Política

Responsável pela tragédia das 300 mil mortes, Bolsonaro mentiu sem parar em rede nacional

 

24/03/2021 11:48

(Reprodução/Youtube)

Créditos da foto: (Reprodução/Youtube)

 
Nesta terça, 23 de março, dia em que o Brasil bateu mais um trágico recorde, 3.251 mortos em 24 horas pela epidemia da Covid-19, Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão.

Gastou 2 minutos e 50 segundos, o suficiente para contar numerosas mentiras em tempo exíguo.

O Brasil nesta quarta ultrapassa a marca de 300 mil mortos da Covid-19.

Mas Bolsonaro tentou vender a imagem de que tudo fez para minorar os efeitos da epidemia.

Apresentou-se como um campeão das vacinas, como se tivéssemos esquecido que se recusou a comprar 160 milhões de doses de vacinas, de variada procedência, oferecidas ao Brasil ao longo de 2020.

No dia mesmo da sua aparição em rede nacional, Bolsonaro perdeu recurso no STF em que tentou impedir governadores de tomarem medidas de isolamento social, indispensáveis diante do descontrolado crescimento da epidemia em nosso país.

Disse que o Brasil é o 5º país que mais vacina no mundo, falsidade completa para tentar iludir o povo . Considerado o tamanho da população, e a proporção de vacinados, o Brasil vem em 58º lugar.

Só 5,8% da população, cerca de 12 milhões, recebeu doses da vacina. E desses, muito estão ainda carentes de uma segunda dose.

No total, apenas 1,99% da população brasileira, aproximadamente 4,2 milhões, foi vacinada até agora.

Vangloriou-se que conseguiu 10% das vacinas do consórcio Covax Facility, da OMS.

Outra mentira em se apresentar como empenhado na vacinação: o Brasil obteria 30% das vacinas cedidas pela OMS neste consórcio mundial, mas Bolsonaro disse que não queria.

Bolsonaro fez campanha aberta contra a vacinação durante praticamente um ano inteiro. Disse que quem tomasse a vacina poderia até virar jacaré, que as mulheres corriam risco de ficar barbadas.

BOLSONARO FEZ TUDO

PARA ESPALHAR O VÍRUS

Ele chegou ao ponto de fazer campanha contra a OMS, um organismo da ONU, que, segundo ele, não deveria se levar em conta por dois motivos:

1) combatia o negacionismo de Bolsonaro sobre a periculosidade da epidemia, seu empenho em promover aglomerações, não uso de máscaras, não fazer testes, “gripezinha”, “que iram morrer 800 pessoas”, depois aumentou o número para “duas mil mortes”, que “só morreriam velhos”;

2) suas “fake news” conspiratórias do gênero “vírus chinês”, "a OMS está dominada por esquerdistas e deve ser combatida".

A mesma OMS que vê o Brasil como a grande ameaça mundial ao mundo durante esta pandemia.

O Brasil é considerado como o país com pior enfrentamento da Covid-19.

É visto pela OMS como disseminador do vírus não só nos países vizinhos da América do Sul, como no restante do mundo. Inclusive com a proliferação de novas cepas do vírus, mais resistentes, exatamente pela lentíssima vacinação em curso no Brasil.

Sem contar que Bolsonaro mandou embora 11 mil médicos cubanos do Programa Mais Médicos, que fizeram enorme falta a cerca de 24 milhões de brasileiros.

Bolsonaro foi seguido em tudo pelo incompetente general Pazuello, ministro da Saúde do “um manda, outro obedece”.

Proclamado "especialista em logística", o general Pazuello deixou faltar testes, vacinas, oxigênio, leitos de UTI, sedativos para intubação.

Com as pessoas morrendo sem ar em janeiro, por falta de oxigênio hospitalar, em Manaus, o general foi à cidade insistir com os médicos locais que a solução para elas era o "tratamento precoce" em vez de providenciar o oxigênio.

O general ministro da Saúde seguiu as ordens do genocida. Disse que testes para detectar o vírus não eram necessários, quando são forma primeira de prevenção (quarentena para os infectados).

Na sua gestão foi regra o “tratamento precoce” com cloroquina, ivermectina, e outras pseudo-poções mágicas, medicamentos que nada têm a ver com a Covid-19, até com letais contra-indicações.

A MÃE DAS MENTIRAS

A mãe de todas as mentiras, causa da cumplicidade de Bolsonaro com a epidemia, é o falso dilema por ele propagado: “isolamento social ou morrer de fome”.

Pode-se perfeitamente combater o vírus, adotar-se o isolamento social, e as pessoas não morrerem de fome nem perderem seus empregos.

Esta é uma opção econômica e política, o contrário da adotada por Bolsonaro e seu ministro ultra-neoliberal Paulo Guedes, ex-assessor de 3º escalão do general Pinochet.

Mas é a opção de numerosos países, os mais diversos, da França à tão demonizada Venezuela - que, aliás, tem, ao lado do Uruguai, a menor taxa de mortos na epidemia na América do Sul. No Uruguai, a epidemia começou a avançar, seu bom índice decrescido, justamente pela proximidade do Brasil, paraíso do vírus.

É mentira que não há dinheiro para auxílio-emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia,

Não há, se as prioridades são as de Bolsonaro e Guedes, de entregar 50% do orçamento nacional diretamente aos bancos.

De dar todas as facilidades ao grande capital, “aproveitar a epidemia para passar a boiada”, como disse o ministro do Desmatamento, o condenado por crime ambiental e corrupção. Ricardo Salles, em reunião ministerial.

A pretexto deste “auxílio emergencial” de R$ 150, R$ 250, e R$ 375, aproveitou-se para “passar a boiada”: entre outros saques, congelar salários de funcionários públicos federais durante 15 anos; de funcionários estaduais e municipais de maneira vitalícia!

Como disse o ex-presidente Lula, o Brasil não pode ser o país do “corte, corte, corte, só se ouve falar em cortar”.

O Brasil não cabe na camisa-de-força de Paulo Guedes.

E nem nas mentiras de um extremista de direita genocida, que disse em reunião com grandes empresários Fiesp ainda antes da eleição: “Os senhores mandam na minha campanha. É difícil ser patrão no Brasil”.

Genocida porque capacho dos banqueiros e do grande capital nacional e internacional.



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