Política

Vazamentos desafiam 'Lava-Jato'

 

11/06/2019 20:58

Arquivo - Nesta foto de arquivo de 11 de setembro de 2017, os manifestantes mostram cartazes escritos em português que leem, da esquerda,

Créditos da foto: Arquivo - Nesta foto de arquivo de 11 de setembro de 2017, os manifestantes mostram cartazes escritos em português que leem, da esquerda, "Lula na cadeia" e "Corruptos na cadeia" e uma foto do juiz Sergio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava-Jato, na sede da Polícia Federal, em Brasília, Brasil. Um novo relatório em junho de 2019 questionou a imparcialidade de Moro, o juiz no centro de uma campanha anticorrupção no país que colocou dezenas de políticos e empresários atrás das grades, no Brasil e no exterior. (Eraldo Peres/Associated Press)

 

Um novo relatório questionou a imparcialidade do juiz que está no centro de uma campanha anticorrupção no país que colocou dezenas de políticos e empresários atrás das grades, no Brasil e no exterior. A publicação online The Intercept diz que documentos vazados mostram que o juiz Sergio Moro estava orientando indevidamente os promotores em um caso que levou à prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, uma alegação que ele nega. Aqui está uma olhada no caso geral:

COMO TUDO COMEÇOU?

A “Operação Lava Jato” começou em março de 2014 como uma investigação sobre lavagem de dinheiro no sudoeste do Paraná. Policiais e promotores locais prenderam o proprietário do posto de gasolina Carlos Habib Chater e o acusaram de fazer negócios com o condenado por lavagem de dinheiro, Alberto Youssef, que havia comprado um Range Rover para um ex-executivo da gigante estatal de petróleo, a Petrobras, Paulo Roberto Costa. Youseff e Costa chegaram a acordos judiciais que abriam as janelas para um esquema imenso de corrupção.

COMO O ESQUEMA FUNCIONOU?

Os promotores dizem que executivos de grandes construtoras, como Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez, formaram um cartel que decidia quais firmas receberiam contratos da Petrobras, muitas vezes avaliados em bilhões de dólares, e o quanto deveriam inflacionar os preços para cobrir os pagamentos de políticos e executivos da Petrobras. dizem os investigadores.

QUEM FOI CAÇADO?

Quem é quem dos empresários e políticos que foram condenados ou estão sendo investigados. O ex-presidente Lula está recorrendo de uma sentença de oito anos e dez meses por aceitar um apartamento da construtora da OAS. Outro ex-presidente, Michel Temer, também está sob investigação. Outros incluem o ex-CEO da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Também atingiu profundamente no Peru: os promotores dizem que estão buscando uma sentença de 20 anos contra o ex-presidente Ollanta Humala e o outro ex-presidente, Alan Garcia, deu um tiro na cabeça em abril, quando as autoridades chegaram em sua casa para prendê-lo em conexão com a investigação.

COMO LULA ESTÁ CONECTADO?

Testemunhas de acusação alegam que Lula recebeu secretamente um apartamento à beira-mar da OAS em troca de contratos da Petrobras entre 2006 e 2012. O ex-presidente nega irregularidades e diz que nunca foi o dono legal do apartamento. No entanto, o juiz Moro argumentou que a intenção de lhe dar o apartamento tornou isso em um crime. Sua condenação, mantida em apelação, o impediu de concorrer à presidência novamente no ano passado, abrindo o caminho para o candidato de direita Jair Bolsonaro, que venceu - e nomeou Moro como seu ministro da Justiça.

NOVAS ACUSAÇÕES CONTRA OS PROMOTORES

O site The Intercept diz que os documentos mostram que Moro - que foi amplamente visto como um herói por supervisionar a investigação de corrupção - ajudou a guiar os promotores em seus esforços para condenar Lula quando ele deveria ter sido imparcial. Também diz que eles mostram que os promotores duvidaram da força de suas evidências. O advogado de Lula, Cristiano Zanin, disse que a acusação foi "corrompida" e que o ex-presidente deveria ser libertado. Já Moro e o vice-presidente Hamilton Mourão afirmaram que as conversas foram retiradas do contexto e defenderam suas investigações.

*Publicado originalmente no The Washington Post | Tradução de Cristiane Manzato

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