Política

Vladimir Palmeira: "o antigo PT não existe e não voltará"

13/05/2005 00:00

Rio de Janeiro – Um dos maiores ícones da esquerda brasileira está de volta à batalha. Depois de colocar-se deliberadamente, nos últimos quatro anos, à margem do processo político - num misto de decepção e falta de espaço no seu PT - Vladimir Palmeira ressurge como pré-candidato petista ao governo do Rio de Janeiro. Após verem duas pré-candidaturas suas ao governo fluminense (votadas pela base em encontros estaduais) serem abortadas, em 1994 e 1998, pela intervenção da direção nacional do PT (leia-se tendência Articulação), poucos, entre aliados ou adversários, apostavam nessa volta. Mas, ela aconteceu e, ao que tudo indica, Vladimir conta dessa vez com o apoio da cúpula petista.


Talvez porque o PT sofra intensa queda de popularidade no Rio de Janeiro, talvez porque a experiência de apoiar Anthony Garotinho em detrimento de uma candidatura própria em 1998 tenha resultado num amargo erro admitido por todos, a direção nacional do PT parece decidida dessa vez a, com doze anos de atraso, deixar a militância do partido no Rio exercer o seu direito de escolher o candidato do partido ao governo do Estado. Mesmo que Vladimir Palmeira não tenha a mesma força de 1994, parece unânime a opinião de que ele ainda é o melhor nome para reconstituir as desanimadas tropas petistas no Rio.

 

Aos 60 anos, mais do que escaldado, Vladimir assume uma postura diferente para não ver seu projeto ruir mais uma vez. Aposta na unidade partidária como nunca, e para isso pretende conduzir pessoalmente as negociações para a formação de uma chapa única para o Diretório Regional do PT no Rio (se conseguir, será seu primeiro milagre). Além disso, defende no geral a política econômica do governo federal, com críticas à elevada taxa de juros e ao que ele chama de “política monetária”. Uma vez candidato, garante, vai procurar todos os partidos que atualmente apóiam o governo Lula, mesmo o temido PTB do Rio, para compor o mais amplo arco de alianças possível.

 

Vladimir teria sido domado? Na entrevista exclusiva concedida à Agência Carta Maior no antológico restaurante Manolo, no bairro de Botafogo, fica claro que não. Sua defesa da participação popular, da valorização da militância e da necessidade de aliança com partidos como PPS ou PDT constituem uma alternativa programática à esquerda da política atual da direção do PT. É indo à esquerda na campanha, garante, que também pretende influir na candidatura à reeleição e no segundo governo de Lula. O que Vladimir Palmeira parece estar fazendo dessa vez é apostar na prudência política e no diálogo para evitar nova derrota na disputa interna. Veja abaixo, na íntegra, a entrevista do mitológico líder da Passeata dos Cem Mil:

 

Agência Carta Maior - A sua pré-candidatura ao governo no Rio de Janeiro pelo PT foi anunciada esta semana na mídia. Depois dos problemas ocorridos em 1994 e 1998, você acha que dessa vez a candidatura vai decolar?


Vladimir Palmeira
- Aparentemente sim, porque todas as informações que a gente tem são de que não há o menor problema, a direção nacional do partido considera que aqui no Rio de Janeiro deve haver uma candidatura própria. O lançamento da minha candidatura pela bancada federal, com o apoio da bancada estadual em sua maioria, e agora da maioria dos prefeitos petistas, significa um apoio institucional muito grande. Como esse pessoal expressa muito a relação do partido com a massa, eu acho que é natural o caminho da minha candidatura. Acho que não vai haver problema, pois a sinalização da direção nacional é nesse sentido.

 

CM - No apoio à sua candidatura nós vemos algumas figuras, como o deputado Jorge Bittar, por exemplo, que são ligadas ao Campo Majoritário do PT e que sempre foram seus adversários na disputa interna do partido. O Campo Majoritário dessa vez vai te apoiar ou você acha que ainda pode nascer uma candidatura adversária?

