Política

Oposição arma estratégia para "derrubar" PT em Porto Alegre

30/06/2004 00:00

Porto Alegre - O primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre será realizado na manhã desta quinta-feira (1°), na RBS TV. O horário é insólito, tratando-se de debates eleitorais: começa às 11h e vai até às 12h40min. Durante uma hora e quarenta minutos, sete candidatos à prefeitura da capital gaúcha terão a oportunidade de apresentar, pela primeira vez, suas propostas à população. Primeiro colocado nas pesquisas para a prefeitura de Porto Alegre, e já tendo governado a cidade entre 1997 e 2000, o deputado estadual Raul Pont já adiantou que sua estratégia central será defender o projeto que o PT desenvolve na capital nos últimos 16 anos. Também participam do debate os seguintes candidatos: José Fogaça (PPS), Jair Soares (PP), Vieira da Cunha (PDT), Beto Albuquerque (PSB), Mendes Ribeiro (PMDB) e Onyx Lorenzoni (PFL).

O debate será dividido em cinco blocos. No primeiro, os candidatos fazem a apresentação geral de suas propostas. No segundo, fazem perguntas entre si sobre temas previamente sorteados. No terceiro, podem escolher o tema da pergunta. O quarto bloco repete o sistema do segundo e, por fim, no último bloco, os candidatos fazem suas considerações finais. A campanha eleitoral de rua começa oficialmente no dia 6 de julho.

Os adversários da Frente Popular pretendem vender a idéia de que, após 16 anos, a Administração Popular está cansada e sem criatividade. Alguns temas deverão ser privilegiados neste debate como a questão dos meninos de rua, o comércio informal no centro da cidade, a violência urbana e as crescentes demandas por saúde e habitação, entre outros. Já os apoiadores da atual gestão rejeitam a tese do cansaço, apontando, entre outros fatores, o grande número de prêmios que a cidade vem recebendo nos últimos anos por suas políticas de gestão pública e de inclusão social. Nesta quarta, Porto Alegre recebeu mais um desses prêmios, o Destaque Prefeito Amigo da Criança, pela terceira vez consecutiva. O prêmio foi concedido a municípios que, segundo a Fundação Abrinq (Associação dos Fabricantes de Brinquedos), desenvolvem ações exitosas que merecem ser disseminadas, entre eles Porto Alegre, Goiânia, Santo André, Timon (MA) e Uruará (PA).

Porto Alegre é o único município brasileiro a conquistar a premiação em todas as suas edições. De acordo com a avaliação da Fundação Abrinq, a conquista se deve, entre outros fatores, ao índice de alfabetização da população, à integração das secretarias e Fundação dedicadas à área social, pela existência do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Conselhos Tutelares, Programa de Execução de Medidas Sócio-Educativas, Programa de Atenção Integral a Crianças e Adolescentes em situação de rua no município e em parceria com cidades da Região Metropolitana.

Estratégia da oposição
Do lado da oposição, o ex-senador José Fogaça (PPS), que aparece em segundo lugar nas pesquisas de opinião realizadas até aqui, vem sendo apontado como o principal adversário de Raul Pont nas eleições de outubro. Após não conseguir a reeleição ao Senado, em 2002, Fogaça saiu da linha de frente do debate político, voltou a dar aulas e trabalhou como consultor de entidades como a Federação das Indústrias do Estado do RS (Fiergs). O ex-senador garantiu que não fará uma "campanha raivosa", apostando do debate de idéias para evitar o quinto mandato da Frente Popular. Mas Fogaça poderá enfrentar uma briga com outros candidatos da oposição na disputa para ver quem vai para o segundo turno com Pont, o que é considerado praticamente inevitável. O ex-governador e atual deputado estadual Jair Soares (PP) é um dos nomes que pode atrapalhar os planos de Fogaça.

A oposição mais virulenta ao PT deve vir mesmo dos candidatos do PFL (coligado com o PSDB) e do PDT, que apostam em uma nacionalização do debate, explorando pontos de desgaste do governo Lula. Essa tendência se reforça pelo perfil mais agressivo dos candidatos Onyx Lorenzoni (PFL) e Vieira da Cunha (PDT). Este último foi o relator da polêmica CPI da Segurança Pública que fustigou o governo Olívio Dutra durante dois anos (2001 e 2002). O debate desta quinta mostrará com mais clareza as estratégias de cada um nesta disputa encardida.

PL confirma aliança com PT
O Partido Liberal (PL) confirmou na tarde de terça-feira (dia 29) a coligação com o Partido dos Trabalhadores (PT) para disputar a prefeitura de Porto Alegre. O PL passa, assim, a integrar a Frente Popular, que tem o deputado estadual Raul Pont como candidato à prefeitura da capital gaúcha. Nas eleições municipais de outubro, a Administração Popular vai tentar o quinto mandato consecutivo. Na reunião que confirmou a aliança com o PT, o PL apresentou uma lista com cinco nomes para as eleições proporcionais. Caso a Frente Popular vença as eleições, o PL reivindica duas secretarias – Ação Social e Esportes, em princípio. Inicialmente, os liberais haviam acertado uma aliança com o PDT, mas voltaram atrás na decisão, atendendo determinação da direção nacional do partido. A confirmação da aliança com o PT ocorreu na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, com a presença do candidato Raul Pont. A Frente Popular será formada por 7 partidos: PT, PL, PCB, PC do B, PMN, PSL e PTN.

Mudança no número de vereadores
A redução do número de vereadores, determinada por resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e confirmada terça-feira pelo Senado Federal, não atingirá a Câmara Municipal de Porto Alegre. Pelo contrário, o Legislativo da capital terá aumento no número de cadeiras, passando de 33 para 35. Em algumas cidades do interior, como Alegrete, São Borja e Bento Gonçalves, por outro lado, deve ocorrer uma redução drástica. As câmaras dessas cidades poderão perder 11 vagas cada uma. Mas esse corte não ocorrerá imediatamente. A norma estabelecida pelo TSE atingirá os municípios a partir do ano que vem. Nas cidades onde haverá aumento do número de vereadores, os partidos poderão inscrever novos candidatos em suas listas se assim o desejarem. Nas que perderam, a redução do número de candidatos é obrigatória.

O PSDB e o PFL ingressaram nesta quarta, no Supremo Tribunal Federal (STF), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a decisão do TSE de reduzir o número de vereadores nas câmaras municipais de todo o país, informou o presidente da União dos Vereadores do Brasil (UVB), Luíz Fernando Godoy, de Cachoeira do Sul (RS). O recurso foi impetrado pelos dois partidos pois o Supremo não aceitou a ação movida pela entidade dos vereadores. Na noite de terça, o Senado rejeitou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extingue 5.062 vagas de vereadores em todo o país. Com a decisão, o número de vagas para as câmaras municipais será reduzido em 8.527 nas próximas eleições, conforme decisão do TSE. Para a direção da UVB, as mudanças só poderiam ocorrer até um ano antes do pleito e, portanto, só valeriam para as eleições municipais de 2008.


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