Política

Revisão do caso Lula adiada

Revelações explosivas recolocaram na agenda da Suprema Corte o exame do pedido de libertação de Lula

12/06/2019 11:16

A Suprema Corte do Brasil adiou indefinidamente o julgamento de um pedido de liberação de Lula previsto para terça-feira, 11 de junho (AFP)

Créditos da foto: A Suprema Corte do Brasil adiou indefinidamente o julgamento de um pedido de liberação de Lula previsto para terça-feira, 11 de junho (AFP)

 
O Supremo Tribunal do Brasil adiou sem definir nova data o julgamento de um pedido de liberação de Lula previsto para terça-feira, dois dias depois de revelações sobre a parcialidade daqueles que o sentenciaram. O ex-presidente está cumprindo uma sentença de oito anos e 10 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

No domingo, em artigos explosivos, o site Intercept denunciou as manobras dos responsáveis pela investigação anticorrupção "lava jato" para impedir que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorresse à presidência em 2018, para a qual as pesquisas lhe prometiam vitória.

As trocas de mensagens através da rede Telegram publicadas revelaram que o ministro da Justiça, Sergio Moro, na época juiz encarregado dos casos da "lava jato" e, normalmente tido como completamente imparcial, forneceu conselhos e orientações aos promotores contra Lula. Em julho de 2017, Sergio Moro sentenciou o ex-presidente de esquerda por corrupção e lavagem de dinheiro.

Imparcialidade do juiz questionada

Um ano e meio depois, ele deixou o Judiciário para integrar o governo do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, eleito no final de outubro.

Segundo analistas, as revelações do Intercept motivaram a inclusão na pauta [do STF] da revisão do pedido de liberação de Lula, inicialmente previsto para as próximas semanas.

O julgamento finalmente não ocorreu, mas os juízes da Suprema Corte fixaram para o dia 25 de junho a decisão sobre outro recurso da defesa do ex-presidente, visando sua libertação. Este recurso, que coloca justamente em questão a imparcialidade de Sergio Moro em razão de sua presença no governo, foi apresentado bem antes das revelações do Intercept.

Alguns analistas acreditam que esse [recurso] teria mais chance de sucesso do que aquele que deveria ter sido julgado na terça-feira, envolvendo critérios mais técnicos. Ele também poderia retornar à agenda de 25 de junho. (Sl / nxp)

*Publicado originalmente no Tribune de Genève | Tradução de Aluisio Schumacher





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