Política

PT confia na periferia; tucanos contam com voto anti-Marta

25/09/2004 00:00


São Paulo – A capital paulista deve assistir a uma batalha campal em busca de votos na última semana antes da votação do próximo domingo (03). A coordenação da campanha de José Serra (PSDB) promete uma grande carreata para colocar de vez o "bloco na rua" para fazer frente às "brigadas vermelhas" do PT, que – inclusive com militantes remunerados - circulam pela cidade com o objetivo de solidificar a candidatura da atual prefeita petista Marta Suplicy, que concorre à reeleição.

A Agência Carta Maior ouviu dois experientes políticos que estão em lados opostos na disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo para saber quais são os sinais favoráveis e os trunfos de parte a parte.

Os votos da periferia da maior cidade do país tem sido decisivo, realça o deputado federal Ricardo Zarattini (PT-SP), para dar números finais ao pleito. "Até mesmo o [ex-prefeito e mais uma vez candidato Paulo] Maluf e o [também ex-prefeito Celso] Pitta ganharam porque receberam o apoio da periferia", observa o experimentado parlamentar, que vive em São Paulo há exatos 50 anos.

A maioria das pessoas que vivem nessas áreas isoladas do núcleo "abastado" de São Paulo não ganha mais do que três salários mínimos. "Acredito na vitória da Marta porque ela fez muito para essa massa de pobres. É muita gente", diz Zarattini, para quem os programas sociais implementados pela Prefeitura são melhores até que as iniciativas mantidas pelo governo federal.

De acordo com o deputado petista, além das transformações concretas como a realização de diversas obras, a administração da atual prefeita foi responsável por uma "mudança invisível" na cidade. Morador da região central de São Paulo, Zarattini avalia que os programas sociais e outras políticas públicas municipais permitiram que os jovens, em especial, pudessem permanecer exercendo atividades educacionais e econômicas nas proximidades de suas moradias. "Caiu o número de reféns do narcotráfico", diagnostica.

Zarattini acredita que esses eleitores da chamada periferia apoiam as ações capitaneadas por Marta Suplicy e, por isso, não devem mudar o seu voto por mero preconceito de cunho pessoal. Muita gente pode até ficar em dúvida em virtude da forte influência do conservadorismo em São Paulo, mas na hora de votar, aposta o petista, a opção preferencial será pela "prefeita que fez muita coisa pela cidade".

Serra, paz e amor
Para o deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), um dos coordenadores da campanha do tucano José Serra, a estratégia política de campanha "vai muito bem, obrigado".

Ele identifica um "cansaço" do PT em São Paulo provocado pelos "exageros" de Marta –cujos exemplos são os gastos excessivos com publicidade e a realização de obras não-prioritárias em contraste com os tímidos avanços na área da saúde. A atual prefeita, emenda, abusou do marketing (como no caso dos CEUs), mas não conseguiu consolidar sistemas públicos como o Programa Saúde da Família (PSF) que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na esteira da popularidade do governador Geraldo Alckmin, também do PSDB, o deputado espera um esvaziamento do apoio à atual gestão justamente pela imagem de "mulher arrogante que briga com todo mundo" atribuída à prefeita. "Os eleitores querem um prefeito amigo da cidade, que seja conciliador".

Nesse ponto, a estratégia tucana aproxima-se do "Lulinha - paz e amor" adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha vitoriosa de 2002. "Estamos na nossa toada. Não é ‘paz e amor’ porque não se trata de uma postura circunstancial. Nossas campanhas sempre foram serenas", afirma Feldman.

As recentes intervenções de Lula a favor de Marta Suplicy não preocupam, garante o tucano. "Nosso acompanhamento revelou que as declarações do presidente não provocaram mudanças porque o apoio ao nosso adversário atingiu o seu limite, o teto da intenção de voto". Segundo ele, entre a parcela da população paulistana que não vota na candidata Marta, só existem dois segmentos: os que rejeitam a prefeita e os que já fizeram outra escolha. 

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