Política

Projeções do PT apontam Berzoini e Pont no segundo turno

24/09/2005 00:00

Porto Alegre – O segundo turno das eleições internas petistas, marcado para o dia 9 de outubro, deverá ser disputado entre os candidatos Ricardo Berzoini, do Campo Majoritário, e Raul Pont, da Democracia Socialista. Embora a coordenação da apuração do Processo de Eleições Diretas (PED) não tenha ainda divulgado o resultado final, projeções internas do partido apontam uma vantagem de Pont sobre Valter Pomar, da Articulação de Esquerda, que vinha se mantendo em segundo lugar desde o início da apuração. Mas na reta final, os ventos viraram a favor do deputado gaúcho.

A sétima parcial da apuração, divulgada neste sábado, mostra Pont 75 votos a frente de Pomar, confirmando tendência que vinha se configurando nos últimos dias. Com 98% dos votos apurados, Pont tem 42.857 votos (14,68%) contra 42.782 de Pomar (14,65%).

 

O PT pretende finalizar a contagem dos votos até segunda-feira. Dos 4.483 municípios aptos ao PED, há confirmação de que 478 deles não realizaram a eleição. Considerando que foram totalizados votos de 3.602 municípios, além de dois núcleos no exterior, restam ser apurados os votos de 403 cidades, todas com um pequeno número de eleitores. Até às 10 horas de sábado, a Comissão Eleitoral Nacional do PT totalizou 312.856 votos, provenientes de 3.602 municípios, em 27 Estados brasileiros.

Os votos totalizados até agora apontam para um comparecimento médio de 40,6% dos filiados, o que corresponde a 2,5 vezes o quorum mínimo previsto pelo estatuto partidário. Mantida essa tendência, o número de votantes pode atingir 317 mil filiados. Ainda faltam ser apurados cerca de 5 mil votos, vindos principalmente do estado de Minas Gerais onde a candidatura Raul Pont teve um desempenho superior ao de Valter Pomar.

 

Aos 61 anos, Pont disse que, caso seja confirmada sua ida para o segundo turno, espera unificar as minorias do partido para derrotar o Campo Majoritário. Unidas, essas tendências superam os 42% de votos obtidos por Berzoini no primeiro turno. Ressaltando que é preciso aguardar o resultado final da apuração, Pont disse à Carta Maior que, caso seja ele o nome definido para enfrentar Berzoini pretende participar de grandes atos de unidade da esquerda e das minorias partidárias nas principais capitais do país.


Carta da candidatura Pomar

A chapa “A Esperança é Vermelha”, da Articulação de Esquerda, que apóia a candidatura de Valter Pomar para a presidência do PT, divulgou sexta-feira (23) uma carta endereçada aos candidatos Maria do Rosário, Raul Pont, Plínio de Arruda Sampaio, Markus Sokol e Gegê. A carta conclama os demais concorrentes a se unirem contra o candidato do Campo Majoritário, Ricardo Berzoini, no segundo turno, independentemente de quem seja o candidato da esquerda. Além disso, faz uma análise crítica dos recursos que vêm sendo impetrados por outras chapas da esquerda partidária, em virtude de denúncias de irregularidades na votação de 18 de setembro.

 

O documento justifica do seguinte modo essa posição: “Não fizemos nem orientamos que se fizesse qualquer tipo de recurso contra as chapas e candidaturas que fazem oposição ao ex-Campo Majoritário. Optamos por não fazer recursos, por dois motivos principais. Em primeiro lugar, a eleição foi um enorme sucesso. Parte da mídia, que imaginava que o PED seria um fiasco, agora procura apresentá-lo como eivado de fraudes. Fazer recursos, neste contexto, embora seja um direito legítimo e amparado no estatuto, pode alimentar a pretensão destes setores da mídia”. E acrescenta: “estamos convencidos que passar ao segundo turno graças a recursos é meio caminho andado para a derrota”.

 

A coordenação da chapa que apóia Pomar destaca que, no dia 18 de setembro, mais de 305 mil petistas demonstraram disposição de defender o PT, avaliando que essa participação foi “um tapa na cara da direita brasileira”. Também enfatiza que a votação do Campo Majoritário caiu de 52% para 42%. “Com isso, vencemos o principal obstáculo que impedia a existência de uma direção partidária colegiada, com democracia e divisão real de responsabilidades entre todos os dirigentes”, avalia ainda o texto, lembrando que Ricardo Berzoini recebeu em torno de 120 mil votos, contra mais de 160 mil dados para as demais candidaturas. Nestes termos, caracteriza o segundo turno como “um plebiscito entre a renovação e o continuísmo”.

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O documento propõe ainda que a campanha para o segundo turno comece imediatamente. “Nós precisamos começar já a campanha: enquanto os votos são apurados e totalizados, nossas candidaturas devem fazer campanha contra o continuísmo expresso por Ricardo Berzoini”. “A disputa entre nós, sobre quem vai ao segundo turno, não pode ameaçar nossa unidade e nossa vitória no segundo turno”, acrescenta. O texto também faz menção às críticas que a candidatura Pomar vem recebendo. “Achamos profundamente equivocado os ataques que vem sendo desferidos à nossa candidatura. Não é hora de acentuar nossas divergências, que ficaram explícitas quando do lançamento de diferentes candidaturas ao primeiro turno. A hora é de unidade, para vencer no segundo turno”. E critica, por fim, o debate daqueles que estão pensando em sair do PT, “no momento em que mais de 305 mil filiados reafirmaram o partido, a maior parte dos quais votando em candidaturas e chapas alternativas ao ex-Campo Majoritário”.


Movimento PT diz que apoiará a esquerda 

Enquanto a apuração da eleição interna petista não chega ao fim, as peças movimentam-se no tabuleiro do partido. O Movimento PT, da candidata Maria Rosário, decidiu que não vai apoiar no segundo turno das eleições internas do partido o candidato do Campo Majoritário, Ricardo Berzoini. Em quatro Estados, as duas forças se enfrentarão na disputa por diretórios regionais: Rio de Janeiro, Tocantins, Paraíba e Maranhão. Rosário conquistou cerca de 13% dos votos, representando assim uma peça decisiva para a definição de quem será o futuro presidente do PT.

Incluída entre os setores moderados do partido, o Movimento PT tradicionalmente andou junto com o Campo Majoritário, aliança que sofreu uma ruptura a partir da crise política que atingiu o PT.  Mas o apoio à esquerda não será incondicional. Os dirigentes da tendência garantiram apoio automático a Valter Pomar, caso ele vá para o segundo turno. Caso o candidato seja Raul Pont, da Democracia Socialista, esse apoio dependerá de um compromisso formal pela defesa do governo Lula.

 


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