 

VP - Eu acho que o Campo Majoritário deve me apoiar. Não quero me arrogar isso, porque afinal não há uma decisão oficial dos companheiros, mas creio que esse setor vai me apoiar. O Bittar e outros companheiros, alguns da tendência Articulação, já me procuraram para me dizer que me apóiam, mas eles ainda não definiram a política oficial. Provavelmente, na próxima semana eles vão definir a questão.

 

CMVocê não teme que, mesmo após ter sido oficialmente lançada, sua candidatura seja abandonada pela direção nacional do partido? Ou que, por conta de acordos que venham a ser firmados com o PMDB ou PTB seu nome acabe sendo cristianizado pelo PT, como ocorreu em 1996 com o então candidato a prefeito do Rio, Chico Alencar?

 

VP – Isso a gente não pode responder concretamente. O quadro político no Rio é claro. No geral, você tem a direita do Cesar Maia, o populismo de direita do Garotinho e do Sérgio Cabral e um espaço para a esquerda. Mas, dentro disso, você tem muitas coisas que mudam esse quadro. Por exemplo, o PL do Bispo Crivella, que é um componente. Já ouvi um boato dizendo que o Garotinho vai apoiar o Crivella e não o Sérgio Cabral. Então, o quadro não está definido no Rio de Janeiro e ainda é muito difícil qualquer previsão.

 

CMVocê conta com que forças, nos meses que virão, para elaborar suas propostas e seu programa de governo?

 

VP – Eu conto com todo mundo e, em primeiro lugar, com a militância do PT. Eu sempre defendi que o político tenha o comando sobre o técnico, então quero colocar os técnicos e tal para discutir com a militância. Nós já estamos fazendo há algumas semanas, numa reunião chamada ponto de encontro, contatos com representantes de mandatos parlamentares, grupos políticos e outras organizações para discutir o desenvolvimento da campanha. Eu tenho dito sempre que minha candidatura só ganha as eleições com a militância, isso é da característica de uma pessoa como eu, com a prática que eu tenho e com minha história.

 

CME a propaganda na televisão?

 

VP – É claro que a televisão é importante. Mas, hoje em dia todo mundo tem programas moderníssimos de televisão. Ficou igual aquele negócio que o João Saldanha dizia sobre o campeonato baiano e que hoje não é considerado politicamente correto: se macumba ganhasse jogo, o campeonato terminaria empatado (risos). A minha área e a área do nosso partido é, portanto, a militância, e eu conto muito com ela. O que eu quero, primeiro, é fazer um seminário do partido que seja um seminário de diagnóstico. Depois, vamos separar grupos temáticos para propor soluções. Mas, vamos apresentar soluções gerais. Está comprovado hoje em todo canto que não adianta você fazer um calhamaço de programa com medidas práticas e depois pegar um governo onde a situação é sempre muito pior do que aquela que você imaginava. No primeiro ano você não governa porque depende do orçamento do ano anterior... Então, a gente tem que ser muito prudente. O que eu quero com as reuniões temáticas é dar para a sociedade uma visão geral da orientação que tem a candidatura do PT. E, de uma forma que você possa conversar com o habitante do Rio de Janeiro e dizer: os problemas prioritários são estes e a linha da gente para enfrenta-los é esta.

 

CMQuais os problemas prioritários para o PT?

