Política

Quem são os 9 políticos brasileiros relacionados nos Pandora Papers?

Embora o consórcio indique a ligação de nove políticos brasileiros a empresas em paraísos fiscais, seus nomes ainda não foram revelados

10/10/2021 13:01

(Reprodução/ICIJ)

Créditos da foto: (Reprodução/ICIJ)

 
É preciso ser muito estraga-prazeres para não estar a soltar rojões com os Pandora Papers. Tal desconfiança tem origem em vazamentos passados que deixaram a impressão de que as revelações costumam ser seletivas e o alegado “princípio do interesse jornalístico e do interesse público” teria se tornado palavra ao vento.

Em 2015, 29 jornalistas brasileiros assinaram uma carta aberta ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos em que solicitavam “o acesso à lista com os dados completos dos 8.667 clientes brasileiros do banco HSBC no Swiss Leaks”. O pedido ao Consórcio enfatizava que “seria lamentável se os Swiss Files fossem vazados no Brasil de forma seletiva, atendendo a interesses que não os da opinião pública”. Nem o consórcio nem o jornalista brasileiro membro do Consórcio se sensibilizou com o pedido: a íntegra dos nomes não foi revelada publicamente.

Hoje, o que se tem, concretamente, é que há um gráfico interativo, na primeira matéria divulgada pelo Consórcio, com o título “Where are the 336 politicians in the Pandora Papers from?” [De onde são os 336 políticos nos Pandora Papers?]. Esse mesmo gráfico aparece nos sites de membros brasileiros do Consórcio.

Quando se passa o mouse sobre o mapa de algum país, aparece o nome e o número de políticos com nomes ligados aos vazamentos apelidados de Pandora Papers. Ao fazer isso sobre o mapa do Brasil surgem as palavras “Brazil 9 politicians”, ou, Brasil 9 políticos. Abaixo pode-se ver a sua reprodução.



Através de uma pesquisa pelo site do Consórcio e pelos sites com jornalistas parceiros do Consórcio – Metrópoles, Poder360, Piauí e Pública – constata-se que foram muitos os nomes de brasileiros revelados, além daqueles do Ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, como se pode ver através de alguns exemplos a seguir:

Donos da Prevent Senior têm 9 milhões de dólares em paraíso fiscal

Documentos mostram que acionistas de gigantes como Grendene e Riachuelo recorrem à mesma prática

Da família Marinho aos donos da JP, empresários de mídia estão ligados a offshores

Pandora Papers mostra empresas em paraísos fiscais de donos da Editora Três (IstoÉ) e de familiares de Ratinho

Família Civita omitiu 3 offshores do processo de recuperação da Abril

Uma das empresas ainda está em operação. Outras duas foram encerradas em 2020

Cartola Marco Polo Del Nero abriu offshore milionária quando comandava a CBF

Companhia especializada em administrar offshores nas Ilhas Virgens Britânicas "devolveu" empresa de filhos de Marco Polo Del Nero

Luciano Hang teve offshores não declaradas por 17 anos

Em 2018, saldo era de R$ 604 mi em investimentos. Empresário regularizou offshore aberta em paraíso fiscal do Caribe em 2016, durante o governo de Dilma Rousseff

A pesquisa, no entanto não logrou encontrar referências aos nove políticos brasileiros mencionados no gráfico. Desse modo, a pertinência da questão título desse texto parece evidente: quem são?

Com a palavra o Consórcio e seus membros brasileiros:

- Fernando Rodrigues, Mário César Carvalho, Guilherme Waltenberg, Tiago Mali, Nicolas Iory, Marcelo Damato e Brunno Kono do Poder360;

- José Roberto Toledo, Ana Clara Costa, Fernanda da Escóssia e Allan de Abreu da revista Piauí;

- Anna Beatriz Anjos, Alice Maciel, Yolanda Pires, Raphaela Ribeiro, Ethel Rudnitzki e Natalia Viana da Agência Pública e

- Guilherme Amado e Lucas Marchesini do site Metrópoles.





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