Primeiros Passos

Diário de uma ocupação nº 27 - Os ataques à UFMG

Uma ocupação ou uma manifestação social deve buscar diálogo, deve discutir política e deve agir em atos pacíficos a fim de trazer mais pessoas.

16/12/2016 12:36

UFMG

Créditos da foto: UFMG

 
No dia 08 de dezembro de 2016, a Faculdade de Letras - Fale e o Restaurante Universitário I - RU I e no dia 13 de dezembro, estudantes foram alvos de ataques. As informações que nos chegaram foram que alguns estudantes depredaram a FALE e arrombaram o RU I, durante a madrugada. E em Brasília, no dia 13 estudantes foram novamente alvos de armamentos da polícia e muitos foram ainda encaminhados para uma delegacia da Polícia Civil. Como muitos estudantes estão ocupando, mais de dez prédios dentro da UFMG, a culpa caiu sobre eles em relação aos ataques às dependências da UFMG. Não sabemos se são estudantes da UFMG mesmo que atacaram os dois locais. O que sabemos é que foi algo muito triste e repudiamos o ataque, porque sendo ou não de uma ocupação, não representa a todos. Segue link para nota da FALE do dia 09 de dezembro de 2016 sobre o assunto.
 
http://www.letras.ufmg.br/site/pt-BR/noticias-topo/373-nota-sobre-a-depredacao-no-predio-da-faculdade-de-letras
 
Nos disseram na semana passada que um pouco de radicalismo é necessário para manter os movimentos contra a retirada de direitos fundamentais e outros movimentos de lutas inteiros, porque depois de um tempo são os radicais que mantêm a luta viva. Mas quando isso passa do radicalismo por ideais e parte para a simples destruição sem sentido, somos contra. O local destruído na FALE era um antigo espaço de convivência estudantil que era conhecido como “Milharal”. Este espaço era importante aos estudantes e foi fechado este ano pela Reitoria da UFMG sem diálogo com os estudantes e após o ataque dos estudantes no dia 7, pela polícia (verificar diário 25) alguns destes mesmos estudantes podem, no calor da situação, ter puxado a destruição do espaço. O Ocupa IGC não puxou este ato e esta reivindicação de espaço só atrapalharia o movimento das ocupações. Membros da ocupação do IGC foram saber o que estava acontecendo, porque as informações chegam muito rápido dentro e fora da UFMG pelas redes sociais e protegemos em conjunto os ocupantes sejam em qualquer prédio ocupado. Tanto que a ida à Brasília e o ataque/prisão aos estudantes lá foi um golpe muito duro, mas estavam muitas pessoas das ocupações para recebê-los após a viagem e ficaram lá em Brasília pessoas para dar apoio, mesmo que a repressão não deixasse que este apoio ocorresse.
 
Não existe derrota em Brasília, os que foram lutaram por um Brasil melhor, não por eles apenas. Isso é o dever de um coletivo, da ocupação do IGC, das ocupações em geral. Um dos outros deveres de cada ocupação é entregar o prédio que ocupa devidamente organizado, limpo e íntegro depois da desocupação. Se estragou deve arrumar, se pixou deve pintar, se sujou deve limpar, se tirou do lugar deve recolocar. Então, independente do que um ou outro pensa em separado, as decisões devem ser tomadas coletivamente, o ataque a FALE ocorreu por pessoas aleatórias que não representam as ocupações, repetimos isso.  
 
Se a luta das ocupações é por direitos, porque então destruir coisas que são nosso direito? No caso da RU I, quantos não seriam prejudicados e acabaram sendo? A estes estudantes vândalos cabe o jubilamento, o processo criminal e o dever de pagar pelos danos do que depredaram ou destruíram. Mas duvidamos que tenha sido realmente estudantes que invadiram a RU I, isso seria um absurdo sem precedentes.
 
Poucos não devem destruir o ideal de lutas de muitos e isso não deve ser usado para desmerecer toda a luta até o momento. Qualquer ataque a estudante ou a UFMG é um ataque a todos nós, ocupantes ou não.
 
Uma ocupação, uma manifestação social deve buscar diálogo, deve discutir política e devem agir em atos pacíficos a fim de trazer aos mesmos mais pessoas. Muitos estudantes ainda são contra qualquer ato de responsabilizar os estudantes que possam ter atacado os locais, que os estudantes deveriam se unir em uma só causa. Devemos escutar, não sabemos se tem alguém da nossa ocupação no meio disso. Mas quando algo assim acontece, atinge a todos, porque lá fora não querem saber quem realmente cometeu o “ato de vandalismo” ou não. Todos são culpados. Escutar é a maior arma contra os ataques aos nossos direitos, quando paramos de escutar é aí que perdemos a condição de lutar, pois não há aprendizado e sim, apenas ódio. As lutas são para um futuro melhor, o nosso futuro e certos radicalismos não ajudariam em nada o futuro. Não é meter “o louco” é ser muito mais do que esperam, o radicalismo é ser superior aos nossos repressores, pensar além do que esperam. Ao lerem qualquer coisa, procurem as fontes, busquem diferentes lados, conversem sobre o que anda acontecendo sobre o país, seu estado, sua cidade, seu bairro, sua rua. Aprendam de verdade a escutar.









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