Política

PT fica com presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

A definição do deputado que ocupará o cargo ficou para a próxima terça (25). Três nomes já em disputa: Erika Kokay, Nilmário Miranda e Assis do Couto.

19/02/2014 00:00

Agência Câmara

Créditos da foto: Agência Câmara


Brasília - O PT teve que pagar um preço alto para impedir que a Comissão dos Direitos Humanos (CDH) da Câmara ficasse nas mãos da extrema direita pelo segundo ano consecutivo: ceder a presidência de uma das quatro comissões a que tinha direito nesta legislatura ao PSC, partido do criticado presidente da CDH no período legislativo passado, Marcos Feliciano (SP), que se uniu ao PP do também polêmico Jair Bolsonaro (RJ), candidato ao posto agora em 2014.

A negociação, apontada como a primeira prova de fogo do novo líder do partido na casa, deputado Vicentinho (PT-SP), foi considerada vitoriosa pela bancada do próprio PT e por parlamentares de várias legendas comprometidos com a causa dos direitos humanos. “Não poderíamos deixar que a CDH ficasse nas mãos erradas”, disse o líder, em pronunciamento no plenário da Câmara.

Segundo ele, foi uma articulação complexa que se estendeu por toda a terça (18).
 
Durante a manhã, os líderes das bancadas se reuniram com a presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), e propuseram o desmembramento da Comissão de Esporte e Turismo em duas, elevando para 24 o número de comissões permanentes. Com isso, o PT, partido de maior bancada, conseguiu garantir a presidência de quatro comissões, ao invés das três do ano passado.

Optou pelas de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a de maior importância, a de Saúde, a de Seguridade Social e Família, reivindicada pela maioria da bancada, e, na terceira rodada, pela de Transportes. Antes, porém, fechou um acordo com o PTB, para que este partido escolhesse a de Direitos Humanos na primeira rodada. Depois, PT e PTB trocaram Transportes por Direitos Humanos.

O PT cedeu sua quarta vaga para o PSC de Feliciano, que escolheu a Comissão de Legislação Participativa. O PP de Bolsonaro ficou com as de Turismo e a de Administração, Trabalho e Serviço Público. O deputado Domingos Dutra (SDD-MA) elogiou, em plenário, a disposição do PT, seu antigo partido, em recuperar a CDH para as mãos dos setores historicamente comprometidos coma causa.

Discussões internas

Já no início da noite, a bancada do PT iniciou as discussões para definir quem seriam os presidentes dos colegiados, de acordo com informações do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que integra a comissão eleita pela bancada para definir a questão das Comissões. A decisão, no entanto, ficou para a próxima terça (25).

Duas forças disputam a presidência da CDH dentro da bancada do PT: os parlamentares ligados ao Núcleo dos Direitos Humanos, que já lançaram nomes como os dos deputados Erika Kokay (DF) e Nilmário Mirando (MG),  e os ligados ao Núcleo Agrário, que apresentaram o nome do Assis do Couto (PR). O pleito dos últimos é que a presidência da CDH fique com eles, já que o PT precisou abrir mão da Comissão de Agricultura para pleiteá-la.



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