Política

Serra sai na frente e confirma opção do paulistano pelo centro

04/10/2004 00:00

Montagem sobre divulgação

Créditos da foto: Montagem sobre divulgação

São Paulo – O resultado final da apuração dos votos do primeiro turno acendeu o sinal amarelo para o PT em São Paulo. Os paulistanos e paulistanas que foram às urnas neste domingo (3) deram o seu recado: se for para escolher entre campanhas com propostas voltadas para o chamado centro (dentro do espectro político-ideológico), eles e elas preferem o PSDB.

Com 100% das urnas apuradas em São Paulo, o tucano José Serra recebeu 2.685.331 votos, o equivalente a 43,56% dos votos válidos. Marta Suplicy, prefeita petista que concorre à reeleição, foi escolhida por 2.208.782 eleitores, totalizando 35,83% dos votos válidos. Em seguida, vieram Paulo Maluf (PP), com 734.286 (11,91%), Luiza Erundina (PSB), com 244.001 (3,96%) e Paulinho (PDT), com 86.515 (1,4%).

Não há como não deixar de comparar a campanha e a guinada das candidaturas do PT em São Paulo e em Fortaleza, capital cearense. Na maior cidade de São Paulo, a campanha de Marta Suplicy insistiu, desde o começo da campanha até a reta final, em buscar votos daqueles que tradicionalmente não votariam em Marta. O resultado do trabalho de marketing ancorado em pesquisas de opinião provocou, no entanto, um efeito contrário. 

Marta preferiu abrandar a coloração político-ideológica, descartou a diferenciação de sua candidatura – "escondendo" propostas e ações viabilizadas nos últimos quatro anos, como a inovação dos programas sociais (leia matéria
"Esquecidos na campanha, programas sociais marcam diferença em São Paulo" ), a abertura de espaço para o movimento negro e para o público GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) e a implementação de mais de uma centena de telecentros com software livre pela cidade – e mostrou muito pouco para o público das marcas históricas do "modo petista de governar".

Em detrimento da apresentação de avanços de caráter progressista, a atual prefeita preferiu "inundar" o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio com cenas de obras viárias e declarações da importância de "casar" o voto local com a escolha feita pela população brasileira em 2002, ano em que o petista Luiz Inácio Lula da Silva venceu o pleito para a Presidência da República.

Indiretamente, a campanha de Marta acabou fortalecendo a importância dos "padrinhos" para governar o município. E "padrinho" por "padrinho", o governador tucano Geraldo Alckmin, além de estar presente na capital (Palácio dos Bandeirantes), tem um perfil menos desgastado e muito menos polêmico que o de Lula.

Um dos reflexos mais evidentes da "higienização político-ideológica" da campanha pode ser verificado no resultados das eleições para a Câmara de Vereadores da capital paulista. O campeão absoluto dos votos foi o ex-deputado federal José Aníbal, um dos principais xerifes do PSDB paulista, quarto colocado na última campanha para o Senado. Aníbal recebeu 165.820 votos, ou seja, 2,78% dos votos válidos. Ele decidiu concorrer a uma vaga em meados de setembro, em substituição ao candidato Tae Jung Kim, que não obteve registro na Justiça Eleitoral. Aníbal chegou a coordenar o programa de governo de José Serra. 

O segundo colocado em votos nominais foi Arselino Tatto, do PT, com 73.298 votos (1,23% dos válidos), atual presidente da Câmara. O PSDB elegeu 13 vereadores, assim como o PT. Entre os eleitos do PT, apenas dois vereadores são do chamado campo ideológico: Paulo Teixeira (ex-secretário municipal de Habitação, apoiado por intelectuais de peso) e Carlos Gianazzi (que contrariou a prefeitura na Câmara e chegou a ser ameaçado pelo partido). Atuais vereadores desse campo do PT, Carlos Neder, Nabil Bonduki e Odilon Guedes por exemplo, perderam as suas respectivas cadeiras na Câmara. 

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