 

VP – Alguns a população já cobra demais, como, por exemplo, a violência e a saúde. Isso me parece evidente. Claro que existem outros problemas, como as questões ligadas à educação, ao meio ambiente ou à descriminação racial. Mas, esses dois problemas, a violência e a saúde, serão a meu ver os de maior impacto na campanha eleitoral. O caso da saúde, por exemplo, está ligado à questão fiscal. Os governos não têm dinheiro, aumentam os impostos, a sociedade está de saco cheio porque não agüenta mais pagar imposto. Eu digo que o dinheiro da saúde é mal aplicado, que o dinheiro da educação é mal aplicado. Então, a gente tem que fazer um diagnóstico para mudar a estrutura na forma do governo e controlar a aplicação do dinheiro público. Eu tenho certeza que vai sobrar dinheiro na saúde e na educação. Eu poderia dizer que vou construir 30 hospitais, mas vou deixar claro que só teremos dinheiro se fizermos uma aplicação correta. Não adianta botar uma equipe dirigente fantástica se não tiver a participação do pessoal da saúde. Por isso, vamos abrir processos eleitorais nas unidades de saúde, para contar com a participação da base. Temos que trazer o funcionário e o usuário da rede para esse processo. Só se controla a aplicação de verbas públicas com a participação pública e o controle da sociedade. Essa prática é que vai distinguir completamente nosso governo dos estilos dirigentes de Cesar Maia e de Garotinho. Vou expressar na campanha minha confiança na participação popular em todos os níveis e vamos estimular isso dentro dos limites daquilo que um governo estadual pode fazer.

 

CMDirigentes regionais do PPS, do PSB e do PDT já fizeram publicamente elogios à sua candidatura. Até o ministro Ciro Gomes já disse que, se for essa sua missão, “vai carregar sem problemas os panfletos do Vladimir Palmeira”. Qual arco de alianças você acredita que possa construir em torno da sua candidatura?

 

VP – Veja bem, não é que eu possa ou não possa construir. Eu, por dever de partido, sou obrigado, conforme as circunstâncias concretas, a aplicar o arco de alianças que o PT tem em escala nacional. Então, eu vou procurar todos os partidos aliados do PT no plano nacional, essa é minha determinação. Agora, nem o PT sabe quais serão seus aliados. Como vai cair a verticalização, ao menos é o que tudo indica, ninguém sabe qual vai ser o quadro nacional. Aqui no Rio de Janeiro isso vai permitir a possibilidade de formação de alianças que não estão também no quadro das alianças nacionais. Caindo a verticalização, eu posso ter alianças já no primeiro turno com o PPS e com o PDT, mesmo que eles tenham candidato à Presidência da República. Eu vou me enquadrar dentro do PT. Se o PT faz uma aliança nacional que envolva, por exemplo, os atuais participantes do governo, eu vou procurar todos esses partidos, sem exceção.

 

CMA mudança do domicílio eleitoral do ministro Ciro Gomes para o Rio te ajuda ou te atrapalha?

 

VP – Eu, a princípio, acho que vai ajudar. O Ciro tem motivos para ter um interesse pelo Rio de Janeiro, porque ele é casado com a Patrícia Pillar, que é uma pessoa influente no movimento cultural. Ele fez aqui todo um ambiente com os artistas e os intelectuais e pode desempenhar um papel muito positivo, não tenho nenhuma dúvida.

 

CMDepois das seguidas e desastrosas intervenções da direção nacional do PT, a militância histórica do partido no Rio meio que desapareceu. Você acha que sua candidatura pode ressuscitar o velho e combativo PT fluminense?

 

VP – Não é isso. O antigo PT não existe e não voltará. O que é possível é que haja um reagrupamento da militância para fazer minha candidatura. Todos consideram que, no quadro atual, eu sou a melhor possibilidade que existe de aglutinar a militância que resta no PT e impedir, inclusive, que uma parte dela saia. Há um consenso de que o partido precisa se unir. Para quê? Para ocupar o espaço político. Toda vez que o partido vai desunido, ou a esquerda vai desunida _ como foi o caso aqui da eleição da capital com Jorge Bittar e Jandira Feghali (PCdoB) _ os adversários acham que você não é páreo. Desde que os companheiros da Articulação me procuraram pela primeira vez, através do Marcelo Sereno, que era assessor da Casa Civil, ficou claro que o clima é favorável à unidade em torno da minha candidatura.

