Política

Ética, eficiência e reformas: as bandeiras de Alckmin para enfrentar Lula

14/03/2006 00:00

Paula Sholl

Créditos da foto: Paula Sholl
SÃO PAULO – Acabou a novela. Os tucanos anunciaram oficialmente na tarde desta terça-feira (14) o nome do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como candidato à presidência da República. Após dias de muitas reuniões a portas fechadas, a cúpula tucana chegou a uma decisão. O prefeito de São Paulo, José Serra, desistiu da disputa e estuda agora a possibilidade de concorrer ao governo estadual. Serra não compareceu ao anúncio da candidatura de Alckmin, que foi feito pelo presidente do partido, o senador Tasso Jereissati (CE), na sede do Diretório Estadual do PSDB, na capital paulista.

Rodeado por Jereissati, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, entre outros caciques tucanos, Alckmin fez um rápido discurso, acompanhado sempre por aplausos de algumas dezenas de líderes e militantes partidários. E indicou três das bandeiras que pretende empunhar na campanha eleitoral: a da ética, a da eficiência e a das reformas.

“Não tenham dúvida de que estaremos com a firmeza necessária para empunharmos essa bandeira, que é a bandeira da ética, um banho de ética no governo brasileiro; a bandeira da eficiência, fechando todas as torneiras do desperdício; a bandeira das reformas, que vão possibilitar ao país avançar, avançar com firmeza num grande projeto de desenvolvimento”, disse o governador.

Alckmin também fez críticas ao governo do presidente Lula, que deve ser seu principal adversário nas eleições de outubro. Afirmou que “o Brasil não agüenta mais essa onda de corrupção, que vivemos em “um país sem projeto, com crescimento raquítico, um marasmo verdadeiro, num mundo que é marcado pela mudança e pela rapidez das coisas”. E procurou reforçar a imagem de “gerente” que pretende usar ao longo da campanha, ao dizer que “para nós, política é serviço, é instrumento para melhorar a vida da nossa população”.

“O Brasil tem pressa sim, pressa de crescimento, pressa de emprego, pressa de renda, pressa de salário, para que os filhos possam ter uma vida melhor que a de seus país. País das oportunidades. Esse é nosso grande desafio e é isso que nos estimula a esse trabalho”.

Alckmin ainda fez referência ao prefeito José Serra, que desistiu da disputa. Segundo o governador, essa decisão, “um gesto de desprendimento”, garantiu a unidade partidária do PSDB. Sem a desistência de um ou de outro, a escolha seria feita provavelmente pelos cerca de 200 integrantes do Diretório Nacional.

Depois do discurso, Alckmin seguiu para prefeitura de São Paulo, onde teve um rápido e protocolar encontro com Serra. Em uma nota telegráfica, o prefeito anunciou apoio à candidatura do governador. "Meu senso de responsabilidade política leva-me a colocar acima de qualquer aspiração pessoal nosso objetivo comum: que é dar um novo rumo ao país. Por isso, e por considerar Geraldo Alckmin habilitado para vencer a eleição e ser o próximo presidente, cerro fileiras, com o partido, em torno de sua candidatura", escreveu o prefeito.

Para o deputado Alberto Goldman (SP), a desistência de Serra evita um racha no partido. “Nossa única preocupação era ter unidade, todo esforço que a Executiva fez foi o de obter unidade. Nós sabíamos que os dois nomes eram competitivos, dois nomes de altíssima qualidade, e era preciso encontrar uma unidade. Alguém precisava abrir mão para que se pudesse chegar a ela, já que as avaliações eram diferentes: uns avaliavam o Alckmin, e outros o Serra como melhor”, explicou.

Goldman avalia que Serra poderia ter insistido e disputado a indicação junto ao Diretório Nacional, mas isso atrapalharia a candidatura tucana. “Ele entendeu que o desgaste de uma disputa com Geraldo Alckmin, e até uma eventual vitória dele, seria uma vitória com grande desgaste, porque ele derrotaria o governador, se isso acontecesse”, disse Goldman.

O futuro de José Serra poderá ser definido numa reunião que a direção estadual do PSDB fará na próxima segunda-feira. Alguns tucanos, como Aécio Neves, defendem que ele concorra ao governo de São Paulo.


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