Política

Trump, Bolsonaro e Modi: o trio da morte

 

11/09/2020 17:27

(Reprodução/Gage Skidmore/G20/Flickr)

Créditos da foto: (Reprodução/Gage Skidmore/G20/Flickr)

 
A vitória de expoentes da ultradireita neoliberal em eleições recentes no mundo não é novidade para ninguém. Contudo, alguns casos chamam mais a atenção, pois reúnem não apenas o crescimento de políticas econômicas que aprofundam desigualdades, mas também a cumplicidade com a violência, apostam na divisão da sociedade e no combate as minorias e mais recentemente durante a pandemia, se associaram à morte.

Os presidentes dos Estados Unidos da América, do Brasil e o primeiro ministro da Índia, Donald Trump, Jair Bolsonaro e Narendra Modi, respectivamente, juntos, são responsáveis por mais de 54% do total de casos da covid-19 no mundo e 58% dos novos casos do dia 10/09/20.

Estes governantes apostaram contra a ciência, a favor da ignorância e construíram uma política genocida que busca matar as minorias e atender a interesses dos que apostam no divisionismo como mecanismo de fazer política que privilegie as castas sociais abastardas na sociedade.

Quando olhamos para o número de mortes, vemos que 51% das novas mortes pela covid-19 no dia 10/09 são resultantes da soma destes três países, que representam 44% do total de mortes da pandemia até hoje.

São quase 400 mil pessoas que tiveram suas vidas ceifadas diante de uma aliança alimentada pelo discurso de ódio, da mentira, das fakenews e que se acham donos da verdade e da sociedade.

A pandemia da covid-19 é o maior desafio sanitário de nossa geração e um dos maiores desafios políticos e sociais da história da humanidade, mas neste momento tão importante, Trump, Bolsonaro e Modi decidiram formar a tríplice aliança da morte, uma aliança tóxica comprometida com a morte e que utiliza os mecanismos presentes em ditaduras ao não respeitarem as democracias e assumirem posturas autoritárias.

Em um recorte apenas para a América, Trump e Bolsonaro são responsáveis por 10 milhões de casos de um total de quase 15 milhões de casos no continente, 2/3 dos casos da América tem as digitais desta aliança pela morte e sem compromisso com a vida.

Este trio também é responsável por um dos maiores charlatanismos da pandemia, Trump que sem qualquer evidência científica anunciou a Cloroquina como cura milagrosa da covid-19, teve em Bolsonaro um importante aliado na fabricação e distribuição desse medicamento sem nenhuma prova da sua eficácia, sendo que a matéria prima para a produção foi adquirida da Índia por um preço 6 vezes maior do que o habitual, criando um conluio da Cloroquina e anticiência.

Esta pandemia nos traz inúmeros desafios, que ficam ainda mais evidentes diante de governos autoritários e neoliberais como os que formam a tríplice aliança da morte. O primeiro e maior desafio é o da defesa da vida diante do descompromisso mostrado pela ultradireita.

Repito aqui a frase do Presidente argentino Alberto Fernandez “Nós sabemos o valor da vida”. Foi este valor que nos fez criar o Sistema Único de Saúde, o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o aumento real do salário mínimo e o Programa Mais Médicos.

Por aqui, Bolsonaro genocida debochou ao ser questionado sobre o número recorde de mortes diárias com “E daí?” e menosprezou as vidas perdidas com “Todos nós iremos morrer um dia".

Trump desde o início minimizou os danos causados pela pandemia, também contrariou orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje com os EUA, ainda sendo o país com mais contaminados, o presidente Trump declara que “não queria gerar pânico” reafirmando que tudo é mais importante do que a vida das pessoas. Modi adotou um isolamento radical e mal planejado na Índia no início da pandemia, mas logo minimizou os danos causados pela covid- 19 e afirmou que as pessoas deveriam conviver com o vírus. A Índia se tornou o segundo país com maior número de infectados no mundo.

Para nós, nenhuma vida é sem valor, não existem seres humanos matáveis. Só a defesa da vida pode fazer com que saiamos desse abismo social que nos foi colocado após o golpe da presidenta Dilma, com as políticas destruidoras de Temer e agora genocidas de Bolsonaro.

 Como disse o presidente Lula em seu discurso de 7 de setembro: “O essencial hoje é vencer a pandemia, defender a vida e a saúde do povo. É pôr fim a esse desgoverno e acabar com o teto de gastos que deixa o Estado brasileiro de joelhos diante do capital financeiro nacional e internacional”.

Vemos diversos governos sem compromisso com a vida tem aceitado a morte de milhares de pessoas, como, por exemplo, os governos europeus que expulsam refugiados de seu território, os governos que não respeitam a laicidade do estado e promovem ataque a minorias culturais, étnicas e religiosas, as vidas da juventude negra que morre na guerra ao tráfico que se transformou em guerra contra vida ou os ataques aos povos indígenas.

Reforçar o valor da vida é um compromisso humanista de nossa sociedade e de nossa geração, é um desafio diário e que passa pela necessidade de construímos uma ampla aliança em defesa da vida para que possamos enfrentar alianças como a de Trump, Bolsonaro e Modi que se formam entorno das mortes.

Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.






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