 

CMA Articulação pediu alguma coisa em contrapartida ao apoio que lhe dará?

 

VP – Não fiz concessões, mas acontece que a visão desse pessoal é a mesma visão de campanha que eu tenho. Na campanha, candidato do governo tem que defender o governo. Eu já estou defendendo, em artigos nos jornais, a política econômica do governo. Para não fazer brincadeira, como alguns que dizem: “nós defendemos o governo, mas a política econômica é uma ruína”. Assim não dá. Nós vamos defender abertamente o governo. Agora, podemos também fazer críticas ao governo, e essas são sintomáticas. Onde está a crítica? Está colocada claramente na política de juros, na política monetária do governo, que é uma política ideológica. Os meninos gostam de juros altos. Eles vêem no remédio monetário uma solução para tudo. É evidente que isso é um empecilho para o país, apesar de ele estar crescendo. Mas, se baixasse a taxa de juros, poderia crescer mais, de forma mais sistemática. Em segundo lugar, o governo deveria restabelecer a possibilidade de o Estado investir. Eu não sou dos mais apressados nem sou daqueles que criticam o superávit primário, eu acho o superávit primário uma necessidade. Temos um contexto em que o país está crescendo, nós não estamos em recessão, mas não adianta produzir superávit primário se você perde tudo que ganha nos juros. Nós queremos um Estado com mais capacidade de intervir. O próprio presidente Lula disse numa entrevista que considera um erro a questão dos juros. Como é isso exatamente? O vice-presidente da Republica critica, os deputados criticam, 97% dos brasileiros criticam a taxa de juros. Não é uma crítica minha, é a expressão de todos os brasileiros que querem uma taxa de juros menor. O presidente disse que não quer choques, nem eu. Mas, queremos uma baixa sistemática, constante e firme da taxa de juros.

 

CMSua candidatura poderia então influenciar o governo Lula?

 

VP – Eu digo sempre que o governo Lula é um governo de coalizão, não só no Executivo como no Legislativo. Tem gente que se aproxima do governo Lula para frear, para segurar. Nós queremos ser uma candidatura de esquerda, achamos que a candidatura à reeleição de Lula vai crescer no Rio de Janeiro por via de uma candidatura ao governo do Estado que seja de esquerda. E, uma candidatura de esquerda é para fazer o governo avançar, não para segurar. Achamos que nesse segundo governo o Lula pode avançar mais ainda. Tendo reordenado a economia, tendo reorganizado o aparelho de Estado, ele pode avançar mais nas reformas, como a reforma agrária, por exemplo, que é uma questão de primeira importância.

 

CMPodemos deduzir então que o apoio do Planalto à tua candidatura significa uma esperança de que o governo Lula possa seguir novo rumo num segundo mandato?

 

VP – Eu não disse que tenho o apoio do Planalto, mesmo porque o Planalto pode ter mais de uma candidatura no Rio de Janeiro. Mas, as instâncias da direção do PT sinalizaram por uma candidatura própria, e nós vamos tentar construir essa aliança da minha candidatura com todos os partidos possíveis.

 

CMQual tua avaliação sobre esse novo espaço criado à esquerda do PT a partir do governo Lula? Te incomoda o fato de alguns dos teus antigos aliados da esquerda do PT no Rio, como Milton Temer ou Cid Benjamin, por exemplo, terem ido para o PSOL e não engrossarem agora a tua candidatura? Qual a tua avaliação sobre o PSOL?

