Política

Raul Pont segue na frente em Porto Alegre, aponta Ibope

27/09/2004 00:00

Porto Alegre - O candidato da Frente Popular, Raul Pont (PT), manteve a liderança das intenções de voto na quarta pesquisa realizada pelo Ibope, em Porto Alegre. Pont, que tinha 32% na última pesquisa do instituto, realizado de 17 a 19 de agosto, passou para 34% na estimulada. Na pesquisa espontânea, o candidato petista tem 30% das intenções de voto. Em segundo lugar, aparece José Fogaça (PPS), com 20% na estimulada (tinha 15% na pesquisa anterior) e 16% na espontânea. Em terceiro lugar, vem Onyx Lorenzoni (PFL), que subiu de 3 para 10% na estimulada. Na espontânea, o candidato do PFL aparece com 10%.

O Ibope também perguntou aos eleitores sobre sua expectativa de vitória. Raul Pont é o favorito com 62%. Em segundo lugar, vem Fogaça com 18%. No item rejeição, Pont tem 29%, seguido por Jair Soares (PP) e Vera Guasso (PSTU), ambos com 25%. Na simulação de segundo turno, Raul Pont tem 45% das intenções de voto, contra 42% de Fogaça.

O Ibope ouviu 602 eleitores de Porto Alegre entre os dias 21 e 23 de setembro. O percentual de indecisos ainda é alto. Na pesquisa espontânea, onde não é apresentado ao entrevistado o nome de nenhum candidato, 22% responderam ainda não ter candidato. Já na estimulada, esse número cai para 9%. Votos brancos e nulos tiveram 6% de respostas, também na pesquisa estimulada. Faltando menos de uma semana para a eleição, o cenário em Porto Alegre aponta para a realização de segundo turno. Segundo as últimas pesquisas, o segundo lugar ainda está em disputa entre Fogaça e Onyx Lorenzoni.

No entanto, este último terá que reduzir uma diferença que hoje está na casa dos 10 pontos percentuais. Nos últimos dias da campanha, o candidato do PFL começou a atacar a candidatura de Fogaça, dizendo que ela também está associada ao governo Lula e lembrando denúncia feita pela revista Veja sobre a suposta compra de apoio do PTB por parte do PT.

Projetos em disputa
O candidato do PT, Raul Pont, vem centrando sua campanha na defesa das realizações da Administração Popular nestes 16 anos em que governa a cidade e na apresentação de propostas para  o futuro. O PT e a Frente Popular pretendem ampliar, no quinto mandato, os investimentos em políticas sociais nas áreas da habitação, saúde, saneamento, assistência social e educação com o objetivo de atingir as camadas mais pobres da população que ainda vivem em situação precária.

Além dessas políticas, Raul Pont quer dar prosseguimento à atual política de desenvolvimento centrada nos investimentos em tecnologias de ponta, especialmente nas áreas de informática, microeletrônica e saúde. O aperfeiçoamento dos mecanismos de funcionamento do Orçamento Participativo também integra o programa de governo da Frente Popular. Uma das idéias é estimular a população a discutir não só o orçamento, mas todo o projeto de desenvolvimento da cidade.

Segundo colocado nas pesquisas, o ex-senador José Fogaça vem realizando uma campanha na linha "paz e amor", elogiando algumas conquistas da Administração Popular, como o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial, e prometendo mudar o que não está bem na cidade. Utilizando o refrão "isso sai, isso fica", Fogaça espera assim conquistar uma parcela do eleitorado que tradicionalmente vota no PT em Porto Alegre. Durante praticamente toda a campanha até aqui, o candidato do PPS empregou essa estratégia sem sofrer maiores ataques, quadro que começou a ser alterado nos últimos dias.

Os programas da Frente Popular começaram a lembrar a trajetória política de Fogaça, que foi líder do governo Fernando Henrique Cardoso no Senado e apoiou o governo de Antônio Britto no Rio Grande do Sul, ambos marcados por uma pesada política de privatizações. Neste período, Fogaça sempre esteve no lado dos críticos do OP e do FSM, que agora elogia.

Derrotar o PT, uma obsessão
Outra linha importante da campanha de Fogaça é procurar apresentar o candidato como "o único capaz de manter o OP e derrotar o PT". Através deste slogan, o ex-senador pretende atingir, simultaneamente duas frentes do eleitorado porto-alegrense: aqueles que não abrem mão do OP e aqueles que não gostam do PT. Desde o governo Olívio Dutra, a oposição ao PT no Estado trabalhou para construir um sentimento anti-petista no RS, estratégia que atingiu algum sucesso.

Agora, nas eleições municipais, os candidatos de oposição brigam entre si para saber quem é o "mais capaz de derrotar o PT". Mendes Ribeiro, do PMDB, diz que é ele, lembrando a vitória de Germano Rigotto contra Tarso Genro, em 2002. Onyx Lorenzoni também usa a figura de Rigotto, dizendo que, assim como o atual governador fez em 2002, está correndo por fora. E Fogaça, finalmente, diz que é ele porque ele vai manter o OP e fazer uma "mudança tranqüila".

As contradições envolvidas nesta confusão não causam muita perturbação na oposição. O que importa é derrotar o PT em Porto Alegre, algo que se tornou uma  obsessão. As projeções para o segundo turno apontam para a unificação dessas candidaturas em torno de quem ficar em segundo lugar. O único candidato que deve apoiar Pont é Beto Albuquerque, do PSB. Beto, no debate realizado na TVE na noite de domingo, criticou Fogaça, lembrando que ele é o candidato de Antônio Britto e FHC.

Na resposta, o candidato do PPS admitiu que sente grande admiração pelo ex-governador Britto e lamentou que ele tenha deixado a política (hoje é diretor executivo de uma fábrica de calçados). E contra-atacou, dizendo que Beto era representante do governo Olívio Dutra. Ou seja, a suposta pacificação política no RS, reivindicada por Rigotto, revela-se cada vez mais um mito. Um novo capítulo dessa guerra tem data marcada para a próxima batalha: dia 3 de outubro.

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