Política

Pioneira em educação para o trânsito, Brasília enfrenta novos desafios em mobilidade

01/10/2012 00:00

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Créditos da foto: http://www.brasilia.df.gov.br/
Brasília - A capital brasileira é reconhecida nacionalmente como pioneira em educação no trânsito. Foi a primeira cidade do país a implantar uma escola obrigatória para condutores. E a única a conseguir que os motoristas respeitassem a faixa de pedestres. Porém, como foi planejada durante a explosão da indústria automobilística e da produção nacional de petróleo, sempre privilegiou o carro como principal meio de transportes. Estratégia que se revelou inviável, hoje, com o aumento significativo da frota. Mesmo na capital do respeito ao trânsito, são muitos os problemas de mobilidade. E, na mesma proporção, os novos desafios em educação.

Com uma população de 2,6 milhões de pessoas e uma frota de 1,3 milhão de veículos com quatro rodas ou mais, que cresce, em média, 6,4% ao ano, Brasília está prestes a parar. A péssima qualidade do transporte público agrava o problema. Na capital federal, deixar o carro na garagem ainda custa caro, além de ser desconfortável. A falta de interligação entre os sistemas de ônibus e metrô encarecem os trajetos. E os ônibus são poucos e velhos. Cerca de 4 mil para mil linhas diferentes. A idade média da frota é de 11 anos. As distâncias entre os pontos são imensas. Não há nenhum respeito aos horários das rotas. O metrô só atende, parcialmente, a parte sul da cidade.

Com dificuldades jurídicas e financeiras para atacar o problema da renovação da frota, o atual governo, do petista Agnelo Queiroz, tem adotado medidas ainda tímidas para mudar o quadro. Mas o diretor de Educação do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), Marcelo Granja, acredita que, quando totalmente implantadas, transformarão a capital federal em uma cidade pioneira também em mobilidade urbana. Uma delas é a criação de corredores exclusivos para ônibus, o que tem causado muita polêmica. Os condutores de veículos individuais reclamam por perderem o acesso a uma faixa de trânsito, ainda ocupada por ônibus escassos.

“Os corredores exclusivos para ônibus já conseguiram diminuir o tempo gasto no trânsito em até 40 minutos para moradores das cidades satélites mais distantes. É um enorme ganho em qualidade de vida para essas pessoas. Quando a frota for renovada, tivermos mais ônibus circulando e o transporte integrado, as pessoas poderão deixar os carros em casa com mais conforto”, defende Granja. Enquanto isso, o trabalho de educação da população é intensificado. “Ainda temos uns motoristas mais afoitos que invadem as pistas exclusivas. Mas, se levarmos em conta o tamanho da nossa frota, o índice de respeito já está bastante razoável”, avalia.

Ciclovias
Outra medida já implantada com sucesso em várias regiões administrativas é a criação de ciclovias. “Brasília é uma cidade plana e há uma tendência crescente de adoção da bicicleta como meio de transporte principal. A dificuldade em avançar com as ciclovias se deve às dificuldades de alterar o traçado da cidade, tombada pelo patrimônio histórico”, esclarece.

As ações de educação para o trânsito também representam novos desafios para esse modal. “Fazemos palestras regulares em obras da construção civil e escolas, onde atingimos parte do público-alvo das bicicletas. Mas, hoje, muitas outras pessoas fora desses grupos básicos também estão adotando esse meio de transporte. Inclusive idosos, que usam muito a bicicleta para levar os netos à escola”, acrescenta.

A jornalista Ana Lúcia Pinheiro, diretora da ONG Rodas da Paz, aprova a criação das ciclovias, mas defende que ainda falta muito para o brasiliense poder adotar o meio com segurança e tranquilidade. Segundo ela, faltam pontos para estacionamento de bicicletas e, principalmente, educação para que os motoristas respeitem mais os ciclistas, da mesma forma que aprenderam a respeitar os pedestres. “Eu preciso andar com uma corrente de três quilos para amarrar a minha bicicleta em postes. E isso pesa muito depois que você percorre 20 quilômetros”, critica.


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