Política

Relato de uma conversa com Marighella

04/11/2009 00:00

Logo após o golpe de 1964, Carlos Marighella continuava foragido e superperseguido. Localizado num cinema ele atracou-se com os policiais que o queriam prender e um deles atirou à "queima roupa" no revolucionário. Se, antes do golpe já me havia chamado a atenção durante a revolta dos sargentos em Brasília, agora, com esse ato e depois o texto que escreveu "Porquê resisti a Prisão", reforçou as discussões que se faziam no jornal de debates das teses para o 6º Congresso do PCB e as minhas convicções de que somente a luta armada venceria a ditadura.

Nesta época eu fazia parte do grupo da Maria Antonia e do Comitê Estudantil Universitário que assumiam aquelas proprostas revolucionárias. Era também assessor das bases estudantis daqui e, trabalhava no campo com os agricultores, com um grande companheiro Irineu de Morais, o "Indio".

Como o Partido, em Ribeirão Preto, se conduzia pela luta pacífica, falei com o Indio e fui fazer um contato com Marighela lá no Trianon em SP. No encontro fiz as exposições da opção de muitos quadro do PCB pela luta armada. Ele perguntou se o Índio estava conosco. Eu disse que sim. Daí me respondeu que ainda não era hora de rachar o Partido e que deveríamos ganhar o Partido como um todo para sair para essa posição armada.

Perguntei, ainda sobre as armas. Ele disse estão nos quartéis e no coldre do soldado. É lá que iremos buscar.

Isso encerrou a conversa.

Quando cheguei em Ribeirão Preto, fui convocado para uma reunião dos Comitês Municipais e Zonais e me expulsaram, assim como outros companheiros. Exceto o Índio.

Depois disso não restava outra aqlternativa senão rachar o PCB e criar uma nova organização para articular a luta revolucionária armada.

Criamos as Forças Armadas de Libertação Nacional em quase 40 municípios da região de Ribeirão Preto. De 1966 a 1969, quando começaram as "quedas".

(*) É de Ribeirão Preto (SP), militou no PCB desde a juventude.

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