe.



A própria Inquisição levada a efeito pela Igreja Católica teria se constituído numa seguida ação terrorista, pela qual o Papa João Paulo II pediu perdão referindo-se à tortura, aos julgamentos sumários, às conversões forçadas e às fogueiras nas quais eram queimados os acusados de heresia durante a Idade Média.

Se hoje é um conceito que define a ação de grupos insurgentes contra o Estado, o termo terrorismo surgiu durante a Revolução Francesa, no período entre 1793 e 1794, o “Reinado do Terror” implantado pelo jacobino Maximilien de Robespierre, quando foram executadas pela guilhotina cerca de 17 mil pessoas.

Para a constante preocupação da Europa e do mundo, o terrorismo não tem perspectiva de deixar de ser utilizado. Seu legado de violência, miséria e sangue vai sempre delimitar o rastro das ações de vingança, sabotagem e ódio político.



Conteúdo Relacionado