Política

Os interesses ocultos nesta Cúpula das Américas

Ángel Rodríguez, deputado venezuelano do Parlamento Latino, indicou que a Cúpula das Américas está sendo preparada para ser o evento que legitimará os planos intervencionistas dos Estados Unidos na região

13/04/2018 19:59

 

 

Por TeleSur

A partir desta sexta-feira (13/4), os mandatários de várias nações da América Latina estarão em Lima, no Peru, para a VIII Cúpula das Américas, organizada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

De acordo com a agenda, os presidentes conversarão sobre governabilidade, cooperação regional e corrupção, além de outros temas de interesse, como a crise política na Venezuela.

“A Cúpula das Américas é um instrumento de dominação política e militar regional dos Estados Unidos”, assim expressou o deputado venezuelano do Parlamento Latino, Ángel Rodríguez, em entrevista exclusiva para o canal TeleSur.

A Cúpula ficou desinflada depois que vários mandatários cancelaram suas participações – entre eles o presidente estadunidense Donald Trump – enquanto a própria presidência peruana foi sacudida com a renúncia recente de Pedro Pablo Kuczynski, que organizou o evento e acabou cedendo às denúncias de corrupção contra si, deixando o cargo nas mãos de Martín Vizcarra. A maioria dos que assistirão ao evento são presidentes cujos mandatos terminam este ano.

Por outro lado, a Cúpula dos Povos, que acontece paralelamente na capital peruana, se iniciou com força no dia 10 de abril. Desde esse espaço, as organizações sociais denunciaram a corrupção na OEA e sua subordinação aos Estados Unidos.

O que se espera da Cúpula das Américas?

De acordo com o deputado venezuelano, a Cúpula buscará legitimar os planos intervencionistas dos Estados Unidos sobre a América Latina, e a missão principal da delegação norte-americana é reunir apoio para avançar com as ações e sanções contra a Venezuela.

Rodríguez afirmou que, na atualidade, a direita mantém uma hegemonia na região e os governos conversarão sobre a cooperação para impulsar políticas neoliberais conjuntas.

Neste sentido, Argentina e Brasil já vem realizando reformas trabalhistas e previdenciárias, além dos cortes de orçamento para os programas sociais.

Articulação dos planos dos Estados Unidos com seus aliados da região

Ángel Rodríguez explicou que os Estados Unidos construíram uma diplomacia baseada nas suas necessidades, e entre os pontos a tratar na reunião com os chefes de Estado da América Latina está um acordo sobre o apoio militar e financeiro aos governos de direita.

Durante a entrevista para a TeleSur, o deputado recordou que a nação norte-americana conta com bases militares na Colômbia e no Peru, no mar do Caribe e, pela primeira vez, conta com forças na região da Amazônia brasileira.

Mais intromissão contra a Venezuela

O representante da Venezuela no Parlamento Latino reconheceu que é evidente a atitude dos Estados Unidos e seus aliados regionais contra o seu país, e que eles seguirão impulsando essas ações, com o objetivo de desestabilizar o governo de Nicolás Maduro.

Rodríguez recordou o envolvimento de Washington nos planos desestabilizadores contra os governos de Rafael Correa (Equador), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e também no golpe parlamentar contra Dilma Rousseff (Brasil).

Diante do panorama da direita na América Latina, o deputado afirmou que, apesar do apoio dos Estados Unidos, as elites políticas da região reconhecem que qualquer ação intervencionista contra a Venezuela terá consequências para os seus países.

Resistência popular latino-americana

O deputado Ángel Rodríguez insistiu na ideia de que os movimentos e organizações sociais devem se manter em permanente alerta sobre uma possível intervenção na Venezuela.

Rodríguez acredita que, com o reordenamento dos governos de direita na América Latina, os setores sociais têm saído mais às ruas contra as políticas neoliberais, como vem sendo observado na Argentina e no Brasil.

O deputado do Parlamento Latino apontou que os povos devem entender que as cúpulas como a que está acontecendo agora em Lima como um evento que obedece aos interesses econômicos, políticos e militares dos Estados Unidos.



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