Política

Para Lula, paz em Porto Alegre causará inveja a Nova York

Para petista, as cercas de proteção do último encontro do Fórum Econômico em Davos, no ano passado, mostraram que as pessoas lá reunidas não agradam a maioria da população mundial

31/01/2002 00:00

(Reprodução/Gazeta do Povo)

Créditos da foto: (Reprodução/Gazeta do Povo)

 

O presidente de honra do PT e possível candidato à presidência pelo partido Luis Inácio Lula da Silva comparou hoje (31/01) o II Fórum Social Mundial ao Fórum Econômico Mundial, que começa em Nova York hoje, em vez de Davos, por causa do atentado de 11 de setembro.

A comparação da filosofia dos dois encontros foi feita durante a entrevista coletiva pela manhã. Lula disse que há diferenças básicas. “A reunião de Davos estava ficando tão cara por causa da segurança que teve de ser transferida. Uma pequena cidade suíça não suportaria a quantidade de cercas no último encontro, como foi mostrado pela imprensa. Os arames farpados demonstram que o que aqueles homens pensam não seria bom para a maioria.”

Ao se referir a Porto Alegre, disse que o Fórum, ao contrário do encontro econômico, tem a participação mais plural possível sem a distinção ideológica e de classe. “Nós nos encontramos com objetivo de discutir uma saída para que a sociedade possa viver dignamente.”

Lula disse ainda que o fórum em Porto Alegre, este ano, vai ter uma importância muito grande para paz. “A demonstração que vai dar pela paz vai causar inveja a Davos. Eles sabem que a insegurança é por causa do mundo que eles dirigem.”
Alca é a anexação da América Latina aos Estados Unidos
O dirigente petista também falou sobre o Alca (Acordo de Livre Comércio das
Américas), um dos temas centrais do fórum. Amanhã está programada uma marcha contra o acordo. Na sua opinião, o Alca não significa um acordo, mas uma anexação dos países da América Latina ao Estados Unidos. Lula comparou o Alca a acordos já firmados, o Nafta e o da União Européia. “Todas as vezes que estive no México e no Canadá ouço só reclamações do Nafta”. Em relação à União Européia lembrou que para os países se unirem levou ao menos 30 anos. “Houve políticas compensatórias para Portugal, Grécia e Espanha, além de todo dinheiro que a Alemanha ocidental injetou na Alemanha Ocidental”, disse. “Na proposta do Alca não há um item que obrigue o país rico investir no mais pobre. “Para o petista o Alca é uma proposta apenas comercial para favorecer tecnologicamente e industrialmente o rico. Lula disse que o Alca só seria vantajoso para o Brasil se houvesse uma proposta que favorecesse o país.

Já em relação ao Mercosul e a continuidade do bloco, dada a crise da Argentina, Lula criticou a formação do bloco. “O problema é que como instituição funcionou pouco”, disse. “Funcionou mais do ponto de vista comercial, principalmente para o Brasil e a Argentina e quando os dois entraram em crise, não é o Mercosul que está em crise, mas a economia dos dois países.”

Durante a entrevista, Lula respondeu só perguntas sobre o fórum e do contexto internacional, a sucessão presidencial foi tratada apenas em uma resposta, quando ele comentou a crise argentina. “Aqui no Brasil os setores conservadores tentam criar a idéia que se o PT ganhar vai ocorrer o mesmo que na Argentina.” Ao fazer esse comentário, ele lembrou de quando o ex-presidente Luis Carlos Menem esteve no Brasil em 1988 e disse que se o PT ganhasse o Mercosul ia acabar. “Nesses anos os quatro representantes da política neoliberal, Collor de Melo(o ex-presidente Fernando Collor de Melo) no Brasil, Menem na Argentina, Salinas (Carlos Salinas de Gortari) no México e Fujimori (Alberto Fujimori) no Peru todos saíram do seus governos por denúncias de corrupção e deixaram os seus países em situação delicada.”

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