Primeiros Passos

Clássicos em Podcast: a obra e a atualidade do filósofo HERBERT MARCUSE

O economista MARCIO POCHMANN inicia a série

25/10/2019 13:20

 

 

Na América Latina e em todo o mundo, o que está em jogo na resistência à barbárie social e ambiental é o poder. Quem decidirá o quê, e como, no passo seguinte da história? Como substituir o capitalismo alucinado da desordem neoliberal pela sociedade do bem comum? Disso tratará a série Clássicos em Podcast que a Rádio Carta Maior está lançando agora. (leia mais no editorial 'A Era das Rebeliões', clicando aqui)

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Clássicos em Podcast

O economista MARCIO POCHMANN apresenta a obra e a atualidade do filósofo HERBERT MARCUSE

A ruptura do mundo do trabalho cobra um salto da consciência crítica para transformação da sociedade



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LEIA MAIS:

Márcio Pochmann indica como sugestão de leitura inicial do livro 'O homem Unidimensional' , de Herbert Marcuse, o trecho entre as páginas 13 a 23, que corresponde ao prefácio, e o primeiro capítulo:'As novas formas de controle', págs 23 a 38.

Seu acesso pode ser facilitado por esse link: https://bit.ly/31OixTI

Boa leitura e até a próxima edição do Clássicos em Podcast

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Resumo da Introdução do livro “A Ideologia da Sociedade Industrial”. A paralisia da crítica: sociedade sem oposição.

A ameaça de uma catástrofe atômica, que poderia exterminar a raça humana, não servirá, também, para proteger as próprias forças que perpetuam esse perigo?

A sociedade industrial se torna mais rica, maior e melhor ao perpetuar o perigo. A estrutura da defesa torna a vida mais fácil para um maior número de criaturas e expande o domínio do homem sobre a natureza. Os meios de comunicação em massa encontram pouca dificuldade em fazer aceitar interesses particulares como sendo de todos.

Essa sociedade é irracional como um todo. Sua produtividade é destruidora do livre desenvolvimento das necessidades e faculdades humanas; sua paz, mantida pela constante ameaça de guerra; seu crescimento, dependente da repressão das possibilidades reais de amenizar a luta pela existência.

A teoria crítica da sociedade defronta com o problema da objetividade histórica, em dois pontos em que a análise implica julgamentos de valores: 1) de que a vida humana vale a pena ser vivida, ou deve ser tornada digna de se viver; 2) de que determinada sociedade, existem possibilidades de melhorar a vida humana e os modos de realizar essas possibilidades.

Teoria social é teoria histórica, e História é a esfera da possibilidade na esfera da necessidade.

A contenção da transformação social é, talvez, a mais singular realização da sociedade industrial desenvolvida; a aceitação do Propósito Nacional, a política partidária, o declínio do pluralismo, o conluio dos Negócios com o trabalho no seio do Estado forte testemunham a integração dos componentes, que é tanto o resultado como o requisito dessa realização.

O fato de a grande maioria da população aceitar essa sociedade não a torna menos irracional. Diferença entre consciência verdadeira e falsa e interesse real e imediato.

Na sociedade industrial o aparato produtivo tende a se tornar totalitário no quanto determina não apenas as oscilações, habilidades e atitudes socialmente necessárias, mas também as necessidades e aspirações individuais. Oblitera (faz desaparecer), assim, a oposição entre existência privada e pública, entre as necessidades individuais e sociais. A tecnologia serve para instituir formas novas, mais eficazes e mais agradáveis de controle social e coesão social. A tendência totalitária desses controles dissemina-se em outro sentido pelas áreas menos desenvolvidas e até mesmo pré-industriais e criando similaridades no desenvolvimento do capitalismo e do comunismo.

Não há “neutralidade” no uso da tecnologia. A sociedade tecnológica é um sistema de dominação que já opera nos conceitos e na elaboração das técnicas.

A maneira pela qual a sociedade organiza a vida de seus membros compreende uma escolha inicial entre alternativas históricas que são determinadas pelo nível de cultura material e intelectual herdado. A própria escolha resulta do jogo dos interesses dominantes. É um “projeto” de realização entre outros. Como um universo tecnológico, a sociedade industrial desenvolvida é um universo político, a fase mais atual da realização de um projeto histórico específico – a saber, a experiência, a transformação e a organização da natureza como o mero material de dominação.

MARCUSE, Herbert. A Ideologia Da Sociedade Industrial. Sexta edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

Observação: a primeira edição da obra é de 1964.

Obliterar: fazer desaparecer aos poucos, apagar-se.

Questões para debate e reflexão

1. Relacione a ameaça de uma catástrofe atômica (Guerra Fria 1945-1990) ao contexto do século XXI, no qual o “perigo” situa-se na ameaça de ação dos “grupos terroristas”, e dos países que buscam criar armas nucleares como o Iram. Como os países líderes do capitalismo usam a perpetuação dessa “ameaça” para manter seu poder e interesses econômicos?

2. Como Herbert Marcuse define a sociedade industrial? Você concorda? Dê sua opinião.

3. Situe a funcionalidade que o aparato produtivo ocupa na sociedade industrial.

4. Qual a visão de Herbert Marcuse quanto ao uso e a presença da tecnologia na sociedade industrial? Você concorda ou discorda? Justifique.

Nota: Extraído de: Este espaço virtual pretende ser um local de divulgação das atividades realizadas em sala de aula pelo professor Leandro Coelho de Souza na área de História. Leia mais: https://tudo-e-historia84.webnode.com/sobre-nos/

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