Primeiros Passos

As Redes Sociais e o #NaoVaiTerGolpe

Novos protagonistas do cenário político em que vivemos prometem pressionar até o limite com suas hashtags repetidas aos milhares.

13/04/2016 00:00

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Uma nova geração ganha protagonismo em defesa da democracia

 

Em manobra de Eduardo Cunha, no dia 2 de dezembro de 2015, a presidência da Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Em segundos, twitter e facebook são inundados pela hashtag #NaoVaiTerGolpe. Memes são criados e Eduardo Cunha e Michel Temer são apontados como responsáveis pelo golpe em curso.

 

Parte dos jovens havia mostrado sua força nas manifestações de junho de 2013, mas sem pautas claras para suas reivindicações. Mas aquela experiência foi útil para esse grupo perceber que a organização em redes sociais pode servir para estabelecer um protagonismo na política nacional.

 

Movimentos sociais, sindicatos e políticos contrários ao golpe também se organizaram, mas ainda de forma tradicional. As primeiras deliberações, por exemplo, só foram tomadas após reuniões entre os líderes. Para quem tem as redes sociais a um clique, esse "tempo de espera" enquanto se define um posicionamento se transformou em um "tempo para agir".

 

Nesse momento de luta contra o golpe, uma nova geração começa a emergir, apoiando manifestações convocadas e agora criando suas próprias manifestações e pautas. Eventos como "Jovens pela democracia", "Estudantes contra o golpe" e "#OcupeaDemocracia" são criados e organizados nas redes sociais. Transmissões online, vide o que a Mídia Ninja vem fazendo, auxiliam na disseminação do conteúdo produzido nesses encontros.

 

Textos escritos e veiculados via twitter ou facebook, viralizam e até se transformam em argumento para deputados em seus discursos - o desabafo da Barbara Gancia em sua página é exemplo disso. Vídeos criados exclusivamente para redes sociais, como o produzido com globais “Artistas em defesa da democracia”, convocam a população para se posicionar. Diariamente mutirões e hashtags são criados para influenciar deputadas indecisos. 

 

Com pouco espaço nas mídias tradicionais, que pressionam pela queda da presidenta, o próximo dia 17, data da votação do impeachment, será definitivo para saberemos qual a real força das redes sociais nesse processo. Até lá, esses novos protagonistas do cenário político em que vivemos prometem pressionar até o limite com suas hashtags repetidas aos milhares.

 

Danilo Strano - 28 anos, cientista político, especializado em comunicação e redes sociais



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