Política

Pedro Bial, a voz do dono, e seu 'jornalismo' de mentirinha

 

16/04/2021 12:31

(Gervársio)

Créditos da foto: (Gervársio)

 
O apresentador Pedro Bial, no mais que desmoralizado “Manhattan Connection”, não perdeu a oportunidade de agradar seus patrões da Globo: “O Lula já até disse que gostaria de fazer o programa comigo (refere-se ao 'Programa do Bial'), mas tinha que ser ao vivo. Pode até ser ao vivo, mas teria que ser com um polígrafo acompanhando todas as falas dele”.

O “Programa do Bial”, na Globo, substituiu o “Programa do Jô”, este efetivamente jornalístico, de entrevistas reais, num outro nível, não a chorumela chapa-branca de Bial. Jô Soares, um democrata, está a anos-luz do golpista Bial, não só na política; seu talento também não se compara à mediocridade envernizada do atual detentor do horário. Mas Jô acabou por se mostrar incompatível com o Padrão Globo de Manipulação e foi retirado do ar.

A Globo caluniou Lula anos seguidos, durante todos os dias e horários, sem que desse oportunidade ao ex-presidente de responder aos infundados ataques contínuos nem ao menos por modestos segundos.

Nada mais natural que Lula, na situação eventual de aparecer na tela da Globo, exija que seja ao vivo. As edições do pseudo-jornalismo da Globo distorcem com frequência o que seriam as notícias. Lula é gato escaldado, não só do golpe de 2016, mas da manipulação decisiva do debate Collor-Lula, em 1989, pelo "Jornal Nacional", com os melhores momentos de Collor e os piores momentos de Lula.

PEDRO BIAL ACHA QUE NÃO HOUVE GOLPE EM 64

Quem se prestou como Bial ao papel de “jornalista” no “Big Brother Brazil” (programa cujo objetivo é estimular a selva das relações anti-sociais), não necessita de polígrafo (detector de mentiras) para se mostrar o farsante que é.

Como entrevistado, num anterior programa do Jô, Bial saiu-se com esta sobre o golpe militar de 1964:

“Tem gente que chama de Revolução, de golpe, de contragolpe, ou movimento”. Jô protestou: “Não faça média, foi um golpe”. E Bial: “Eu acho que foi, pode ser chamado de contragolpe. Se você ler o livro do Gaspari, você vê que quando o Jango vai de Brasília para o Sul...”. E arremata com um sorriso amarelo: “Bom, enfim... Os historiadores sempre usam os três termos, golpe, revolução e contragolpe”.

Bem mais recentemente, ao entrevistar o general da reserva Sérgio Etchegoyen, Bial foi de uma bajulação para Alexandre Garcia (outro globete e sabujo porta-voz do general ditador Figueiredo) nenhum botar defeito. Além de fazer os maiores elogios a Etchegoyen, ouviu as maiores barbaridades do general sem dar um pio, coisas do tipo “as Forças Armadas sempre defenderam a democracia no Brasil”.

Ora, este general recriou a Secretaria de Assuntos Estratégicos (vasto aparato repressivo contra os cidadãos) no governo golpista de Temer; já se insurgira antes contra a Comissão Nacional da Verdade.

Seu tio, coronel Ciro Etchegoyen, foi comandante do Centro de Informações do Exército, e responsável pela criação da Casa da Morte, de Petrópolis. Ele chegou a dizer que o único erro cometido lá foi deixarem Inês Etienne Romeu ter saído com vida. Ela, a única prisioneira sobrevivente desse centro de horrores, veio a localizar e denunciar a Casa da Morte, antro nazista de crimes contra a Humanidade.

Alguém falou que Bial foi grosseiro pelo que disse contra Lula. Mas quem tem razão é o humorista Gregório Duvivier: “Grosseiro é pouco. Sobretudo frouxo. Porque entrevista general com sorriso no rosto”.

FOLHA CORRIDA A SERVIÇO DO GOLPISMO

Outras opiniões de Bial:

“Conheci Olavo de Carvalho primeiro por seus artigos agudos e argutos nos jornais. Depois pessoalmente, na primeira entrevista à televisão brasileira como filósofo, um novo e brilhante pensador da direita”. O “youtuber” Felipe Neto comentou este vídeo do apresentador da Globo: “Bial não devia ter saído do BBB. Agora você entendem porque recusei todos os convites para ir em seu programa”.

Representou um marco na carreira globete de Bial ser o biógrafo autorizado de Roberto Marinho, livro lançado em 2004, calhamaço repleto de adulações ao golpista nº 1 da mídia. Tanto puxa-saquismo lhe rendeu a gratidão da “famiglia” Marinho.

No Instituto Millenium, organização ativamente golpista, pela privatização e entrega irrestrita do Brasil, Bial recebeu a “honraria” de ser um dos seus fundadores, ao lado do patrão João Roberto Marinho. O biógrafo de Roberto Marinho integra a galeria de "notáveis" do Millenium, junto ao supra-sumo do reacionarismo econômico e político, figuras como Jorge Gerdau Johannpeter (siderurgia), Armínio Fraga, Paulo Guedes, Gustavo Franco, Ali Kamel, Ives Gandra Martins, etc.

O Millenium remunera nababescamente eventuais e frequentes palestrantes. A grana correu solta na preparação do golpe de 2016. O instituto tem conexões em outros países da América Latina, sempre numa posição pró-golpe e pró-defesa dos interesses imperialistas estadunidenses. Não se deve descartar, muito ao contrário, dada a desenvoltura e a ação desestabilizadora do instituto, seus fartos financiamentos, que seja organismo de fachada da CIA.

A declaração de Bial no “Manhattan Connection” mostra bem qual a posição da Globo e da direita brasileira. São a favor do programa econômico Guedes-Bolsonaro de destruição do Brasil; eventuais divergências ficam por conta de quererem o mesmo neoliberalismo extremado, sem os danos de imagem causados por Bolsonaro: querem a locupletação proporcionada pelo bolsonarismo sem Bolsonaro.

Mas a prioridade mesmo é interditar qualquer possibilidade das forças democráticas e populares terem voz ativa na política governamental.

Bial foi só o boneco do ventríloquo, da voz do dono: vale tudo para impedir um presidente efetivamente democrata no Planalto.



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