 

VP – Há de fato um espaço à esquerda, mas o PSOL está longe de ocupá-lo. Os que você citou são companheiros valorosos, mas eu acho que excluíram outras alternativas e optaram por um programa de extrema-esquerda que não é o meu. Tenho uma diferença programática grande com eles. Acho também que escolheram a hora errada, superestimaram as possibilidades de crise e a força do movimento de massas, ganharam muita corda com o movimento dos funcionários públicos e acharam que poderia haver uma retomada do movimento de massas que não ocorreu. Então, acho que saíram mal do PT. O PSOL tem uma linha, do meu ponto de vista, esquerdista, mas que também tem seu mérito. É bom o governo Lula ter uma crítica pela esquerda, é positivo se ter uma crítica que soe um pouco mais estridente que a do PSTU, porque a crítica do PSTU é muito estridente, mas não soa, é muito marginalizada. O PSOL ocupa um espaço de crítica, mas não é o meu caminho e eu nem imagino como um partido como esse possa servir para algumas figuras como estas que você citou. As opções às vezes se colocam e as pessoas seguem o seu caminho, mas eu acho que o PSOL dificilmente ocupará um espaço mais sólido à esquerda do PT.

 

CMMuita gente no PT do Rio que lutou nesses últimos anos ora para que o candidato do partido fosse você ora para que fosse Milton Temer lamenta e acha um desperdício que vocês dois acabem saindo candidatos no mesmo pleito...

 

VP – O Milton pode ser candidato, é um direito democrático. Se um partido como o PSOL tem um quadro, esse quadro tem o direito de concorrer. Eu desejo boa sorte a ele.

 

CMComo você está se posicionando em relação ao Processo de Eleições Diretas (PED) do PT?

 

VP – Não estou (risos). Nós aqui no Rio ainda não nos posicionamos. Em relação às eleições nacionais eu vinha discutindo com um grupo, que inclui o deputado Chico Alencar, que é quem está cuidando mais diretamente dessas questões, a possibilidade de que a esquerda se unisse e lançasse uma chapa só. Mas, parece que isso é uma impossibilidade, porque a esquerda continua com seu hábito de se fracionar e a esquerda do PT tem um caráter sectário muito grande. Em nome da unidade que estamos construindo no Rio, eu, particularmente, vou seguir o caminho do Chico, que está se orientando nessas questões nacionais. Mas, sem dúvida nenhuma, nas eleições nacionais votaremos numa das chapas de esquerda. Aqui no Diretório Regional nós queremos, na medida em que a Articulação apóie a minha candidatura, ter uma chapa de consenso. Nós temos inclusive o temor que um debate desse tipo, demasiado, termine gerando incompreensões e, ao invés de facilitar a unidade, a dificulte. Como o partido está se reaglutinando no Rio de Janeiro, como o programa estadual é unânime e não tem a menor divergência sobre a análise do Garotinho, do Sérgio Cabral, do Cesar Maia, nós achamos que o caminho é uma grande unidade política e o lançamento de uma chapa única. Agora, ainda não falamos com todas as correntes. Tem a corrente do deputado Carlos Santana, que não sabemos se aceitará, e talvez algumas correntes de esquerda que não possam aceitar isso. Mas, nós vamos fazer uma chapa única com a Articulação.

 

CMAs divergências quanto às eleições para o Diretório Nacional do PT  talvez sejam mais difíceis de superar por conta do documento aprovado pelo Campo Majoritário, que busca transformar a política econômica do ministro Antonio Palocci numa política programática do partido...

 

VP – Não é por isso, não. Acho que a diferença no partido é boa, ela existe independentemente dessa questão do Palocci. Eu acho que a esquerda do partido tem que refletir, propor soluções, o partido precisa disso também. O PT não precisa de uma esquerda quieta, precisa de uma esquerda atuante para criticar quando achar que é o momento. Inclusive porque também o diretório já aprovou resoluções contra o Palocci. Esse documento do Campo Majoritário, a meu ver, foi uma resolução especial, porque o PT está sofrendo uma ofensiva muito grande no Parlamento. Eles quiseram ressaltar a unidade do partido nesse momento e a unidade do partido com o governo, porque os dois estão levando cacete. Acho que é um documento que no momento serve a mostrar que o partido seguirá com o governo sempre que for atacado.


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