Política

Pont e Fogaça terão disputa acirrada em Porto Alegre

04/10/2004 00:00

Porto Alegre - Vai ser uma briga de foice. O segundo turno da eleição municipal em Porto Alegre será um dos mais disputados em todo o país. Os números que saíram das urnas em 3 de outubro apontam para uma luta acirrada até o dia 31 de outubro. Raul Pont (PT) obteve 37,62% dos votos válidos. José Fogaça (PPS) teve 28,34%, número bem superior ao que registravam as últimas pesquisas. Pont considerou o resultado uma grande conquista, já que o eleitorado de Porto Alegre estava polarizado entre nove concorrentes. Fogaça também festejou seu desempenho e fez um chamado para que todos os partidos de oposição se juntem para derrotar o PT em Porto Alegre. A definição dessas alianças deve ocorrer ainda esta semana.

Destacando a ocorrência de uma dispersão de votos muito grande e o fato de as outras oito candidaturas terem feito um bombardeio pesado contra a Administração Popular, como é conhecida o governo petista, o candidato petista acredita que, no segundo turno, ficará mais claro para a população o que está em jogo na eleição. "Acho que vamos ter mesmo uma disputa de avaliação, de comparação de projetos, de realizações na prefeitura de Porto Alegre. O eleitor vai avaliar qual projeto tem melhores capacidades, melhores condições de levar adiante o que é reivindicado pela população, ampliar a questão do emprego, da moradia e melhorar os serviços de saúde", exemplificou, em conversa com jornalistas logo após a divulgação dos primeiros resultados do pleito na capital gaúcha.

O desafio da ampliação das alianças
Em entrevista coletiva concedida ainda na noite de domingo, Pont disse que o PT e os partidos coligados na Frente Popular (PC do B, PCB, PL, PMN, PSL e PTN) vão procurar ampliar as alianças para o segundo turno. O deputado federal Beto Albuquerque, que concorreu a prefeito pelo PSB, deve apoiar Pont no segundo turno. Quanto aos demais partidos, a frente Popular pretende trabalhar junto a suas bases para conquistar apoios, uma vez que dificilmente os candidatos de oposição que ficaram fora da disputa manifestarão apoio a Pont.

Eufórico com seu desempenho no primeiro turno, o candidato da coligação PPS/PTB, disse logo após a divulgação do resultado que pretende incorporar novas forças a sua campanha. Fogaça disse que vai abrir sua proposta de governo para que sejam incorporados "pontos positivos" dos programas de possíveis aliados no segundo turno. E repetiu que vai manter o eixo de sua campanha no primeiro turno: "fica o que está bom, sai o que não está". "Há coisas que devem ser mantidas em Porto Alegre, mas não só nos últimos 16 anos. Manter o que é bom e mudar o que é necessário, essa é a base, esse é o ponto central de nosso discurso", disse Fogaça aos jornalistas. Ele espera contar com o apoio do PMDB, PDT, PFL, PSDB e PP no segundo turno.

Tendências para o segundo turno
Uma enquete eletrônica colocada no ar nesta segunda-feira pela página na internet do ClicRBS interrogou os internautas: Como você vai votar no segundo turno? As alternativas são as seguintes: repetirei o voto, seguirei a orientação de meu candidato do primeiro turno, acompanharei a evolução das pesquisas, votarei em branco ou anularei o voto. Não há nenhuma opção apresentando a possibilidade de mudança de voto dependendo do andar da campanha eleitoral no segundo turno. E a realização ou não dessa possibilidade é um dos pontos-chave para a decisão do segundo turno em Porto Alegre. Raul Pont, precisa ganhar votos que foram para candidatos da oposição no primeiro turno. Se, entre os que votaram na oposição, a maioria repetir o voto ou seguir a orientação do seu candidato do primeiro turno, a vida ficará muito difícil para o PT em Porto Alegre.

Como a política não é exatamente o reino da matemática, o PT espera conquistar votos dados a outros candidatos da oposição no primeiro turno ao longo da campanha eleitoral do segundo turno. Conta também com a entrada em massa da militância no trabalho de rua, algo que deixou bastante a desejar no primeiro turno. As inquietações e frustrações com os rumos do governo Lula fizeram com que muitos militantes e eleitores históricos do PT em Porto Alegre ficassem recuados e escondidos no primeiro turno, sem participar de atividades da campanha. Mais ainda, muitos eleitores tradicionais do PT declararam ter votado em branco ou em outro candidato no primeiro turno como "forma de protesto". Outros flertam com a idéia de que, se o PT perder a prefeitura, isso poderia "fazer bem" ao partido que voltaria, assim, "a ser o que era".

É com esse tipo de sentimento, entre outras coisas, que o PT terá que lutar para continuar governando Porto Alegre. O partido aposta também no debate mais equilibrado do segundo turno, quando cada candidato terá dez minutos diários no rádio e na televisão. Nos debates, também não haverá mais o quadro de todos os candidatos elegerem Raul Pont como alvo. Serão dois projetos em disputa, com tendência a elevar o nível de federalização da campanha, uma vez que José Fogaça foi um dos líderes do governo Fernando Henrique Cardoso no Senado. Além disso, no primeiro turno, o governo Lula também foi alvo de intenso ataque por parte dos adversários do PT na disputa. Agora, Pont e Fogaça tratarão essas questões cara a cara, com igual distribuição de tempos.

Desempenho dos partidos no Estado
O PMDB foi o partido que mais elegeu prefeitos no primeiro turno no Estado, com 136, seguido do PP, com 134. Mas os peemedebistas perderam três cidades em relação à eleição de 2000. Já o PP teve uma perda maior: 30 municípios. Com a derrota de seu candidato, Mendes Ribeiro Filho, em Porto Alegre, o PMDB concentra suas forças, agora, em Caxias do Sul, onde o candidato José Ivo Sartori enfrentará Marisa Formolo (PT) numa disputa que também promete ser muito acirrada. O PDT apresentou o maior aumento proporcional, passando de 78 prefeituras, em 2000, para 97.

O PT, por sua vez, alcançou o melhor desempenho da sua história no Rio Grande do Sul, chegando a um crescimento de 34% em 2004 comparando com os números das eleições de 2000. O partido teve 32 prefeituras eleitas no primeiro turno em 2000 e esse número subiu para 43 em 2004, sendo que em 18 municípios reelegeu sua administração. Nos três municípios onde o PT disputa o segundo turno, os candidatos Raul Pont (Porto Alegre), Mariza Formolo (Caxias do Sul) e Fernando Marroni (Pelotas) chegaram em primeiro lugar. O PT também ampliou seu número de vices-prefeitos no Estado chegando a 56 mandatos, sendo 19 com prefeitos do PT e 37 com outros partidos. Mesmo com a redução de cargos para o legislativo municipal, o PT ampliou seu número de vereadores no Estado de 456 para 511 parlamentares atingindo 269 municípios.

Veja especial:
> Eleições 2004

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